domingo, 4 de outubro de 2009

Anne Frank - as únicas imagens em vídeo


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A notícia é de hoje, no i on-line:

As únicas imagens em vídeo de Anne Frank foram colocadas no Youtube pelo museu holandês com o seu nome para chamar a atenção das novas gerações para a sua história e diário.Ao 9º segundo do vídeo é possível ver Anne Frank, que se inclina no parapeito de uma janela para ver uma noiva que passava na sua rua.O filme data de 22 de Julho de 1941, um ano antes da família de Anne Frank ser obrigada a esconder-se dos Nazis. A família foi descoberta em Maio de 1944 e Anne morreu num campo de concentração Nazi em Março de 1945.
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Livro(s) do mês - Outubro

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À espera da Feira do Livro, no Colégio, em Novembro...
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Ler - Outubro

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O prazer de ler...

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Imagem retirada de: www.olhares.com
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Seguem-se os textos que os alunos de 11ºAno produziram na primeira semana de aulas, a partir do excerto do romance de Sepúlveda, O vellho que lia romances de amor. O objectivo era tentarem evidenciar a surpresa, a emoção, a cumplicidade que a leitura de um livro nos desperta... São vários os testemunhos...
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Uma a uma, quando incrédula terminei a leitura das páginas desta obra, as luzes do livro extinguiram-se na distância e compreendi que já tinha começado a recordar, a esculpir uma recordação na minha memória, sabendo-me afortunada por ter saboreado os seus segredos. Observava aquela Barcelona abandonada, confusa, turbulenta, criminosa, como que obcecada por um amor que não era meu, não correspondido, em que a minha existência era feita de ausências, sem outro nome ou presença que não as de um estranho. Era apenas demasiado tarde para parar, desistir, sabia-o! Barcelona estendia-se nos sonhos de um escritor, num cemitério dos livros esquecidos, através de um labirinto de segredos e fascínios, de cumplicidades e traições. “Cidade dos malditos” foi como lhe ouvi chamar, onde as páginas são mais que memórias, mas simples suspiros, últimos, que se apagam. Foi também num último suspiro que percebi que tudo não passou de um jogo do anjo, de Zafón, tão perfeito, inigualável, “um céu azul cor da sorte e uma brisa limpa com cheiro a mar”.
Tatiana, 11º A
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Sinto-me inquieta. Ao pisar páginas tão delicadas, com palavras tão frágeis, sinto-me realmente inquieta. Como se transportada para um mundo paralelo, ou talvez com a alma mesmo a resvalar para esse mundo. Distante, ao sol, longe da penumbra, desinstalo-me intrinsecamente. Umas palavras ficam, outras desaparecem. As que ficam deixam marcas profundas, porque relembram, ou comparam, ou relativizam... Porque permanecem. E mudam-nos. A minha inquietude justifica-se aqui, com esta inconstância de sentidos que irrompem, ou simplesmente acontecem, que me aprisionam e me tomam como deles. Domam em definito o meu coração, tornando mágica a leitura das suas páginas. Processo divino, onde a luz permanece...
Sara Cardoso, 11ºD

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O papa começou a relatar uma história do seu tempo na guerra. A tentativa de atentado ao comboio falhara e eles tinham sido descobertos. Ao meu lado não havia agora senão uma floresta imersa no mais intenso véu de negrume e uma cabana onde estavam a ser atacados os “assassini”. Não conseguia descolar os olhos das páginas. As palavras corriam, sôfregas, atropelando-se na entrada para a minha mente. Em toda aquela explosão de acontecimentos quase que me perdia, mas a percepção de uma morte trouxe-me de volta. Só agora me tinha apercebido da chuva de “fogo” na qual me encontrava. Sob ataque, iniciei a fuga. Eu era, neste momento, o pequeno di Mona e fugia, meio atrapalhado no meio do escuro, com o meu chefe. Estava a ficar sem fôlego, e parecia que me tinha caído uma bigorna no coração – para trás ficavam os meus amigos, já sem vida. Corria e corria e, então, de repente… Olho à minha volta e vejo a mesa do quintal da minha avó, o limoeiro, a roseira. O meu irmão chamava-me, mesmo junto a mim. Tinha voltado à realidade.
José Nuno Silva, 11ºA

