segunda-feira, 25 de maio de 2009

Que língua dominará o mundo?

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Neste sábado, no Expresso, uma reportagem sobre o futuro do inglês. E boas notícias sobre a hegemonia do português... que já conta com 168 milhões de falantes em todo o mundo. Deixo as duas páginas dedicadas ao assunto:
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Um sítio dedicado a Pepetela

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Se clicarem na imagem,acedem ao endereço directamente:
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

TSF e um programa "Com os livros em volta"

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Pelo simples prazer de ler, sem pretensões criticas, Mafalda Lopes da Costa propõe-nos três livros para a semana às terças-feiras de manhã. Com os Livros em Volta, a expressão do gosto pela leitura, atenta aos lançamentos e às novidades, sem qualquer fixação de géneros.
Com os Livros em Volta, com Mafalda Lopes da CostaQuartas-feiras, 14h35m.

Deixo a última sugestão: as biografias de Calouste Gulbenkian e de Aristides de Sousa Mendes. Mas no link que se segue encontram muito mais...
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Musicografias I

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O Lusografias tem a partir de agora banda sonora, da responsabilidade do Dr. Joaquim Silva. Deixo a sua primeira sugestão...
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Há dias a Dr.ª Eunice, por saber que estou nessas andanças, lançou-me o repto de tornar musical o Lusografias. O objectivo era dar a conhecer a música de grafia lusa, da clássica à contemporânea. A aparente falta de entusiasmo com que aceitei de imediato foi por estarem a passar-me já pela mente nomes como D. Pedro de Cristo, Villa-Lobos, Lopes Graça, num contexto mais erudito, e em muitos outros num contexto mais contemporâneo e popular.
Opto por começar com uma música que tem tudo a ver com a Lusografia: chama-se "Samba do Acordo Ortográfico", da autoria e interpretação dos "Vozes da Rádio", que foi apresentado ao público no programa da RTP1 "Prós e Contras", a 14 de Abril de 2008.A escolha prende-se por acreditar que este mar que nos separa tem uma ponte que o torna muito pequeno - a língua - e, a nós, nas diferentes expressões da Lusografia, muito, mas muito próximos.

Joaquim Silva

Uma noite de "Lusografias"

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Do mundo dos livros III: evolução ou revolução

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A palavra "Kindle" significa em inglês "arder, acender, incendiar". De facto, esta nova tecnologia da Amazon veio incendiar por completo a imagem tradicional que temos do livro. Como em todas as discussões, não vale a pena adoptar posições muito radicais, nem questionar qual é o derrotado. O Kindle não é propriamente uma ameaça ao livro, nem o destrona. Continuará a haver espaço para folhear, sentir o cheiro tão típico das folhas e das encadernações e as bibliotecas continuarão, com certeza, cheias. O Kindle, parece-me, é apenas mais um "facilitador" da leitura. E o que interessa verdadeiramente é que cada vez mais pessoas adquiram o "vício saudável" da leitura, não importa se através do ecrã ou das páginas de um livro...
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Deixo o vídeo...
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E a opinião incendiária e irónica do escritor brasileiro Rubem Fonseca sobre o Kindle: "Há coisa melhor que ler um livro?!"
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Kindle 2 é como se intitula o novo e-book que está sendo oferecido aos consumidores. Como o nome indica, um livro eletrônico.
A primeira versão do Kindle foi lançada em novembro de 2007 pela Amazon, que começou a vida vendendo livros de papel pela internet. O Kindle já oferece para download mais de 88.000 títulos e vai aumentando o numero de títulos constantemente. Por enquanto é vendido apenas nos Estados Unidos. Custa cerca de quatrocentos dólares.
O Kindle está causando um grande furor. As Oprah Winfreys, os David Letterman, os Jay Lenos da tv, os blogs estão alvoroçados. Tem brasileiro indo aos EUA só para comprar o Kindle.
Mas ele não é o primeiro livro eletrônico. Antes dele a Sony lançou o PRS (iniciais de Portable Reader System), que consome energia apenas quando uma nova página é carregada e tem autonomia para sete mil e quinhentas páginas. É vendido nos EUA por trezentos e cinqüenta dólares, acompanhado de um cabo USB para conexão com o PC. O PRS lê somente os e-books disponibilizados na loja virtual da Sony, que oferece outro dez mil títulos à venda por preços mais baixos (diz a propaganda) do que os livros de papel encontrados nas lojas de varejo.Parece que o PRS não vem fazendo muito sucesso. Tanto que a Amazon está lançando a segunda versão do Kindle, com o qual espera obter o êxito que o PRS não conseguiu.
Permitam-me uma digressão. Eu me lembro que há tempos comprei um cd denominado “Library of the Future”, com o texto completo de cinco mil livros (5.000). Tem todos os clássicos que você pode imaginar, desde a Ilíada e a Odisséia, de Homero, passando por todas as tragédias e comédias clássicas gregas – Eurípedes, Sófocles, Ésquilo, Aristófanes e também as obras dos filósofos gregos, Platão, Aristóteles, Epicuro – não vou citar todos, a lista é longa) e mais os historiadores como Tucídides e Plutarco, e os livros de Heródoto, Galeno, Demóstenes e Hipócrates.
Recordo que entre os vários livros de Hipócrates havia um sobre hemorróidas e outro sobre úlceras, que li com interesse.Dos clássicos latinos o “Library of the Future” tem, entre outros, Plauto, Terêncio, Catulo, Horácio, Lucrécio, Ovídio, Propércio, Virgílio, Juvenal, Petrônio... Acho que chega. E isso é apenas a literatura clássica grega e latina. Todos, repito, todos os grande livros da história da literatura universal estão nesse cd. Que pode ser adquirido via internet facilmente.O problema é que está tudo em inglês e o cd tem uma chave que não permite que se faça cut and paste.
Mas voltemos ao Kindle. Será que ele vai dar certo? Ou vai fracassar como o PRS? Talvez o Kindle precise de mais recursos – toque música, faça fotos e filmes, envie e receba e-mails, possa ser usado na caixa eletrônica do banco para tirar dinheiro, permita download de filmes e dispare projéteis de borracha (ou verdadeiros) para assustar ladrões, já que o número de assaltantes aumenta mais que o número de novos e-books.
Uma longa exposição a telas eletrônicas, segundo algumas pesquisas, é prejudicial à saúde. Outras pesquisas dizem que se você mantiver constantemente uma distância de pelo menos 50 centímetros da tela, se parar de ler a cada 30 minutos durante pelo menos vinte minutos, de preferência caminhando neste intervalo, se fizer isso, além de pingar colírios na vista de dez em dez minutos, poderá evitar a “Síndrome de Tela de Computador”, dor de cabeça, olhos cansados e secos, visão embaçada, além de outros sintomas que variam conforme o leitor.
Ler na cama está fora de cogitações.Respondam: há coisa melhor do que ler em um livro? Além disso ele pode ser lido em qualquer lugar. Digam um lugar em que um livro não pode ser lido?Você pode ler os jornais na internet, no entanto todo mundo prefere ler as notícias no jornal de papel. Por que será? Vício? Conforto? Sabedoria?
O significado da palavra inglesa Kindle é “arder, acender, incendiar.”Querem saber de uma coisa, aqui entre nós? Esse Kindle me parece fogo de palha.
Rubem Fonseca

