sábado, 17 de novembro de 2012

Missa dos Quilombos


A propósito do estudo do Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira, acérrimo defensor da liberdade dos índios brasileiros, um grupo de alunos do 11ºano assisitiu a uma espetáculo musical único. A iniciativa partiu da Pastoral do Colégio.
 
Um elenco de 21 atores e oito músicos dá corpo a uma das obras mais emblemáticas de Milton Nascimento: Missa dos Quilombos. Uma obra histórica, com textos do arcebispo Pedro Casaldáliga e do poeta Pedro Tierra, estreada em 1981 e revisitada nos últimos dez anos pela Companhia Ensaio Aberto, uma estrutura carioca de forte vocação crítica e política. Missa dos Quilombos instala-nos numa central elétrica com várias dezenas de máquinas diferentes, trazendo para a linha da frente a história dos negros no Brasil. Adotando a estrutura padrão de uma missa, o espetáculo cruza o ritual católico e expressões da cultura afro-brasileira, numa sinestésica fusão de sons, cores, cheiros, danças e ritmos.
 
Com direção de Luiz Fernando Lobo, esta “missa revolucionária” canta uma história de opressão, mas também uma esperança indómita e um desejo imenso de liberdade.
(Texto adaptado do sítio do TNSJ)
Enviado por Auxília Ramos
 

domingo, 11 de novembro de 2012

"Payassu - O Verbo do Pai Grande"

 

 
O Teatro de Formas Animadas (TFA), numa digna homenagem a Padre António Vieira, fez a adaptação de um dos seus mais belos textos litúrgicos, o Sermão de Santo António aos Peixes. Com encenação / interpretação de Marcelo Lafontana e dramaturgia de José Coutinhas, o espetáculo realizou-se na capela do Colégio, no dia 6 de novembro.

A propósito do título do espetáculo – Payassu –, repleto de exotismo, e visando uma melhor compreensão do mesmo, lembramos que Payassu significa "Pai Grande", sendo deste modo que os índios brasileiros, os tapuias, como generalizava Vieira, tratavam, carinhosamente, o padre que defendeu a sua alforria.


 Ficam algumas imagens do espetáculo:

 


 





 
Enviado por Auxília Ramos

domingo, 4 de novembro de 2012

Colóquio internacional "100 anos de Jorge Amado": Lisboa, Coimbra e Porto

 

Colóquio internacional "Amor de Perdição: olhares cruzados"



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nuno Crato, José Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, Laborinho Lúcio, Bigotte Chorão, Mário Cláudio e João Lopes são apenas alguns dos nomes – que não necessitam de apresentações – que vão marcar presença no colóquio internacional “Amor de Perdição: Olhares Cruzados”, nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide. A iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão insere-se nas comemorações dos 150 anos da publicação de “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco. Ao longo de três dias, a Casa de Camilo é palco de uma grande homenagem ao homem, ao escritor e ao romancista Camilo Castelo Branco, mas principalmente a uma das suas grandes obras “Amor de Perdição”.
 
O evento é de entrada livre, mas sujeito a marcação através do contacto geral@camilocastelobranco.org.

Ainda a propósito de Camilo, o documentário "Camilo e outras vozes", produzido por Carlos Brandão Lucas, é transmitido por ocasião do ciclo de Camilo Castelo Branco no CCB.


Clicar na imagem para aceder ao vídeo.
"Camilo" é o romancista e as "outras vozes" são as de personalidades como João Bigotte Chorão, Mário Cláudio, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Magno, Gaspar Martins Pereira, António Pires Cabral e Eugénio Lisboa, entre outras, que falam da sua vida e da sua obra.
O documentário de 55 minutos, que estreou em 2007, foi encomendando pela câmara de Vila Nova de Famalicão, localidade onde o romancista viveu e morreu. Camilo suicidou-se na freguesia de S. Miguel de Ceide, onde Ana Plácido, a mulher com quem viveu e de quem teve dois filhos, possuía uma casa.
 
Sugestão enviada por Auxília Ramos

Livres como livros

Uma iniciativa conjunta da Universidade do Porto e da Câmara Municipal do Porto para promover a leitura. Clicar na imagem para aceder ao vídeo de apresentação e ao programa:



 
 
Sugestão enviada por Auxília Ramos


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lobo Antunes na Escritaria 2012



Vale a pena ouvir a entrevista à TSF, sobre a homenagem, em Penafiel (clicar na imagem):

 
Sugestão enviada por Auxília Ramos e Lina Soares.









 



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

90 anos de Saramago em Nova Iorque



















Os 90 anos do nascimento de José Saramago, falecido em 2010 aos 87 anos, vão ser assinalados entre 25 de outubro e 1 de novembro pelo Art Institute de Nova Iorque, numa iniciativa realizada em colaboração com a Fundação José Saramago e o patrocínio de várias entidades.
Para mais informações:

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ainda Manuel António Pina...

O blogue O Mar Parece Azeite (clicar) presta (justa e poética) homenagem.

Sugestão enviada por Auxília Ramos.

domingo, 21 de outubro de 2012

Ainda Manuel António Pina...

Manuel António Pina e Fernando Pessoa: o fingimento poético
(retirado de http://www.educaremportugues.com/)

   "Eterna criança, o homem é naturalmente atraído pelo carácter fundamentalmente lúdico que anima todas as formas de arte, pelos jogos de palavras, pelo misterioso poder que têm as palavras, não só para designar o  mundo, mas também para criar o mundo. De facto, a literatura é, sobretudo, uma arte de fazer de conta; é, como Blanchot diz, ilusão; ou fingimento, como, por sua vez, diz Pessoa. Quando lemos um livro, suspendemos a incredulidade. À porta de qualquer obra literária está sempre a inscrição: “Para aqui entrares, tens que fazer de conta que acreditas”.