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É fácil ter livros, toda a gente os tem, também é fácil ler livros, toda a gente os lê, o que é difícil é viver o livro. É penetrar nas suas páginas, é fazer de cada palavra, de cada acento, de cada adjectivo o ambiente que nos rodeia. É desconstruir o que conhecemos, nem que seja por uns momentos, para aprender um novo século, para viver o que até aqui apenas tínhamos imaginado. É levar-nos a perder a identidade, é não sabermos ao certo quem é o protagonista e o leitor, é envolvermo-nos de tal forma que os carros passam a carruagens, as estradas ganham terra e poeira, as calças de ganga dão lugar aos vestidos compridos que combinam com os sapatos de salto alto, vermelhos ou pretos, bem brilhantes, que fazem um barulho elegante ao subir a escadaria do teatro, anunciando claramente a chegada de uma Raquel Cohen. É lermos os elogios e recebê-los como nossos, é apoderarmo-nos dos maridos, dos amantes, dos amigos, das profissões, das qualidades e dos defeitos. E tudo nos parece tão familiar, tão assustadoramente normal, que aumenta a ilusão. E mesmo quando a travessia parece difícil, é raro escapar sem uma comparação, sem um único desejo, a mínima inveja, (ou o que lhe quiserem chamar), de um dia ser também uma Maria Monforte, um Carlos da Maia ou um Ega. Um livro tem este efeito sobre nós, só é preciso encontrá-lo.
Teresa Stingl, 11ºA
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Mil e uma imagens me surgiam e mais não fazia do que ler uma e outra e ainda outra página daquele fascinante livro. Miguel Sousa Tavares, num conjunto perfeito de palavras, descreve ao pormenor cada paisagem, cada povo, cada cultura em todas as suas avassaladoras viagens. Tudo para mim era novo: os costumes e tradições, a população proveniente de cada lugar, a própria forma de viver. O entusiasmo de uma recente descoberta parecia resvalar em cada sorriso em mim despertado. Por momentos, confundia-me totalmente com um daqueles habitantes de raça negra, sempre com uma alegria tremenda, uma simplicidade estonteante de quem pesca e caça o seu próprio alimento, se entretém a observar a beleza singular de uma borboleta, ou que esquece o mundo e cerra os olhos à luminosidade, numa artesanal cama de rede. De todas as viagens, havia sempre as que mais me emocionavam, que me davam vontade de permanecer um pouco naquela tão díspar realidade, por vezes até em condições inóspitas, mas onde resplandecia um contentamento único e incomensurável de puramente estar vivo, quer sob um calor infernal característico de zonas desérticas, quer sob a chuva incessante e grossa que nos assombra nas zonas equatoriais.
Joana Nunes, 11A

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No Perfume de Patrick Süskind senti, inexplicavelmente, os cheiros que se libertam dos livros. Senti-me transportada de forma intensa para Paris medieval, onde os cheiros nauseabundos ganharam o poder de se entranhar fortemente nas minhas narinas. Diante de cada palavra, uma nova sensação: flores, peixe, fumo, esgotos, essências, frutos, brisas… De todas elas exalava um perfume único. Mesmo os sentimentos da personagem, que, apesar de incompreendida por todos, era compreendida por mim, como se partilhássemos um segredo, tornaram-se meus. Juntos, atingimos o clímax, com todos os sensores olfactivos em alerta máximo. Mas, também juntos, acabámos por alcançar a exaustão. O fim trágico do meu companheiro, levei-o comigo, com todo o seu poder… até à realidade.
Matilde Horta, 11ºE

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Conheci o medo e o amor nas suas formas originais e encontrei-me presa nos parágrafos que dão vida a esta história. À medida que relia e sondava os olhares profundos e indiscretos, era capaz de sentir o peso das decisões tomadas em defesa da vida, que repetidas vezes oscilava no auge do perigo. Deparei-me com a paixão escondida em almas que não se permitiam amar nem conhecer um sentido único. Ansiei que se juntassem e me escrevessem uma nova história que me voltasse a aprisionar nas páginas do seu amor. Voei e morri com personagens enigmáticas que imaginei reais e que me deixaram saudade quando virei a última página.
Ana Luísa e Ana Rita, 11º D/E
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(Trabalhos enviados por Auxília Ramos)
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sábado, 3 de outubro de 2009