domingo, 10 de maio de 2009

Uma semana dedicada à leitura e aos livros

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Foto de Pedro Brazão Pires
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Passou mais uma semana. No colégio, a primeira semana de Maio ficou marcada pela Feira do Livro, organizada por João Ribeiro e José Rui Teixeira. Passaram pelo auditório centenas de alunos, pais e professores, durante quatro dias; fomos visitados por cinco autores (Nuno Higino, João Manuel Ribeiro, Jorge Melícias, Sónia Borges e Fernando de Castro Branco), que se encontraram com os alunos em inúmeras sessões (muitas delas no contexto de sala de aulas, como foi o caso do 1º Ciclo).
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Oficina de Leitura 9º Ano

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Mais textos, mais turmas e mais uma professora (Drª Alexandra Martins)
Os textos que se seguem inserem-se na actividade de Oficina de Leitura. A selecção das obras é da total responsabilidade dos alunos.
Relativamente ao texto da obra Filha da Fortuna, de Isabel Allende, foi lançado aos alunos o desafio de criarem uma carta à personagem que mais os marcou ao longo da leitura, expressando a sua opinião face ao comportamento / personalidade / escolhas da personagem. Não era pedido qualquer tipo de resumo da história, apenas contextualização da personagem no enredo.
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Porto, 26 de Novembro de 2008
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Caro Joaquín Andieta,
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Escrevo-te esta carta na condição de leitora indignada, pois desde logo senti necessidade de transpor para o papel todos os sentimentos que me assaltaram aquando da leitura de “A Filha da Fortuna”, na qual te encontras expressamente proferido, Joaquín Andieta. Escrevo na veleidade de renunciar a esta espécie de ira que me assombra. Escrevo ainda na tentativa de descodificação do enigma que constitui para mim a tua vida e as atitudes que tomaste ao longo desta. Na verdade, tais acontecimentos são para mim autênticos labirintos infindáveis onde, com o decorrer da acção, se multiplicam e sobrepõem uma série de interrogações, porquês, revoltas e inquietudes inegáveis em torno das suas vivências.
Tu, enigmático Joaquín Andieta, entraste na vida da menina Eliza Sommers qual furacão inesperado. Mal a olhaste, todo o seu coração disparou e começou a bombear como jamais havia bombeado. No culminar deste olhar se dera a declarada “pirueta” na maturidade, atitudes, princípios e na própria vida da menina Eliza.
Sim, o amor era correspondido. Ou será que não? Sim, todas aquelas noites fulgorosas onde, na fugacidade de toques e carícias desesperados eram murmuradas juras de amor imperecíveis, constituíram verdadeiros pilares no amor partilhado, momentos imortalizados para ambos. Ou será que não? Estarei eu também inebriada pelo amor incansável que me era pormenorizado no constante e irresistível volver de páginas? Se assim não o é, não me considero então capaz de entender o porquê da tua partida para a Califórnia, arrastado pela viperina “febre do ouro”, em busca da riqueza material. Será possível que o eco dessa avareza tenha soado mais alto do que o sussurro da paixão fervilhosa? Suponho que sim pois, sem renunciar à avidez que te perseguia, deixaste em Valparaíso mãe doente e amante alucinada. No entanto, partiste.
Crédula, Eliza partira também para a Terra do ouro, a “Terra dos homens”, em busca do seu amor cândido que a abandonara subitamente. Porém, a única que informação que obteve fora que te havias tornado num assassino temerário e iracundo, desumano. Porquê, Joaquín?
Não tenciono com esta carta injuriar-te ou até lamentar-te. E uma vez mais o expresso, apenas senti necessidade de enlevar para o papel o que me restava de dúvidas e incertezas no que concerne ao teu amor por Eliza Sommers. Pois, por mais que lesse e relesse as páginas onde está citada a vossa história, era-me impossível entender o que havia acontecido a todos aqueles sentimentos tempestuosos que vos invadiam. Esse amor que, ora entrara como turbilhão imparável, ora sumira sem deixar encalço. Contudo, não estou em crer que essa paixão fosse um embuste insignificante. Não, era um indubitável amor sem igual. Ou será que não?
Apenas e somente como uma espécie de desabafo e sem qualquer ambição de resposta,
Uma leitora indignada,
Joana Soares 9ºA
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O texto relativo à obra O Carteiro de Pablo de Neruda constituiu um desafio ainda maior. Os alunos teriam de imaginar a abertura do volume II do livro lido. Deveriam apenas escrever a primeira página do romance, criando uma nova acção, apenas as personagens ou espaços poderiam ser repetidos.
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Retrato a lápis de
Pablo Neftalí Jimenez González
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25 de Setembro de 1973. 5:15 da madrugada. Rua 4 de Setembro. Ilha Negra. Chile.
Ao entrar naquele carro fiquei a saber que era capaz de experimentar uma panóplia de sentimentos ensurdecedores e tumultuosos. Raiva, por saber que dificilmente descobriria se a minha carta era a vencedora do concurso da revista La Quinta Rueda, visto esta, juntamente com tantas outras revistas revolucionárias, ter sido alvo de ocupação pelas tropas, assim o comunicou o locutor da rádio. Ânsia , por recear que o meu destino fosse o de muitos outros em tempo de golpe de Estado: tortura após uma cadeia de perguntas de carácter intimidante e elucidativo, por parte dos “engravatados” sentados ao pé de mim. Pavor, por temer que o prédio, que agora se afigurava do outro lado da janela imaculadamente limpa, que me separava das ruas e faces precárias da parte sul da Ilha Negra, fosse o destinatário de uma carta de sentimentos revoltosos escrita pela minha mente e alma. E todavia, serenidade, por recordar que ambos os meus Pablos se encontravam num inverso sono profundo, sendo a única diferença o acordar: enquanto que P. Neftalí acordaria para a vida terrena, que tanto fazia questão de atormentar com as suas brincadeiras, P. Neruda acordaria para uma vida eterna, repleta de poesia Negra, inspirada pelos sons terrenos da Ilha.
- Anda lá, sai. São só umas perguntas – argumentou o velho com o bigode.
Eu não sentira o carro a parar, nem a porta a abrir-se. Estava ainda envolto nos meus pensamentos. E, verdade seja dita, apesar de o ter escutado, não queria obedecer às suas ordens.
- Já vou. Um momento – e alcei a perna para fora do luxuoso carro, que contrastava perfeitamente com a pobreza em si envolto, resignado.
- Beatriz? Onde estás? – Entrei em casa. Estava vazia. Peguei na Vespa e fui à taberna da Dona Rosa.
Encostei a mota à porta. Entrei. Pablo esperava-me numa mesa, sentado a olhar impaciente para o relógio, apesar de não saber sequer os números. Quando me viu entrar, correu ao meu encontro. Ao ver o meu rosto inexprimível, perguntou-me:
- O café acabou, pai? - Sorri, pela sua ingenuidade. Não foi isso pois não, pai? – parou para pensar, algo a que nunca se tinha dado ao trabalho antes. Outro Neruda morreu, certo? – Fiquei perplexo.
- Sim, filho. Outro Neruda morreu. Como sabias?
Encolheu os ombros e foi brincar para junto da avó. Apenas 19 anos depois eu saberia a resposta. Não tive a coragem para lhe dizer que a sua infância não seria, nunca mais, igual à daqueles dias de supervisão às galinhas. No fundo, ele sabia-o. No fundo, ele não se importava.
Mariana Pinto, 9B

