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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O último dia do ano...
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PASSAGEM DO ANO
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O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,
...
Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.
...
O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus...
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Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
...
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo.
Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.
...
Surge a manhã de um novo ano.
......
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
...
Carlos Drummond de Andrade
PASSAGEM DO ANO
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O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,
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Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.
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O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus...
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Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
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Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo.
Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.
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Surge a manhã de um novo ano.
......
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
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Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Livros do mês - Cabaz de Natal
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Neve preta
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Uma professora mandou um dia aos seus alunos que fizessem uma composição plástica sobre o Natal. Não falou assim, claro. Disse uma frase como esta: “Façam um desenho sobre o Natal. Usem o lápis de cores, ou aguarelas, ou papel de lustro, o que quiserem. E tragam o trabalho.
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Apareceu tudo quanto é costume aparecer nestes casos: o presépio, os Reis Magos, os pastores, S. José, a Virgem e o Menino Jesus. Mal feitos, bem feitos, toscos ou apuradinhos, os desenhos caíram na segunda-feira em cima da secretária da professora. Ali mesmo ela os viu e apreciou. Ia marcando “bom”, “mau”, “suficiente”, enfim, os transes por que todos nós passamos. De repente… Ah, mas é preciso muito cuidado com as crianças! A professora segura um desenho nas mãos, e esse desenho é não é melhor nem pior que os outros. Mas ela tem os olhos fixos, está perturbada; o desenho mostra o inevitável presépio, a vaca e o burrinho, e toda a restante figuração. Sobre esta cena sem mistério cai a neve, e esta neve é preta. Porquê?“Porquê”, pergunta a professora, em voz alta, à criança: O rapazinho não responde. Talvez mais nervosa do que quer mostrar, a professora insiste. Há na sala os cruéis risos e murmúrios de rigor nestas situações. A criança está de pé, muito séria, um pouco trémula. E, por fim, responde: “Fiz a neve preta porque foi nesse Natal que a minha mãe morreu”.Daqui por um mês chegaremos à Lua. Mas quando e como chegaremos nós ao espírito de uma criança que pinta a neve preta porque a mãe lhe morreu?”
José Saramago (Deste Mundo e do Outro)
in O RIBATEJO, 19 Dezembro 91
in O RIBATEJO, 19 Dezembro 91
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Musicografias
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Dei por mim estes dias a pensar que nós, portugueses, e eu, em particular, não valorizamos a cultura brasileira. Frequentemente por desconhecimento, mas também por algum desdém fruto de, nas nossas mentes, os brasileiros ainda serem de algum modo apenas os colonos pouco relevantes que deixámos na terra que (petulantemente) dizemos que descobrimos. Ou talvez se prenda com o facto da minha geração ter crescido apenas com a imagem do Brasil que nos chegava pelas telenovelas. Mas o país de Niemeyer, Luis Fernando Veríssimo, Clarice Lispector (já aqui falada), Chico Buarque, Tom Jobim, e muitos, muitos mais não pode, claramente, ser entendido como um deserto cultural, mas como um meio muito rico cultural e intelectualmente falando.
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A minha escolha deste mês vai para uma música de Chico Buarque, que se questiona como somos, porque somos, e porque nem sempre nos reconhecemos no que fazemos. Chama-se "O que será": "feita para o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", a canção "O Que Será" tem três versões, que marcam passagens diferentes da trama: "Abertura", "À Flor da Pele" e "À Flor da Terra". Cantada no filme por Simone, a versão "À Flor da Terra" (três estrofes de doze versos) alcançaria grande sucesso na gravação de Chico Buarque e Milton Nascimento, que abre o LP Meus caros amigos. "O Que Será", em qualquer das versões, é uma obra-prima, no nível das melhores criações de Chico Buarque, com sua melodia forte e sua letra libertária, um tanto ambígua em certos aspectos: "O que será que será / que todos os avisos não vão evitar / porque todos os risos vão desafiar / porque todos os sinos irão repicar / porque todos os hinos irão consagrar..." Em 15.9.92 (...) declarou ao Jornal do Brasil: "acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar..." [cfr www.chicobuarque.com.br]Pois então, o que será?
Joaquim Silva
Joaquim Silva
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Feira do Livro 2009
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O cenário...
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A inauguração...
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A sessão com o escritor Richard Zimler (23/11)
Alunos do secundário
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A dramatização de O que queres ser, Bruno? (25/11)
Pelos alunos do 9ºA, para os meninos do pré-escolar
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Sessão com a escritora Luísa Fortes da Cunha (27/11)
Alunos do 5ºAno
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Sessão com a escritora Madalena Santos (27/11)
Alunos dos 8º e 9º Anos
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O cenário...
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A inauguração...
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A sessão com o escritor Richard Zimler (23/11)
Alunos do secundário
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A dramatização de O que queres ser, Bruno? (25/11)
Pelos alunos do 9ºA, para os meninos do pré-escolar
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Sessão com a escritora Luísa Fortes da Cunha (27/11)
Alunos do 5ºAno
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Sessão com a escritora Madalena Santos (27/11)
Alunos dos 8º e 9º Anos
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Nota
Faltam ainda as imagens das sessões com os escritores Carlos Campos (1ºCiclo) e Ana Saldanha (6º e 7ºAnos), que conto ainda publicar.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Feira do Livro (23 a 27 de Novembro)
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A Feira do Livro do Colégio Luso-Francês terá início no dia 23 de Novembro, segunda-feira, com uma sessão inaugural que contará com a presença de toda a comunidade educativa. Será uma cerimónia recheada de surpresas e de diferentes manifestações artísticas. Na Feira estarão representadas as editoras Leya (Caminho, Dom Quixote, Novagaia, Gailivro, Asa, Texto Editores...), Porto Editora, Cosmorama, Trinta por uma linha, Bertrand e, ainda, a Livraria Britânica.