Fernando Pessoa (ante)visto pelos alunos

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Conheço-o em bronze, de perna cruzada em pleno Chiado. Aí, as suas vestes negras, já oxidadas pelos pensamentos que o envolvem, destacam-no do comum mortal. De chapéu Borsalino, óculos redondos e bigode curto, exalta toda uma aura de emblemático lírico camoniano, maltratado pela própria vida que expõe.
Figurando como um true gentleman do virar de século, o autor induz a uma introspecção meticulosa (“Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”). Nesse seu jeito de Charlie Chaplin lúgubre, sei-o também pelos olhos de Almada Negreiros, na pele de porta-estandarte da Geração d’Orpheu, frontispício do Modernismo Português.
Interciso em várias personalidades, cada uma tão complexamente romântica e alienada como as restantes, reconheço o poeta, o génio introvertido, o anglómano autor de ridículas cartas de amor e, acima de tudo, o sombrio mestre da transfiguração.
Mas afinal, quem é Fernando Pessoa?
Personne. Um fingidor, não obstante.
Gonçalo Tiago, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)
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Sobre o fabuloso mundo de Fernando, tudo ou nada se pode dizer. Como foi possível existir tão prodigiosa imaginação e tão soberba criatividade num ressequido empregado de escritório?
A imagem dum sujeitinho atarracado e nervoso para que o ponteiro atinja a hora de saída do trabalho é a primeira coisa de que me lembro, quando penso em Fernando Pessoa. Talvez fossem essas as horas em que se tornava num tantológico Alberto Caeiro, antes de abrir a correspondência e de se transfigurar num ácido e geometricamente educado Ricardo Reis que, enquanto fumava um velho cachimbo, contava os envelopes.
Todos nós temos um feitio especial para as horas más; no entanto, Pessoa inclina o seu humor difícil para um engenheiro torrencial que respira Ópio e que ferve vaporosas complexidades por cada orifício.
A meu ver, todo o seu fabuloso mundo é ridículo – ou até insólito – e talvez seja isso que faz dele um objecto tão interessante e digno de destaque numa literatura tão preenchida.
Nuno Pereira, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)
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Ao reflectir um pouco sobre a "figura desfigurada" de Fernando Pessoa, percebemos um começo inacabado, um olhar desvanecido por entre uma atitude observadora, crítica e, acima de tudo, genial.
Talvez pela capacidade de criar mundos dentro do seu próprio mundo me fascine. Uma personalidade desmembrada em Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis que só assim se torna una. É sem dúvida admirável. Desdobra-se nas capacidades, nos sentimentos, no carisma, na atitude, na razão que, de maneira nenhuma, consegue conciliar. De certo modo, existem pessoas dentro de Pessoa que renascem e se alimentam a cada poema…
Pessoa vê-se com Mil Caras, Mil facetas “não s[endo] do tamanho da [sua] altura (…)” mas sim “(…) do tamanho daquilo que v[ia]”.
Raquel Oliveira, 12ºC
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Fernando Pessoa é, no fundo, a criança que nos dias de hoje, passaria horas a receber conselhos e a ouvir alguém à procura da sua verdadeira essência, quando, na verdade, ninguém o perceberia verdadeiramente. Nem ele próprio.
Na sua curta vida, ninguém achou nele o génio criativo que viria a surpreender-nos após a sua partida. E ainda agora não o compreendem.
Esta incompreensão, esta profundidade e esta loucura com que finge, imagina, inventa o seu verdadeiro “eu” é o que fascina e que nunca lhe saciou a sua fome da diferença.
Num mundo dito hoje tão “aberto”, mas onde as diferenças (já nem falando nas desigualdades) estão tão esbatidas e são tão mal encaradas, debrucemo-nos sobre uma escrita que nos alucine e num “demónio” que nos rompa do comum.
Se um poeta é, como o próprio diz, “um fingidor”, Pessoa é, então, o melhor poeta de todos os tempos.
Maria Gaspar, 12DE
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Enigmática personagem, Pessoa tornou-se para mim um mistério, construído através da pressão escolar e televisiva. É aliás sempre retratado como um escritor caracterizado pelo poder que tinha em desfragmentar o seu ser em vários heterónimos, associados a peculiares e arrojados modos de se apresentarem, tão metodicamente preparados por Pessoa - genial disfunção para encarnar várias personagens...
Por fim, diria que este escritor, Fernando Pessoa, dedicou a sua vida à cultura, à reflexão exploração do seu próprio ser, apurando os sentidos humanos e direccionando-os para a sua verdadeira paixão, “ A minha pátria é a língua portuguesa”.
Luís Ramos, 12ºC
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Fernando Pessoa, escritor de renome, pertence ao círculo de figurinos da literatura Portuguesa. Assim, o conhecimento que detenho dele provém das expectativas que os professores me incutiram.
Para mim, Pessoa é a personificação do conceito de Poeta enquanto observador quer do mundo exterior, quer do interior, infinitamente complexo. Fazendo jus ao apelido, desdobra-se em três personalidades, primando pela infatigável reflexão sobre a dor de pensar e a natureza do ser. Marcado pela solidão e pelo vício, compreendo o ter criado mundos exclusivos, convertendo-se num auto-proclamado fingidor.
Alguns estranham a sua figura, escarnecem do reconhecimento póstumo. Contudo, num Portugal desprestigiado, torna-se imperativo evocar os «eus» Pessoanos e, quais peças num puzzle, deslindar o talento que excedeu os limites do imaginável.
Filipa Alves Santos, 12ºB
(Enviado por Isabel Moreira)