Oficina de Poesia 7ºAno

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Recebi novos textos dos alunos de 7ºAno, desta vez dedicados à poesia:
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I
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Poema de Criança
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Quando eu era criança
Só havia animação
Agora que cresci a esperança
De ter sempre uma recordação
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Dos sonhos de criança
Nunca me esquecerei
E tenho confiança
Que aprenderei!
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Os meus brinquedos sumiram
Só resta a memoria
Todos eles ficam
Na minha história.
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Rita Araújo 7ºC

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II

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O amor
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Quem ama sofre
Quem sofre sente
Quem sente luta
Quem luta vence
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Na vida a cada passo que damos
Encontramos pessoas maravilhosas
E num desses passos encontrei-te a ti!
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Hugo, 7ºD

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III

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Olho à janela… e vejo!

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Olho à janela... e vejo!

Vejo árvores cinzentas.
Tristes, pequenas e fracas,
Sem folhas que as vistam.
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Olho à janela… e vejo!
Vejo fábricas cinzentas.
Estas, já dragões monstruosos
Cospem fogo para o espaço.
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Olho à janela… e vejo!
Vejo ruas cinzentas.
Repletas de lixo e movimento.
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Olho à janela… e vejo!
Olho para todo o lado e vejo…
Vejo a cidade.
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Duarte Magano, 7B

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IV

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Um refrão
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Oiço em mim esse refrão
De uma velha canção
Que me prende todo o dia
Com a sua melodia
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Tento esquece-la (em vão)
Mas um refrão é um refrão:
Algo que traz alegria(Parece que nos vicia!)
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Há canções que são assim:
Se entram dentro de mim
Ocupam-me toda a mente

E ficam lá para sempre
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É o poder da poesia
Ritmo e melancolia
Cada verso é uma sementeQue germina para sempre!
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Francisca Guimarães, 7ºA

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V

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Chuva
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Abri a porta.
A água escorreu-me pelo rosto
Uma tristeza profunda invadiu-me o coração.
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Roupas secas
Roupas molhadas
Roupas húmidas
Roupas estragadas.
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Pintei sobre a tela
Nem um raio de luz luzia
Nesta pintura tão esbelta
A escuridão permanecia.

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Maria Ana, 7A

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VI

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Na penumbra da noite
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Na penumbra da noite
Algures nas sombras da escuridão
Surge, de repente,
Num ambiente envolvente,
Milhares de pontinhos luzidios
Criando, por momentos,
Uma confusão de sentimentos
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O que será esta luz…
Serão fadas?
Serão magos?
Será a aura da magia?
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A luz abraça-me
Com as suas vestes irradiantes
E poderosas mãos veementes
Leva-me num mundo novo
Onde nada há e tudo há
Onde um ser completa a sua essência
Onde a vida prevalece
Onde o mundo acaba
E a existência começa
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Beatriz dos Santos Valongo, 7B

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Livro(s) do mês - Maio

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O lusografias conta também agora com uma edição em livro. O lançamento oficial será no dia 5, no Colégio Luso-Francês, em plena Feira do Livro, pelas 21:30. E é, como é claro, a sugestão de leitura do mês de Maio. Textos de alunos para alunos, e não só...
Os lucros desta iniciativa revertem, na totalidade, para o projecto "Livros para África".

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Um poder chamado palavra"

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Ontem recebemos no Colégio o espectáculo de Teatro Poético "Um poder chamado palavra", de Nuno Miguel Henriques (Teatro Azul). O entusiasmo dos alunos foi contagiante. Do princípio ao fim, os poemas cativaram o auditório repleto e atento. Foram vários os poetas que desfilaram pelo cenário: de Sophia a Fernando Pessoa, de Cesário Verde a António Aleixo, de Miguel Torga a Luís de Camões.

Uma iniciativa feliz que revelou aos alunos um outro lado da poesia... Para repetir, sem dúvida!

Revista "Ler" - Maio

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A partir de sábado nas bancas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dar@língua 2009

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João Radich, in olhares.com
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O Colégio participou hoje nas Olimpíadas de Língua Portuguesa, Dar@língua, realizadas na Universidade de Aveiro. No total, concorreram vinte e oito alunos, organizados em 14 equipas (7º e 8ºanos). O 7ºAno conseguiu os três lugares do pódio! Parabéns aos alunos (João Sá e Tiago Simões - 7B; Francisca Cunha e Maria Ana Santos; Pedro Alves e Pedro Oliveira - 7A) e à professora (Drª Ascenção Rocha).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

23 de Abril - Dia do Livro

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Assinalo esta data com a notícia da inauguração da primeira biblioteca digital mundial. Para aceder ao endereço, basta clicar na imagem retirada do sítio que lhe é dedicado. O espólio disponibilizado é vastíssimo e valioso: desde manuscritos a mapas (e que podem ser aumentados e analisados em pormenor). Vale mesmo a pena dar uma espreitadela... Também lá encontrarão obras e autores portugueses.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Texto descritivo - Oficina de escrita