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A Feira do Livro do Colégio Luso-Francês terá início no dia 23 de Novembro, segunda-feira, com uma sessão inaugural que contará com a presença de toda a comunidade educativa. Será uma cerimónia recheada de surpresas e de diferentes manifestações artísticas. Na Feira estarão representadas as editoras Leya (Caminho, Dom Quixote, Novagaia, Gailivro, Asa, Texto Editores...), Porto Editora, Cosmorama, Trinta por uma linha, Bertrand e, ainda, a Livraria Britânica.
Durante a semana, o Colégio receberá escritores e ilustradores em todos os Ciclos:
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Pré-escolar: dramatização da obra O que queres ser, Bruno?
2ºCiclo (5ºano) -escritora Luísa Fortes da Cunha
2º Ciclo (6ºAno) e 3ºCiclo (7ºAno) - escritora Ana Saldanha
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3ºCiclo (8º e 9º Anos) -escritora Madalena Santos
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Secundário - escritor Richard Zimler
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ler - Novembro
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Inéditos de Fernando Pessoa
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Um artigo interessante, dedicado a Fernando Pessoa. Publicado na revista Ler e sugerido pela Drª Isabel Moreno. Aqui. Vale mesmo a pena!...
Um artigo interessante, dedicado a Fernando Pessoa. Publicado na revista Ler e sugerido pela Drª Isabel Moreno. Aqui. Vale mesmo a pena!...
Filme do mês - Novembro
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O Delator, de Steven Soderbergh
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A crítica de cinema assinala a interpretação de Matt Damon como merecedora de um óscar. Não me atrevo a fazer considerações dessa natureza, mas apenas a deixar o meu ”olhar” sobre o filme. A personagem Mark Withacre, quadro superior de uma empresa de produtos alimentares, cresce e evolui aos olhos do espectador. Homem aparentemente honesto, preocupado em denunciar um crime empresarial, urdido por esquemas pouco escrupulosos sobre preços de mercado, Mark Withacre veste progressivamente a pele de um ambicioso incontrolável que a todos (incluindo o FBI!) engana, num jogo desconcertante de mentiras/verdades.
O filme oferece muito mais matéria que do que o simples rótulo de “típico thriller político-económico” quer anunciar. É uma amostragem do comportamento humano na figura de um homem que, numa clara ambição de poder e riqueza, vai revelando a identidade de um mitómano, em cuja mente verdade e mentira não se distinguem, em cuja mente ecoa uma voz que raras vezes é coincidente com a voz que os outros ouvem.
Contrariamente aos comentários correntes, aconselho O Delator. Aqueles que se interessam por psicologia, pela análise do comportamento humano, encontrarão, no desempenho de Matt Damon, um manancial de situações, de manifestações comportamentais que poderão ilustrar, por exemplo, os distúrbios próprios de um doente bipolar.
Ficamos à espera dos vossos comentários.
Auxília Ramos
A crítica de cinema assinala a interpretação de Matt Damon como merecedora de um óscar. Não me atrevo a fazer considerações dessa natureza, mas apenas a deixar o meu ”olhar” sobre o filme. A personagem Mark Withacre, quadro superior de uma empresa de produtos alimentares, cresce e evolui aos olhos do espectador. Homem aparentemente honesto, preocupado em denunciar um crime empresarial, urdido por esquemas pouco escrupulosos sobre preços de mercado, Mark Withacre veste progressivamente a pele de um ambicioso incontrolável que a todos (incluindo o FBI!) engana, num jogo desconcertante de mentiras/verdades.
O filme oferece muito mais matéria que do que o simples rótulo de “típico thriller político-económico” quer anunciar. É uma amostragem do comportamento humano na figura de um homem que, numa clara ambição de poder e riqueza, vai revelando a identidade de um mitómano, em cuja mente verdade e mentira não se distinguem, em cuja mente ecoa uma voz que raras vezes é coincidente com a voz que os outros ouvem.
Contrariamente aos comentários correntes, aconselho O Delator. Aqueles que se interessam por psicologia, pela análise do comportamento humano, encontrarão, no desempenho de Matt Damon, um manancial de situações, de manifestações comportamentais que poderão ilustrar, por exemplo, os distúrbios próprios de um doente bipolar.
Ficamos à espera dos vossos comentários.
Auxília Ramos
Musicografias
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Dizem as gentes que "filho de peixe sabe nadar". Não sei se podemos extrapolar para "sobrinho de cantor sabe cantar", ou até "sobrinho de lutador sabe sonhar". Talvez a genética explique alguma coisa, mas, não sendo um cientista (no restritivo sentido experimentalista), acredito que a alma não se herda, nem é, sequer, estanque. Só assim, para mim, podemos pensar num sobrinho do Zeca Afonso, a cantar em Português, mas com alma Moçambicana. João Afonso saiu de Moçambique com 13 anos, em 1978, e consegue uma simbiose lindíssima da paisagem africana com a paisagem portuguesa. "Buganvília", o tema que proponho este mês, é de um álbum de 1997, chamado "Missangas". Lembro que quando me foi mostrado o achei muito bonito, porque na caixa do CD trazia espalhadas algumas missangas, que faziam um som a recordar o das maracas ao mexer. Talvez por causa destes dias de Verão de S. Martinho antecipados, este mês me tenha apetecido ouvir a buganvília "entre o acender da lua / e o encanto da manhã", e lembrar-me dos dias grandes do Verão.
Joaquim Silva...
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