Musicografias VI

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Desta vez não saímos de Portugal, mas recuamos no tempo, para a transição entre o século XVI e o século VII. Sugiro uma música de Duarte Lobo composta sobre o texto litúrgico do Requiem, especificamente a parte do Introitus, aqui interpretada pelo grupo inglês "Tallis Schollars", grupo que já tive o prazer de ouvir em concerto duas vezes.
A informação biográfica sobre Duarte Lobo, que assinava "Eduardus Lupus", é escassa. Acredita-se que terá nascido em Alcáçovas, Diocese de Évora, onde anos mais tarde foi Mestre Capela da sua Catedral. Sabe-se que foi também mestre capela em Lisboa. A sua música enquadra-se naquela a que os musicólogos chamam a "Época Dourada" da polifonia portuguesa. Escreve essencialmente em estilo contrapontístico renascentista, um estilo melodioso e profundamente respeitador da importância do texto latino, segundo o "modelo" de G.P. da Palestrina, autor de referência da época.
Já a música fala por si. Para ouvir de olhos fechados.

Joaquim Silva
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

26 de Setembro - Dia Europeu das Línguas

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“Falar com outras pessoas na sua própria língua ajuda a ultrapassar barreiras linguísticas e culturais”, afirmou a coordenadora do Conselho da Europa para o Diálogo Intercultural, Gabriella Battaini-Dragoni, por ocasião da 9.ª edição do Dia Europeu das Línguas. “Aprender línguas estimula a nossa sensibilidade para culturas diferentes, podendo contribuir para nos distanciarmos e olharmos a nossa própria cultura de uma outra perspectiva.”
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Battaini-Dragoni lembrou que o Livro Branco do Conselho da Europa para o Diálogo Intercultural ‘Viver juntos – iguais em dignidade’ sublinha a importância da aprendizagem de línguas como um meio de desenvolver a curiosidade e a abertura ao Outro, evitando os estereótipos e descobrindo como pode ser enriquecedora a interacção com os outros. A compreensão intercultural é a base para um diálogo profícuo.
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O Dia Europeu das Línguas foi instituído pelo Conselho da Europa em 2001, Ano Europeu das Línguas, para celebrar a diversidade linguística e cultural.
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O Colégio Luso-Francês, através do Departamento de Línguas, associa-se a esta efeméride, assinalando-a com várias actividades, nos diferentes ciclos de ensino. Todos estão convidados a participar nos eventos de celebração deste ano, a mobilizar as suas competências linguísticas e a ouvir /falar / ler com prazer as diferentes línguas utilizadas em seu redor. Durante toda a semana, poderão encontrar outras línguas e culturas mesmo ao virar da esquina…
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Informações e iniciativas acerca do Dia Europeu das Línguas disponíveis em:
www.coe.int/EDL

"Diáspora", de José Rui Teixeira


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Na última sexta (25 de Novembro), o poeta, amigo e colega José Rui Teixeira apresentou Diáspora, testemunho de uma década de poesia. Não pude estar presente num momento que considero decisivo para a sua poética, uma vez que marca um separador temporal importante, fixando, no fundo, a legitimidade da sua periodização e a sua afirmação enquanto "poesia pós-moderna" (não que as classificações hermenêuticas tenham muita importância...). Sei que o Zé Rui contou com a presença dos amigos mais cúmplices e de todos os que caminham com ele, sei que foi um instante único de cumplicidade e de partilha. E, embora não estivesse lá, sei que a noite tocou o inefável no seu manto intimista de carinho e de amizade profundos.
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Deixo as palavras da Drª Auxília Ramos, que teve o privilégio de estar presente:
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Sexta-feira, à noite, a capela de Fradelos, no Porto, voltou a ser “abrigo” para um grande número de amigos que se reuniram em volta do trabalho poético de José Rui Teixeira. A apresentação da sua mais recente publicação “Diáspora” esteve a cargo de Fernando de Castro Branco que, engenhosamente, urdiu um discurso em torno da vida e morte, de lugares, de caminhos, de imagens e metáforas, da sobreposição de memórias, de incursões bíblicas, de terra, água, ar e fogo, de jardins com magnólias, da figura materna, de tessituras verbais que resistem à tentação da ausência de luz, do vazio semântico...
Para mim, bastava-me “um coração cheio de milagres”…
“Diáspora” reúne, de forma depurada, o trabalho poético de uma década, mas inova com “Ataúde”, um inédito trabalhado entre 2008-2009 – “ Fala-me secretamente das magnólias, do modo/como caem as pétalas sobre a terra nos últimos dias”…
Uma década, assinalou José Rui, acrescentando que a História se faz por décadas. Uma década desde a primeira publicação do seu trabalho poético. Não sei se a noite de sexta, na capela de Fradelos, foi um acontecimento histórico, mas foi, certamente, um momento especial para muitos. Ao ouvir a palavra “década” na boca do Zé Rui, recuei vertiginosamente no tempo e revisitei vários momentos passados: a biblioteca do CLF no dia em que homenageamos o poeta/colega pela publicação de “Vestígios” (a primeira), a primeira apresentação pública em Fradelos, “um lugar que habitamos juntos”, talvez não tão povoado como sexta-feira, mas, seguramente, tão ou mais cúmplice de um amigo, de um poeta, de um peregrino que assume que “partimos sempre mais do que chegamos.", a inclusão em manuais escolares de alguns dos seus poemas, a “encomenda” de um inédito para ilustrar, poeticamente, os pensamentos de Maria Bárbara, a princesa de “Memorial do Convento”…
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“Nasceste numa manhã como se fosse um lugar branco
e as mãos entranharam-se em ti para te dar à luz.
mas não te deram asas no dia em que nasceste.
nem te deram luz. Deram-te uma ferida e um coração
de carne e tiveste que aprender a ver através das
superfícies. (…)”
(inédito, 16 de Dezembro de 2004)