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Os alunos do 8ºano pintaram com palavras as seguintes imagens:
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I
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Era uma jovem tarde de Junho. O céu pintado de azul iluminava uma cidade carregada de memórias. O voo inquieto das gaivotas perturbava toda a serenidade daquela tela. Da janela da casa, avistava-se a taciturna paisagem a que o pó de ouro crepuscular concedia uma sensação de infinita e inquebrável perfeição. As casas insondavelmente antigas apreciavam o tumulto do rio que reflectia uma cidade feérica.
Ouvia-se o murmúrio das pequenas ondas que se formavam e avistava-se o longínquo caminhar da noite. À direita, o sol escondia-se nas profundezas do rio. Os barcos percorriam um caminho vagaroso até ao seu destino, como que a apreciar toda a perfeição que envolvia aquele anoitecer. Na paz jamais esquecida e inigualável do céu, as nuvens passeavam. Era um autêntico suspiro de beleza…
Diana Costa, 8A
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II
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A reverberante luz iluminava o cais, repleto de majestosos e pesados barcos, serenos na monotonia das águas. À esquerda, elevavam-se insondavelmente os grandes casarios, carregando o pó de vivências passadas. O rio corria calmamente para o colo das margens, onde mais tarde adormeceria, acompanhado da tristeza rude dos olhos prateados da Lua. À direita, a paisagem era constituída, igualmente, por majestáticos edifícios. As duas margens observavam-se, silenciosamente, invejando a beleza pura de cada uma. Contudo, era notória a melancolia das cores cintilantes, dos sons roucos, do odor das aguas fluviais, dos pesados e difíceis passos dos barcos, sobrevoados por uma ténue nuvem, que não tardava a ser substituída por um manto muito fino de pó de ouro, alcatifado pelas areias constantes. E apenas era necessário uma suave e leve brisa para as fazer dançar esfingicamente. Das águas turvas e verdes-esmeralda do rio emanava uma música de fundo, que todos os seres, por mais insignificantes, admiravam e acompanhavam com uma sublime dança. Tudo estava em sintonia, proclamando a originalidade da orquestra natural.
Francisco Melo, 8A

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III
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Da abóbada celeste suspensa sob as cascatas taciturnas da cidade, a tarde adormecia vagarosamente sob a alegria serena das sombras das árvores. No céu surdo, flutuavam os cardumes alvos de nuvens, lampejando nas águas melancólicas do rio, que escorria sumptuosamente, cortando aquele luxuriante horizonte.
Ao longe, ao longo da vertente, o doce cantar dos pássaros rasgava o silêncio irreal. O Paço, suavemente encaixilhado no cimo da colina, erguia-se extasiadamente, espreitando, indignado, o baloiçar lascivo das folhas dos ramos. A veemência da torre completava a paisagem, repleta de luzes e brilhos que, mirando nos vidros das janelas, reflectiam o tom crepuscular do sol.
Daniela Santos, 8B
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IV
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A manhã despertava da intempérie noturna. A abóbada celeste, imponente e majestosa, erguia-se sobre o extremo do promontório. Lá no alto, o maciço alvo de nuvens reflectia os longos raios de sol, que sumptuosamente interrompiam o lampejar da ondulação. No cimo do cabo, luxuriantes buxos surgiam, lascivamente, completando a vincada vertente. Do infindável horizonte, o mar surgia lançando as suas ondas, pacificamente, até ao areal. O ruído da ondulação ressoava insondavelmente no interior da gruta abrigada nos rochedos, enquanto que as gaivotas caminhavam extasiadamente ao longo da praia, como se uma nova tempestade estivesse prestes a chegar. Os barcos de castanho baloiçavam com as ondas, receosos das suas novas aventuras. O lusco-fusco, evadido das longínquas colinas, emergia serenamente, acordando a ilha…
Daniela Santos, 8B

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V
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O céu esmaecido misturava-se com os cardumes de nuvens que esvoaçavam ao encontro da linha perdida do horizonte. Vultos e sombras sussurravam ao ouvido do ténue e azul do firmamento.
Numa mancha imperceptível da palidez do azul, erguiam-se imponentemente colunas de pedra. Caminhava leve e lenta, no seu pesado andar, ao encontro do incomensurável mar, sobre a árdua rocha.
Pequenas rugas das ravinas penetravam no lívido corpo da areia.
Fachadas delapidadas, adormecidas na esperança de poderem sentir o salgado aroma marítimo, afloravam à superfície.
Areias e dunas vestiam e alcatifavam o chão e tingiam os barcos com a cor do crepúsculo.
Barcos sem rumo e sem sonho jaziam na costa e eram como pássaros feridos no seu voo no marulho da alba. As palavras, as cores e as lamentações destinadas a cobri-los, miravam extasiadamente horizonte. Estava tudo envolto no silêncio.
O mar entrelaçava as mãos com o lânguido céu. Vestia o seu manto de poesia bordado a iluminados versos, que insondavelmente atravessam gerações. Mostrava as suas vagas memórias do passado através do clamor e dos reflexos das suas águas.
Esperavam então pelo cair da tarde, para vestirem o seu pó de ouro e descerrarem as névoas como se mãos invisíveis fechassem as cortinas de um palco.
Carlos Braga, 8B
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VI
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Como um rapaz descalço, o rio escorria lento e suave até à foz, onde se perdia com o mar infinito. As casas flutuantes de memórias e recordações apresentavam inúmeras cores de onde trespassava o aspecto antigo e suspeito dos ecos, ruídos, rumores e gritos.
Ao longe, desaparecendo na imensidão do céu azul, no pó de prata das nuvens, erguia-se uma torre, o mais belo monumento da cidade, que dali contemplava o rio verde e turvo, sustendo um suspiro de grande admiração. A feérica cidade era desmedidamente grande e insondavelmente antiga. Para mais realçar a beleza da paisagem, as casas afloravam cada uma mais exuberante que outra. Um barco, como um pequeno punhal, rasgava o rio silencioso, perdendo-se nos sonhos de voltar a navegar.
Fábia Alves, 8A
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VII
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Os tons púrpura e azul no céu formam uma aurora harmoniosa que se agita ligeiramente sobre a cidade, como cortinas de seda. Uma nuvem branca estende-se ao longo do firmamento, criando um véu de paz e serenidade.
Um rio rasga a cidade ao meio; sobre este encontram-se barcos erguendo os seus imponentes mastros para o céu e reflectindo os raios de sol num intenso manto de ouro que afaga a água do rio. Esta, de tons esverdeados, como de um relvado se tratasse, serve de espelho aos barcos e ao céu.
Do lado esquerdo, ergue-se um alto casario amarelo que contempla o seu reflexo difuso na água, uma mancha dourada como as folhas no Outono. Ao fundo surge ainda uma imponente torre que rasga o céu com autoridade, como se quisesse assistir aos barcos que chegam ao rio.
Do lado direito, encontra-se uma poderosa construção de mármore, como a entrada de um palácio com altos portões virados para o rio. A sua continuação desaparece na linha amarelada que traça o horizonte.
Como pintada numa tela, a cidade revela ainda vultos e reflexos indistintos de luz e clareza que transpiram amor e paixão.
Pedro Conde, 8D
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VIII
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Era como uma tela marinha. Os barcos dormindo calma e levemente alcatifavam majestaticamente o rio de cor jade, que, como uma rapariga descalça, corria no seu leito até alcançar o mar. Nas suas margens, nas esplanadas insondavelmente escondidas por trás dos imponentes edifícios que mostravam uma variedade infinita de cores, estavam as pessoas que ao falarem e rirem cortavam, como um pequeno punhal, as águas do rio. À esquerda, erguia-se a grande e antiquíssima torre que cobria o chão grandiosamente.
Desenhada no horizonte está uma viagem com rumo ao país além das vagas. As nuvens com os seus tons de rosicler e branco desvaneciam-se no feérico, magnetizado e esfíngico céu azul da cor do mar.
Maria Pereira, 8A
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IX
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Porto, cidade perpétua, é a mais lânguida e majestosa terra em todo o mapa da pequenez que nos coube.Por ele corre imponente o Doiro, levando em seu leito duro reflexos do casario nobre e incomensurável que se estende para lá da margem, num chão árido e hostil.A luz do crepúsculo penetra nas janelas de cada prédio, cada casa, cada torre…O pó de ouro reluz sob as ruas e os enredos da cidade desconhecida.Erguem-se ao céu os Clérigos, que em todo o seu esplendor, embelezam a paisagem angustiada, que adormece na solidão de uma noite rouca.
Mariana Gradim 8ºD