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Foi um serão de memórias. De gratidão. Um serão em que, uma vez mais, a poesia do José Rui nos desinstalou, nos fez protagonistas de uma diáspora, nos convidou a partir em busca dessa “essencialidade”, apenas pressentida nas páginas dos seus livros: Vestígios, Quando o verão acabar, Para morrer, Melopeia, O fogo e outros utensílios da luz, Assim na terra, Oráculo e Zerbino.
"Começa o tempo onde se une a vida/ à nossa gratidão." - Herberto Hélder
Auxília Ramos

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O regresso de Sena

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Jorge de Sena regressou finalmente a Portugal, no dia 11 de Setembro.
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PintARTE - entre a palavra e a arte

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Ontem recebemos no Colégio o Professor e Pintor contemporâneo Carlos Carreiro, um dos fundadores do grupo Puzzle. É sem dúvida um dos mais notáveis e reconhecidos pintores da sua geração, destacando-se a sua obra por uma certa rebeldia inconformada e por uma criatividade prodigiosa. As suas pinturas estão povoadas de seres oníricos, num cenário de contornos surreais que ultrapassam os limites da imaginação e da genialidade.
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A propósito do estudo da poesia de Fernando Pessoa e do Modernismo, os alunos de 12ºAno assistiram a uma palestra entusiasmada sobre a arte e sobre os -ismos de vanguarda. Com o auditório repleto, o Professor Carlos Carreiro iniciou uma viagem que atravessaria vários séculos (e até milénios), desde as gravuras rupestres ao Renascimento, do Barroco ao Impressionismo e terminando no Modernismo e nas suas diferentes manifestações. A sua análise desvelou pormenores que passariam despercebidos a qualquer leigo e mostrou aos alunos a matriz do Modernismo, curiosamente latente em algumas correntes ainda anteriores ao início do século XX.
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Foi uma tarde de (re)descoberta da pintura e da sua irrefutável ligação à literatura e, em concreto, à poesia. Sem dúvida, uma experiência única de intermedialidade, de combinação entre imagem e palavra, entre pintura e poesia.
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Deixo dois links para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre a pintura de Carlos Carreiro:
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Musicografias

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Quando era pequenino, a minha família não tinha o hábito de fazer férias fora de casa. Tinha (quase) três meses de férias passadas maioritariamente na praia, com um ou outro fim de semana a ir conhecer o país. Lembro-me bem do fascínio que sentia ao regressar a casa, pela ponte D. Luís I (depois de descer a Avenida da República cheia de árvores frondosas) e sentir "finalmente estou em casa". Só muito mais tarde conheci bem este "velho casario", calcorreando a pé as "vielas e calçadas" nos tempos de caloiro. Mais tarde ainda conheci a vista da Serra do Pilar, aonde ainda vou de vez em quando matar saudades.Escolhi esta música por ser uma música de saudades: saudades das férias, saudades de casa, saudades de um tempo... Mas é inextricavelmente uma música de alegria, de formigueiro: da alegria do regresso, do entrar no porto, entrar em casa...O Carlos Tê usa as palavras como eu não conseguiria. Deixo-vos com o vídeo do Rui Veloso a cantá-lo, no concerto comemorativo dos seus vinte anos de carreira.

Bom regresso!

Joaquim Silva

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Eduardo Prado Coelho - 2 anos

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Eduardo Prado Coelho nasceu em Lisboa, a 29 de Março de 1944, e faleceu na mesma cidade a 25 de Agosto de 2007.
Licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorou-se em 1983, na mesma Universidade.
Em 1984, passou para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 1988, foi para Paris ensinar no Departamento de Estudos Ibéricos da Sorbonne - Paris 3.
Entre 1989 e 1998 foi conselheiro-cultural na Embaixada de Portugal em Paris e, em 1997, director do Instituto Camões, nesta cidade.
Colaborou sempre em jornais e revistas, nomeadamente no suplemento literário do Público, Mil Folhas, que saía ao sábado, escrevendo também uma crónica diária, mais pessoal, no mesmo jornal.
Autor de uma ampla bibliografia universitária e ensaística, onde se destacam um longo estudo de teoria literária, "Os Universos da Crítica", vários livros de ensaios "O Reino Flutuante", "A Palavra sobre a Palavra", "A Letra Litoral", "A Mecânica dos Fluídos", "A Noite do Mundo", ganha o Grande Prémio de Literatura Autobiográfica da Associação Portuguesa de Escritores, em 1996, com o diário, em dois volumes, "Tudo o Que Não Escrevi". Em 2004, foi-lhe também atribuído o Grande Prémio de Crónica João Carreira Bom. "Nacional e Transmissível" foi o último livro que publicou.

Ler - Setembro

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"A maior flor do mundo", de Saramago

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Segue-se o link para a curta metragem A Maior Flor do Mundo, baseada na obra homónima para crianças escrita por José Saramago e narrada apelo autor. Trata-se de um filme que ganhou um prémio no festival de cinema ecológico de Tenerife. Para os nossos meninos e meninas.
http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/
Auxília Ramos

sábado, 22 de agosto de 2009

Ilhas de bruma

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S.Miguel ergue-se na bruma, adormecido sobre as águas do Atlântico. Sinto sempre o mesmo deslumbramento quando sobrevoo a ilha encoberta e vislumbro a costa que se precipita no mar, depois de percorrer uma manta imensa de retalhos verdejantes. Ignorados por tanta gente, os Açores são caravelas perdidas que se transformaram em ilhas místicas pintadas de verde e semeadas no imenso oceano azul .
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Desço do avião e um bafo intenso, uma humidade impiedosa, invade-me e consome-me a pele e as entranhas... Percorrer toda a ilha é atravessar séculos de povoamento e sentir um silêncio avassalador e ancestral. O litoral acidentado derrama-se pelo mar, invadindo o infinito em abruptos rendilhados. Cachalotes brancos esfarelam-se pelos céus e repousam nos picos. As lagoas mágicas guardam enigmas indecifráveis e a terra transpira vapores fortes e inóspitos.
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A natureza brota em todo o seu esplendor nas nascentes férreas, nas poças transparentes, nos campos fecundos, na vegetação pletórica e luxuriante. O verde sufocante apodera-se dos trilhos limpos e acertados e das manadas lentas que pastam dolentemente pelas encostas.
Já subi vezes sem conta à lagoa do fogo; de cada vez o mesmo êxtase e o mesmo arrepio de descobrimento. O tempo pára e paira sobre este gigante intocado que parece ter derramado lágrimas inconsoláveis no seu regaço solitário.
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O Nordeste é uma peregrinação obrigatória; pelo silêncio e pela calma que desce dos céus e emana da terra fértil. É o santuário do priolo, um pássaro em vias de extinção que fez da Tronqueira o seu derradeiro lar.
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Nas Furnas, ouço a respiração da terra, expelindo furiosamente enxofre do seu ventre. Dos miradouros vislumbra-se o vale salpicado de casas modestas, esquecidas no longe, alvejando na distância. Sigo para a lagoa. A Igreja de José do Canto é o guardião sombrio das margens. Melancólicos chalets contemplam as águas cristalizadas que mimetizam os céus. É uma moldura onírica, como se pertencesse ao tempo dos gnomos, das fadas e dos duendes...
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Filas de hortênsias limitam as fronteiras dos campos retalhados, são soldados floridos que guardam as portas do paraíso. O exército alinha-se: as gigantes criptomérias, as perfumadas conteiras e os informes fetos pontilham os caminhos rurais.
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No regresso pelo litoral, as casas roubadas aos penhascos rochosos, em equilíbrio sobre o mar. O lastro da pobreza acentua-se no falar carregado e acentuado das gentes do mar. Famílias inteiras na soleira da porta, vendo o dia passear na rua; as barbearias carregadas de calendários e troféus desportivos, as tascas, as lojas, com o álcool e a imagem do Senhor Santo Cristo lado a lado, as mercearias esquecidas, os putos nas bicicletas, vociferando brutamente, os cavalos das arribas cultivadas clandestinamente, os burros abandonados a pastar o crepúsculo... Esta gente dura, disforme, bruta e feia... Esta gente genuína que enfrenta o mar e a ausência, a morte e a pobreza...
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E lembro-me por fim que foi essa gente dura, disforme, bruta e feia; essa gente genuína, que a literatura açoriana tão bem reproduziu nas obras de Vitorino Nemésio ou de João de Melo. Lembro-me que é esta paisagem que inspira o erotismo e a força de Natália Correia. Lembro-me que é esta melancolia que perpassa a poesia de Antero de Quental. E tantas outras vozes ecoam esquecidas por este arquipélago abençoado pela mão de Deus...
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Todas as imagens foram retiradas de www.olhares.com

sábado, 15 de agosto de 2009

i - Os livros que os "famosos" levam na mala...