Eça de Queiroz e "Os Maias" - Oficina de escrita

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A propósito do estudo do tema da Educação em Os Maias, foi pedido aos alunos que se imaginassem na Câmara dos Pares do Reino e respondessem à intervenção do Conde Gouvarinho:
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"Creia o digno par que nunca este país retomárá o seu lugar à testa da civilização se, nos liceus, nos colégios, nos estabelecimentos de instrução, nós outros os legisladores formos, com mão ímpia, substituir a cruz pelo trapézio..."
Eça de Queiroz, Os Maias

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Eolo in olhares.com Mário Fortuna in olhares.com

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Eis o resultado:
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Caríssimos Pares do Reino,
O caloroso debate que vem sendo realizado nesta assembleia, a propósito da introdução da educação física no plano curricular dos alunos portugueses, reduz-se fundamentalmente a uma opção entre dois modelos antagónicos e duas visões contraditórias da educação na vida do indivíduo.
A opção certa, meus caros senhores, é adoptar urgentemente a educação física, contribuindo assim para a regeneração do ensino, sem a qual não haverá salvação possível para a sociedade, nem para o país.
Alguns dizem que só com o ensino dos dogmas ultrapassados da religião poderá o nosso povo chegar à “testa da civilização”. Nada mais enganador! “Mente sã em corpo são” – este foi o lema que impulsionou, de forma categórica, a civilização grega. E foi esta civilização que condicionou e inspirou todas as outras. Influenciou-nos a nós, hoje, volvidos mais de dois mil anos. A ela devemos os jogos olímpicos, evento máximo do desporto mundial. E não se limitaram apenas à parte desportiva; grandes pensadores emergiram e venceram, criando as bases da sociedade moderna. É por tudo isto que afirmo que uma formação geral contribuirá para a prosperidade da nação.
Em segundo lugar, o ensino da religião, como propôs Vossa Ex.ª, apenas concorrerá, e isto é inegável, para a limitação do desenvolvimento filosófico. Ao ensinar aos jovens uma matéria tão dogmática e não discutível, estaríamos a retirar a capacidade crítica e criativa, porventura as maiores das faculdades humanas.
Para concluir, senhores, gostaria apenas que recuássemos até à Idade Média. A religião era a trave mestra da vida em sociedade. O que se conseguiu? Guerras! No desporto não existem guerras, mas sim competição saudável e desejável. Tenhamos a coragem de tomar a decisão certa.
Muito obrigado!
Francisco Pereira, 11C

ContAR(TE) II - 10ºAno

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III
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Cinzento
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Eram já cinco da tarde e as nuvens plúmbeas tinham-se reunido em conselho e, berrando umas com as outras, rasgavam o ar com raios e violavam o som na terra. O palácio pugnava contra as intempéries do vento que assobiava por entre os galhos das árvores nuas, flagelando os seus troncos. Os telhados de colmo eram esfolados pela tormenta e pelo granizo que os queimava, e por todo o lado cheirava a medo.
“ É a morte”- pensou o Czar - “ Estranhamente cheira a morte”. Estava naquela sala há já duas horas, pálido, nervoso, deambulando sem rumo, bêbado de ansiedade, à espera do filho que estava para nascer.
Ouvia, ao longe, gritos lancinantes e quase que podia sentir a respiração das criadas que corriam de um lado para o outro, transportando consigo toalhas e água quente. A parteira havia chegado duas horas antes, vestindo chuva, carregando nas suas mãos esperança. Tinha-lhe comunicado que seria uma entrega difícil, que Natasha, apesar de bela e jovem, não tinha corpo de mãe, mas que tentaria fazer tudo ao seu alcance. E depois partira em direcção ao quarto senhorial.
Inesperadamente, silêncio. O Czar sentia os seus melífluos tentáculos a agarrarem a atmosfera à sua volta, a agarrarem o palácio de surpresa. Tossiu e os tentáculos recuaram. Só então se atreveu a sair da sala e ir ter com a sua esposa. A porta estava entreaberta e deixava escapar para o corredor sombrio, luzes bailarinas, diáfanas.
Entrou e inalou um odor acre, adocicado, a sangue. Na cama, com os lençóis ensopados em dor e seiva rubra, estava Natasha. Suada, segurava nos braços um pedaço de si que a faria imortal. E sorria. Sentiu-se a sorrir também e correu para junto dela, beijando-a levemente na fronte (com cuidado), afastando-lhe, com ternura, os cabelos escorregadios e húmidos.
“ É uma menina” - disse-lhe numa voz cansada, feliz. O Czar afastou então a manta que cobria a criança e aflorou-lhe aos lábios um sorriso. Era bela!
“ Chama-lhe Bella, Alexei. Chama-lhe Bella”- pediu-lhe Natasha, antes de adormecer, derrotada pela perda de algo seu, pelo ganho de algo também seu. Alexei tomou Bella nos braços sem nunca deixar de sentir aquela essência de morte, de infortúnio. Mas estava feliz, desafiava a tormenta a derrotá-lo! Mas ele não sabia (não podia saber) que, um mês depois, iria ser derrotado e a sua alma apunhalada e enterrada juntamente com o cadáver frio da sua esposa, enquanto o seu corpo permaneceria sentado no trono, a governar. Foi nesse mesmo dia que, tomado de um ciúme louco, impôs a lei da clausura à felicidade que proibia todas as formas de alegria, cor e música. A partir desse dia, Minsk seria uma cidade difusa, cinzenta e morta, tal como a sua Imperatriz.