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LÍDIA JORGE Está a ler Love De Toni Morrison
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"É uma história poderosa sobre a vida de várias mulheres em torno de um homem. Apresenta muito bem o mundo das mulheres negras dos EUA, com os seus problemas de ascensão. Tem um fundo de humanidade muito profundo." Para além deste aconselha outros três "que tem em cima da secretária": Golpe de Misericórdia, de Marguerite Yourcenar, Nada, de Carmen Laforet, e O Amante, de Marguerite Duras.
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INÊS CASTEL-BRANCO Está a ler Criadores De Paul Johnson
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Criadores é uma compilação de várias biografias de artistas, como Picasso, Verdi ou Shakespeare, e estou a gostar muito.” Para as férias, a actriz aconselha Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami: “Foi o livro que li antes deste. Gostei muito, é uma história de amor não correspondido, com um desaparecimento pelo meio, e passa-se na Grécia. É engraçado ver a visão que um japonês tem da Europa.”
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MÁRIO CRESPO Está a ler O Homem de Sampetersburgo De Ken Follett
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Estas férias já deram para o jornalista ler dois livros: Diário de Um Mau Ano, de Coetzee, e Waiting for the Barbarians, do mesmo autor. “Recomendo o Diário de um Mau Ano, porque é um livro belíssimo. Tornou-se um dos livros da minha vida. É daqueles livros que, mesmo quando fazia uma pausa, estava sempre a pensar nele e desejoso de voltar à leitura. O final é absolutamente sublime.”
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JÚLIA PINHEIRO Está a ler Afastado De Sadie Jones
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A apresentadora lê vários livros por semana e ao mesmo tempo. Na semana passada leu Leite Derramado, de Chico Buarque, o policial A Semelhança, de Tana French, e O Regresso, de Bernhard Schlink, que recomenda: “É um livro extraordinário, que traz as questões relacionadas com a guerra e o pós-guerra, a culpa alemã que leva pessoas a perderem-se de outras, o ter de lidar com aquele legado fortíssimo.”
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CINHA JARDIM Está a ler Enquanto Salazar Dormia De Domingos Amaral
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Cinha tem sempre um livro à mão. Para além deste, que “é um livro belíssimo, aconselho a toda a gente, é fantástico”, já tem na mala de viagem Buyology – A Ciência do Neuromarketing, de Martin Lindstrom. “Já dei uma vista de olhos e é um livro muito actual, muito prático. Denuncia as estatísticas, diz que elas mentem e explica o que é que nos leva a comprar: que no fundo é o cérebro.”
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TERESA CAEIRO Está a ler Diário de Um Ano Mau De J. M. Coetzee
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A deputada do CDS/PP gosta de ler vários livros ao mesmo tempo. Para além de Coetzee, está a ler My Name is Red de Orhan Pamuk. “É um mistério que gira em torno da morte de uma pessoa. É magnífico e emocionante. É um livro de ficção muito cativante. Ele descreve Istambul de uma forma soberba e como estive lá há pouco tempo estou a gostar muito de ler as descrições. Recomendo vivamente.”
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MÁRIO LAGINHA Está a ler Leite Derramado De Chico Buarque
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Este não é o primeiro livro que o pianista lê do músico brasileiro: “Já tinha lido o Budapeste e gostei muito. Acho que ele é um genial escritor de letras de canções, mas não só.” Para as férias recomenda policiais de duas escritoras: Patricia Highsmith e Agatha Crhistie. “Os amigos com quem estou de férias trouxeram policiais para ler e fiquei a pensar que também devia ter trazido. Divirto-me sempre com o suspense.”
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JOAQUIM LETRIA Está a ler Murder of Quality De John Le Carré
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Joaquim Letria não está de férias, mas nem por isso deixa de ler: “Estou a reler dois livrinhos do John Le Carré que me dão o prazer único de reencontrar quem escreve maravilhosamente. São eles: The Looking Glass War e, muito especialmente, o Murder of Quality. Recomendo-lhes! Além do mais, dão-me a sensação de estar de férias e refrescam o meu inglês que, graças a Deus, nada tem de técnico!”
in jornal i