Bella corria, fugia da sua aia Irina que lhe vinha infligir (como sempre) duas horas de serviço religioso. Estava cansada disso e por isso fugia. Ouvia os seus passos ecoarem solitários nas galerias pardacentas do palácio, apressados, perdidos, e acabou por entrar na biblioteca. Parou para respirar. Ali Irina não a encontraria. E respirou, apoiando as mãos nos joelhos. A pele alva polvilhada de sardas estava agora tingida de um rosa tímido e o cabelo, em desalinho, formava uma auréola ruiva em redor do seu rosto. Ali, Irina não entrava, pensou. A biblioteca era um local sinistro, envolto em faúlhas de mistério e lendas proibidas.
Estava já mergulhada num mundo quimérico, quando ouviu passos (vazios) e, sobressaltada, pousou o livro. Estava alguém ali, estava alguém na biblioteca e esse alguém estava a vir na sua direcção. Esperou em suspenso até que, virando a esquina, esse alguém se revelou. Vestia cinzento, como todos, e vinha de cabeça baixa.
“ É só um funcionário” pensou, respirando fundo. Foi então que o funcionário ergueu a cabeça e cravou os olhos nos dela, sorrindo.
Eram os olhos mais bonitos que Bella tinha visto! Castanhos, com pinceladas de ouro e brilho, olhos que sorriam, olhos que transbordavam luz e calor: vida. Nunca tinha visto uns olhos assim tão humanos, tão quentes (pareciam que queimavam), estava habituada a olhos empertigados, ausentes, nostálgicos, frios. E o sorriso era lindo, também, limpo, sincero como nunca tinha visto. Era contagiante e deu por si a sorrir tolamente.
“ Olá…” - disse-lhe ele - “ estás perdida?”
“ N…não” - conseguiu articular. Aclarou a voz - “ vim só consultar um livro”
“ Sabes ler?” - inquiriu espantado. Mas rapidamente o seu olhar se desviou para o monograma que estava gravado no vestido cinzento de Bella “ Oh! Sua alteza, não tinha percebido, desculpai!” e fazendo uma leve vénia levou a mão da princesa aos lábios.
“ Não faz mal. Nunca te tinha visto, quem és?”. O rapaz olhou para cima, endireitando-se, no entanto, a sua mão acariciou a dela antes de a largar, ao de leve. “ Guiseppe de Génova. Ao seu serviço, senhora”.
Não sabia bem porquê, mas Bella simpatizou imediatamente com o rapaz, talvez por causa do brilho do seu olhar, talvez pela sua voz doce.
E a partir desse dia, desse encontro fortuito, encontravam-se sempre os dois na biblioteca e Guiseppe levantava-lhe do coração o véu soturno que o oprimia e falava-lhe do mundo para lá das fronteiras de Minsk. Sem se darem conta, como o rio que segue o seu curso natural, foram entregando um ao outro a amizade e mais tarde o amor.