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Livro(s) do mês

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Deixo uma sugestão de leitura para quem gosta de narrativas curtas e fantásticas: "O Visconde cortado ao meio" de Italo Calvino. Li o livro no último fim-de-semana, muito rapidamente, não só porque o "roubei" das mãos de um amigo, mas também pelo misterioso enredo que logo me "apanhou".Mais do que uma narrativa de ficção, utilizando uma linguagem simples e inocente, por vezes muito próxima da dos tradicionais contos de fadas, "O Visconde cortado ao meio" é uma espécie de alegoria sobre a natureza humana. O protagonista do romance, Visconde Medardo de Terralba, atingido num campo de batalha por uma bala de canhão que o corta verticalmente a meio, representa a dualidade da natureza humana: as suas duas metades, a "boa" e a "má" sobrevivem independentes uma da outra e regressam, cada uma a seu tempo, à sua terra natal. O regresso das duas metades do Visconde dá origem a uma série de acontecimentos e peripécias que ultrapassam o limiar da realidade e envolvem outras personagens que se vêem divididas entre "a malvadez e a virtude igualmente desumanas" (palavras do narrador).O desenlace desta narrativa histórica, fantástica, ingénua e, subtilmente, filosófica fica para quem se aventurar na leitura de "O Visconde cortado ao meio".
Auxília Ramos

domingo, 9 de agosto de 2009

O primeiro voo foi há 300 anos

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A 8 de Agosto de 1709, o primeiro balão de ar quente subiu até ao tecto da Casa de Índia, no Paço da Ribeira, em Lisboa. O feito marca o ano zero da aeronáutica. Foi há 300 anos.

Padre Bartolomeu Gusmão, luso-brasileiro, decidiu oferecer o invento a D.João V. Numa petição apresentada quatro meses antes, descrevera a sua mítica "Passarola" como um salto para os transportes, útil ao comércio e para novos descobrimentos.

Em Portugal, Gusmão ficou à época conhecido como "burlão e feiticeiro", diz Joaquim Fernandes, autor do livro Os Grandes Portugueses Esquecidos e que vai agora publicar uma biografia inédita do primeiro homem a pensar no céu como um caminho.

"Portugal, o país escolhido para tão heterodoxo desafio ao impossível, não soube valorizar a ousadia, desprezando-a e cedendo a outros europeus - os irmãos Montgolfier, mais de sete décadas depois, a primazia no voo humano", lê-se num excerto da obra.
in jornal i

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Musicografias

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Desde sempre, para mim, o Verão, mais do que um tempo de festas e andanças, sempre foi um tempo de paragem. De dias grandes, de noites maiores, incrivelmente maiores, quase intermináveis de serenidade. A música que proponho, "A Lua Partida ao Meio", cantada pela Maria João, foi editada num álbum de 2000, chamado "Chorinho Feliz" e deixa-me deitado num relvado fresco, a olhar para o céu. Naqueles dias em que a Lua está tão próxima que queremos mesmo ficar "sentado nela, espiando a terra". Sinto que perdemos esta capacidade quase pueril de olhar para a Lua, olhar para o Céu, por andarmos tão cabisbaixos. Hoje vou avisar os homens altos para terem cuidado...Boas Férias!
Joaquim Silva

Maria João & Mário Laginha - Lua Partida ao Meio

sábado, 1 de agosto de 2009

Livro(s) do mês - Agosto

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Há muito tempo que não "devorava" um livro assim...
Toda a história se desenvolve em torno de um misterioso e raríssimo livro hebraico, um códice do século XV, salvo da Inquisição, que surge cinco séculos depois, em Sarajevo, em plena guerra.
Geraldine Brooks, correspondente do Wall Street Journal na Bósnia e no Médio Oriente, recebeu por esta obra um Prémio Pulitzer. A autora constrói um intricado novelo que percorre os cinco séculos e caminhos distantes, desde a Espanha de 1492, a Veneza de 1609, Viena de 1894, Sidney, Boston, Londres e Sarajevo de 1996. Uma narrativa de tirar o fôlego e o sono... Entre estas datas e estes lugares tão díspares, um livro e uma conservadora, Hanna. Um fragmento de uma asa de insecto, manchas de vinho, pedras de sal, um cabelo branco - são estes os elementos que conduzirão Hanna até aos mistérios ancestrais que envolvem o livro e que revelarão as histórias dramáticas daqueles que lutaram para o salvar.
Baseado em factos verídicos, é uma viagem pela história da Europa e pelas suas feridas seculares: a Inquisição e as duas Grandes Guerras, o Nazismo, o anti-semistismo, o conflito na ex-Jugoslávia.