Foi num dia de trovoada que o Czar a chamou. A sala do trono estava afogada em desespero e angústia, com um rei de pedra erguendo-se no meio dela, contemplando a única réstia fugaz de cor do palácio, um quadro da sua tão amada esposa que agora, um pútrido cadáver gélido, o arrastava para o abismo dos loucos. Fazia dezassete anos desde a morte da Imperatriz e era por isso que tinha sido chamada, era por isso que falava com seu pai.
“ Pai” - perguntou-lhe - “Porque é que tudo tem de ser tão triste?”
O Czar virou-se, furioso, e a sua postura impávida tinha desaparecido - “ Isto é assim porque tem de ser, isto é assim porque eu quero e tu não és ninguém, não és nada, para questionares! Agora sai!”
E ela saiu, com as lágrimas pugnando contra as pestanas, desejosas de cair.
Motivados por isto, Bella e Guiseppe, uma semana de pois, saíram para as ruas de Minsk com um bandolim e dançando, rindo e cantando (de mãos dadas) com o espírito tolo de quem está apaixonado, dirigiram-se para o centro da cidade.
Das estreitas veias por onde passavam, assomavam caras pálidas à janela, rostos surpreendidos, assustados, felizes. Mas cedo esse gáudio foi ensombrado pelos soldados que, como bestas cegas, perseguiram os dois amantes até os encurralarem na praça pública. À princesa, com fria indiferença, agarraram-lhe o braço, mas a Guiseppe rasgaram-lhe a camisa quando o apanharam, socando sucessivamente, num fluxo louco, o rosto e o torso do rapaz, abrindo-lhe (a navalha) caminhos de dor no corpo, rios rúbeos de violência e no fim (já saciados) levaram-no para a forca. Passaram-lhe a corda pelo pescoço viscoso de sangue e, sem lhe darem tempo, abriram o alçapão sob o seu corpo.
Os segundos que se seguiram, aos olhos de Bella, demoraram séculos. O peso morto, que de repente se viu sem chão, a cair no nada; as vestes cinzentas, esquecidas a planarem à volta do corpo violado. Um esticão repentino, a corda tesa, dura, e o som horripilante da coluna a quebrar-se como quem quebra um copo, assim, facilmente. No fim, do rosto escorrido em sangue, o olhar vítreo, apagado, fixado, um olhar de medo e de espanto.
Correu para junto dele. Correu para junto dele fugindo dos soldados que a aprisionavam. Sem pensar, guiada por tudo aquilo que tinha escondido no seu coração, Bella passou uma corda áspera à volta do pescoço e saltou para o vazio.
O mesmo som. O mesmo arrepio. A mesma morte.
E assim acabaram dois rebentos livres, mortos na praça pública, ele de vermelho pintado e ela de cinzento vestida com uma única rosa rubra adormecida nos cabelos. Um foco de cor e de dor para o mundo ver. Dois seres tenros, prematuramente ceifados, tão próximos um do outro (quase que se tocam, quando o vento os leva numa dança nupcial), mas ao mesmo tempo tão longe. Morreram por aquilo em que acreditavam.
Ana Cristina Graça, 10E
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IV
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Máxima Urgência
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Sentado na cadeira de rodas observava as sombras que via. Para ele o Mundo tinha-se tornado nisso: um conjunto de sombras e sons.
Rui tinha dezasseis anos, nasceu em Évora e lá viveu, até lhe ter sido diagnosticada uma doença degenerativa que lhe afectava o sistema nervoso. Todos os dias, pensava no dia em que veio a Lisboa pela primeira vez. Foi, talvez, o dia mais importante da sua vida ou, pelo menos, o mais decisivo. Nessa altura, tinha doze anos e tinha vindo a Lisboa para fazer uns exames que o Dr. Saraiva tinha pedido. Lembrava-se que tinha ficado confuso. Ouvia as senhoras de Évora a queixarem-se que demorava muito tempo a receber os resultados dos exames, mas Rui tinha recebido os resultados dos seus, poucas horas depois. Mal receberam os resultados, os pais quiseram regressar imediatamente a Évora, apesar da vontade do filho em querer ficar mais tempo para visitar a capital. Nesse mesmo dia, o Dr. Saraiva anunciou à família que Rui teria de voltar rapidamente a Lisboa para começar com tratamentos. Sofria de uma doença incurável, cujos sintomas poderiam ser minimizados com medicação. Agora percebia a pressa com que foram feitos os tratamentos, pois, a partir desse dia, tudo o que fazia, todos os exames e tratamentos tinham uma etiquetazinha vermelha que dizia “Máxima Urgência”.
Dias depois voltou para Lisboa, foi viver para casa de uma tia, D. Ana, dona de um hotel, numa movimentada rua da cidade. Apesar de todos os tratamentos, poucos meses depois, começou a deixar de sentir algumas partes do corpo. Foi brutalmente atirado para uma cadeira de rodas e, mais tarde, perdeu parte da visão, passando a ver sombras. Dois anos depois do diagnóstico, parou com os tratamentos.
A partir daí nunca mais voltou a sair do hotel da tia. Ao longo dos anos, as visitas de amigos e familiares foram-se tornando cada vez mais espaçadas até que deixaram de existir. Até os pais raramente o vinham visitar. Da varanda do seu quarto sabia o que se passava no Mundo e relembrava como era a sensação de se sentir vivo.
Acordava cedo e, com a ajuda da tia, sentava-se na cadeira de rodas e ia até à varanda. Ficava lá sentado até altas horas da madrugada. Ao longo do dia, ouvia o formigueiro de pessoas que passava na rua, fechava os olhos, inclinava a cara para receber o calor do Sol e ouvia… Ouvia a campainha da loja de fotografia, cada vez que entrava um cliente; ouvia os risos dos grupos de jovens sentados na esplanada do café; ouvia o barulho das árvores e dos pássaros; ouvia as pessoas a correrem de um lado para o outro, apressadas nas suas vidas citadinas. E aqueles momentos de calma em que ouvia faziam-no sentir um pouco mais próximo da vida que tinha em Évora, uma vida calma e em paz…
Rui odiava Lisboa. Odiava aquela pressa, a obsessão pelo tempo (ou pela falta dele); odiava etiquetazinhas vermelhas coladas nos cantos superiores direitos de processos e de documentos; odiava o modo como as pessoas tratavam os assuntos...todos com “Máxima Urgência”!
Para Rui a “Máxima Urgência” só destruía a vida das pessoas mais rápido. Se não fosse a “Máxima Urgência”, os exames demorariam mais tempo a chegar. Se não fosse a “Máxima Urgência”, ele teria vivido mais tempo em Évora. Se não fosse a “Máxima Urgência”, teria passado mais tempo com os seus pais. Se não fosse a “Máxima Urgência” teria conhecido Lisboa e o Mundo. A pressa do Mundo roubou-lhe tempo, roubou-lhe vida.
A ânsia com que as pessoas viviam a vida, a rapidez com que as pessoas passavam umas pelas outras na rua, sem prestarem atenção aos que as rodeiam, revoltavam -no.
Aquelas pessoas tinham tudo. Podiam ver, podiam movimentar-se, a maior parte delas tinha família e amigos que ainda se preocupavam com elas, mas viviam a vida a correr sem repararem no mundo em seu redor. Ele que, ainda jovem, tinha perdido parte da visão e não se conseguia mover, mesmo com essas dificuldades, ouvia e aproveitava o mundo, o máximo possível.
Aproveitava o mundo como podia: de manhã aproveitava o cheiro de pão quente, à hora de ponta aproveitava os risos apressados das crianças a correrem para a escola, no Inverno aproveitava o vento frio que lhe arrefecia o corpo… Aproveitava cada pedacinho de mundo como podia, porque o seu mundo tinha-lhe sido roubado, e tudo por culpa das etiquetazinhas vermelhas de “Máxima Urgência”.
Detestava quando a tia o obrigava a vir mais cedo para dentro, no Inverno, porque achava que o frio lhe fazia mal, pois, para Rui, a melhor coisa que ele podia aproveitar era a madrugada. A madrugada trazia-lhe recordações inesquecíveis de Évora, de quando se levantava cedo (ou seria deitar tarde?) para ir jogar futebol com os colegas da escola. Nessa altura, não havia pressa, nem “Máxima Urgência”, as coisas demoravam o tempo que fosse preciso e ninguém se preocupava com isso. Demorasse o tempo que demorasse. Não havia obsessões com o tempo, ou com etiquetas inúteis, a vida demorava o tempo que a própria vida decidisse, e não o tempo que o Homem decidia que a vida tinha de demorar.
Um dia, o rapaz que sonhava com Évora e odiava o tempo e Lisboa deixou de aparecer na varanda. Ao fim de quatro anos de exames e tratamentos, todos com “Máxima Urgência”, a doença levou a melhor, e Rui morreu.
Mas a agitada rua de Lisboa nem notou o seu desaparecimento. Todos estavam demasiado ocupados nas suas vidas citadinas para reparar que, todos os dias, durante quatro anos, um rapaz ficava a sentir a rua da sua varanda, e muito mais ocupados estavam para reparar que esse rapaz nunca mais aparecera à janela.
Apesar de ninguém reparar no rapaz ou na rua, a rua continuava ali com as suas qualidades, à espera que alguém a descobrisse, como Rui a descobriu, porque, apesar de estar quase submersa pela cidade e pelo seu estilo de vida agitado e turbulento, a rua pode ser um sítio calmo e pacífico.

Rita calisto, 10A
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V
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O velho silêncio
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Aquela rua era provavelmente a mais movimentada, mas o que a enchia não eram os velhos cambaleantes, nem as velhas caprichosas, era antes aquele eco de silêncio que se difundia e passava incólume pelas casas. Apareceu de repente à minha frente Joaquim Albernaz da padaria, dois ou três dias depois da tragédia, contando tudo o que se tinha passado na minha ausência.
– Foi o Faustino que fez luz! Que aquele velho nunca foi muito de grandes conversas aqui com a gente da padaria, isso já eu sabia. Agora que o velho era mágico… Ele até podia ter dito, que aposto que muita gente pagava para assistir àquelas maluquices. Este velho vai morrer sozinho, que não há maneira de conversar com ele, menina. Então, depois da morte da mulher é que piorou. Nem o dom que Deus lhe deu soube partilhar com a gente.
Era uma das poucas raparigas daquela rua e sempre achei os velhos seres enigmáticos por fazerem segredo das coisas mais insignificantes, talvez pelo receio de que os liberte daquela solidão a que, a pouco e pouco, se vão habituando. O senhor Albernaz foi trabalhar e eu continuei então pela rua abaixo. Ao longe, lá estava o velho Faustino, ali, quieto, enquanto o silêncio se sentava à sua frente. Parecia que a dor o consumia e os segredos o sufocavam ao longo dos dias que ali permanecia, sem nunca conversar com ninguém.
No dia seguinte, já o sol tinha nascido, quando olhei através da janela. Lá estava o velho, outra vez, imóvel e tranquilo. Desci as escadas e arrisquei tentar falar com ele, na esperança de que, sem querer, algum segredo fosse revelado naquele momento. Da sua boca saíam palavras doces, mas o tom de voz denunciava a amargura que sentia e que o remetia para a sua solidão. Perguntei-lhe então se sabia alguma coisa sobre uma luz que tinha aparecido há alguns dias atrás.
Faustino apenas afirmou:
– Desde que a Laurentina morreu que já não trovoava nesta cidade… E ela sempre dizia que a trovoada é ira dos mortos.
Com medo que mais alguma palavra lhe escoasse pela boca, o velho fechou-se, de novo, no seu silêncio. De súbito, o arco--íris revelou-se no horizonte e uma lágrima brotou da sua face enrugada. Neste momento, os seus olhos falavam. Faustino parecia perder-se no amor que ainda sentia pela vida e, vendo a amargura a arder, afastou-se e caminhou, caminhou numa ida sem fim.

Maria Santos, 10A
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VI...
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Parada
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- Senhoras e senhores, convosco, o incrível, o inigualável, o soberano Bernard.
Cigarro na boca, sentada ao espelho. Cigarro não já na boca, no cinzeiro. A mão na gaveta, à procura do seu bigode. Uns segundos, uns minutos.
- Senhoras e senhores, o fantástico domador de bestas.
Uma ponta de pincel, um risco na pestana direita, um retoque nas bochechas.
- Madame Sullimann, minha bela, estará surda? Chamei Bernard, o magnífico… Mas vejo que está pronta, ou deveria dizer pronto?
Deu um sorriso escondido no chapéu que tinha na cabeça. Levantou-se, cigarro na boca, cigarro não já na boca, outro mais no cinzeiro. Ouviu.
- Senhoras e senhores, Bernard, o soberbo.
Abriu a cortina e atirou a mão para a sua pose. Olhou em volta, os focos impediam-na de ver a plateia, mas conseguia sentir-lhe o cheiro a êxtase, os sons de espanto ao abrir da jaula. Um som de temor, um atenuar da lucidez ao abrir da jaula. As cortinas tornaram-se negras, os palhaços borraram os sorrisos. A Fera, quieta, num jogo de paciência, com um riso abafado. A Fera numa luxúria e esplendor que levam um homem à loucura.
Um movimento após outro, uma resposta atrás de outra. Os olhares, silenciosos, provocadores. O crepúsculo já no horizonte e a plateia num alvoroço. Os olhos dele a desvanecerem, os da Fera, incansáveis.
(Um brinquedo no palco, uma marioneta quase destruída, então!)
Uns segundos, uns minutos e o chicote no chão, a fronteira a ruir. Um sopro gélido que só se sente no último susto, no último momento. A Fera, permanecia altiva, confiante, desejante de o ver rebaixar-se; e os olhos dele não podiam mais desviar-se daquele poço de loucura. Assim, caiu como quem flutua na água, à espera de um salvamento apertado, arriscado, submetendo-se a todo o seu poder. E os palhaços invadiram o palco, e, com eles, as bailarinas, trapezistas, contorcionistas, numa algaraviada. O público gritava e dançava com a parada. Deleitava-se com o espectáculo e contorcia-se de prazer. E Bernard deitado, e a Fera, de olhos encantadores, oferecia a face aos seus lábios.

Ana Luísa Gomes, 10E
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VI

VII
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Uma retrospectiva do sentido da vida
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-"Sabes que as luzes acabarão por te levar a casa!"
-"Que dizes, irmão?"
-"Nada."
-"Nunca dizes nada."
-"Não tenho tempo para o fazer."
-"Eu arranjo-te."
-"Não pode ser, estou ocupado."
-"A fazer o quê, irmão?"
-"Observando as pessoas. Procurando um sentido para a vida."
-"Oh meu velho amigo, não te preocupes com isso... Eu ofereço-te um pouco do meu, queres?"
-"Do teu quê? Do teu sentido de vida? Não quero, aposto que é cá um cliché..."
-"Que dizes?"
-"Nada."
-"Ai não, desta vez disseste alguma coisa!"
Caminham clandestinos do tempo, passeiam-se aqueles que procuram algo para fazer e não percebem que a beleza daquele lugar é suspender os problemas do quotidiano. Onde tudo resplandece no infinito.
-"Olha-me aqueles dois?!"
-"Que tem, irmão?"
-"Esses não andam à procura do sentido da vida de certeza..."
-"Se calhar já o encontraram."
-"Porque é que eu não encontro o meu? Já estive mais perto, sabes... Estive tão perto, que pensei até tê-lo encontrado."
-"O que aconteceu irmão?"
-"Fugiu."
-"Para onde?"
-"Não sei!"
-"Por que fugiu?"
-"Deixei-o escapar."
-"Porquê, irmão? Era algum pássaro?"
-"Não, meu pateta. Era platónico."
-"E por isso fugiu?"
-"Não, fugiu, porque eu não me entreguei por completo. Porque o ignorei e assumi como garantido."
Outros vão passando. Garantindo a sua presença num jardim que acolhe quem precisa de um pouco de paz e harmonia. De luz na sua vida. De esperança.
-"E aqueles, irmão?"
-"Quais?"
-"Os que se abraçam e caminham de mãos dadas."
-"O que é que tem?"
-"O que é que achas, irmão?"
-"Não sei, diz-me tu."
-"Eu cá acho que descobriram a alegria do mundo. "O sabor das amoras."
-"E o que é isso?"
-"O que é isso, irmão?"
-"Sim, o que significa?"
-"Para mim?"
-"Pode ser..."
-"Para mim, irmão, transmite-me o sentido da vida."
Depois desse dia, escreveste-me uma carta, irmão. Tinhas encontrado o sentido da vida. Tinhas finalmente encontrado a alegria do mundo, "o sabor das amoras" que há tanto aguardavas por saborear. Não a li. Ainda.
Faz hoje um ano que me fugiste, irmão. Um ano que deixámos de ensinar a nossa perspectiva de vida um ao outro. Que deixámos de nos abraçar, de caminhar de mãos dadas, em espírito que fosse. Ainda o faço, sabes?"
"Meu amigo, descobri a alegria do mundo. E esteve sempre tão perto.
Obrigada por seres o sentido da minha vida."
Obrigada, irmão, por me teres demonstrado o bem que as pessoas fazem. A paz que elas transmitem. A ajuda que prestam. Obrigada.
As luzes acabaram por me guiar a casa, irmão.
Ana Catarina Monteiro, 10E