   O poeta [a poesia é o campo de observação por excelência da literatura pois a poesia é, talvez, literatura em estado puro] o poeta, dizia eu, escreve, ou faz de conta, com a mesma seriedade com que uma criança  brinca. As fronteiras teóricas entre literatura e verdade, entre Dichtung e Wharheit, são, como nos jogos infantis, hesitantes e imprecisas. Para os românticos [e românticos, ou seus herdeiros, todos nós somos, ou ainda menos] a dor é a mãe de toda a verdadeira poesia. Mas a dor e o sofrimento sinceros, isto é, sem fingimento, são a mãe [e o pai, e a família toda] da maior parte da má poesia que se escreve. Muita da grande poesia pode ter nascido da dor, mas o que a autonomiza da dor e a diferencia do mero espasmo doloroso é o fingimento, a capacidade de o poeta fingir “a dor que deveras sente” tornando-a poeticamente verdadeira. A poesia é forma, e essa é a sua verdade. Se a dor do poeta que eventualmente terá gerado o poema é “verdadeira” ou “falsa”, a sua verdade por assim dizer “vivida”, é assunto, como diz Jacobson, com interesse apenas para a Medicina Legal. (...)

   Na poesia, as palavras e as suas relações são as formas que os nossos sentimentos ou a memória deles tomam. Com elas, o poeta, como a criança brincando, cria, escrevendo, uma verdade outra, tão ou mais verdadeira. Uma verdade autónoma, cuja autenticidade não depende da verdade ou  da não-verdade do sentimento [e quem diz sentimento diz pensamento ou mera impressão ou emoção] que eventualmente lhe terá estado na origem. "
 
Texto completo aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Homenagem a Manuel António Pina

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’

Manuel António Pina

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

França condecora a escritora Dulce Maria Cardoso

A edição dos livros Campo de Sangue (2002), Os Meus Sentimentos (2005) e Até Nós (2008), já traduzidos em França e noutras línguas, valeu à escritora Dulce Maria Cardoso (n. 1964) a condecoração francesa de Cavaleira da Ordem das Artes e Letras.
 
O Ministério da Cultura francês justifica a distinção pelo papel que a obra da escritora tem na "irradiação da cultura em França e no mundo".
 
Criada em 1957, a condecoração da Ordem das Artes e das Letras corresponde a uma das mais altas distinções honoríficas da República Francesa e homenageia personalidades que se destacaram pela sua contribuição na difusão da cultura em França.
 
Dulce Maria Cardoso, que em 2009 recebeu o Prémio Europeu de Literatura pelo romance Os Meus Sentimentos, é autora do livro de contos Até Nós e do romance O Chão dos Pardais publicado em Portugal em 2009. Em 2011 publicou O retorno, sobre a experiência dos retornados, da descolonização de Angola (de onde saiu na infância, via Ponte Aérea), do fim do Império e das suas consequências no Portugal contemporâneo. O romance foi considerado pela crítica como o melhor do ano e venceu ainda o prémio especial da crítica nos Prémios LER/Booktailors 2011.
 
A escritora nasceu em Trás-os-Montes em 1964, passou a infância em Angola e vive agora em Lisboa. Formou-se na Faculdade de Direito de Lisboa e o seu primeiro romance Campo de Sangue recebeu o Grande Prémio Acontece de Romance.
 
in "Ípsilon", revista cultural do Público, aqui.
 


 


terça-feira, 16 de outubro de 2012

CCB no CCB

 

        Consultar o programa aqui.

sábado, 13 de outubro de 2012

Prémio Nobel da Literatura para Mo Yan

Direitos de autor: WOOK. Clicar na imagem para aceder à bibliografia do autor.
 
A Academia Sueca atribuiu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura ao escritor chinês Mo Yan.
Um dos mais celebrados escritores no seu país, embora não isento de polémica, Mo Yan faz habitar a sua obra de um humanismo compassivo, habitualmente centrado na ruralidade da localidade em que nasceu a 5 de Março de 1955, Gaomi, na província de Shandong. O escritor, que lançou o seu primeiro romance, Falling Rain On a Spring Night, em 1981, mereceu a mais nobre distinção do mundo da literatura por ser, segundo comunicado pelo comité do Nobel, um autor "cujo realismo alucinatório funde contos tradicionais, História e contemporaneidade". A sua escrita, como é aliás reconhecido pelo próprio, é grandemente influenciada por William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez.
in Público, 11 de outubro de 2012. Ver artigo completo aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Conto inédito de Sophia

A notícia foi publicada no Jornal de Letras:
 
"Os Ciganos", conto inédito de Sophia
 
 
É sabido que quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Mas não é esse o caso de Os Ciganos. Trata-se antes de uma história a quatro mãos, quase um pergaminho ou uma 'jóia de família'. É um conto inédito e inacabado de Sophia de Mello Breynner Andresen e concluído pelo neto, o jornalista Pedro Sousa Tavares. Vai ser lançado pela Porto Editora, com uma sessão de apresentação, a 16, às 19, na livraria Bertrand Chiado. A Porto Editora, como o JL pode adiantar, adquiriu, de resto, todos os direitos de publicação da obra em prosa de Sophia. A 6 de novembro, data de aniversário da escritora, serão lançados os primeiros títulos com a chancela: A Menina do Mar, com ilustrações de Fernanda Fragateiro, A Fada Oriana, com ilustrações de Teresa Calem, e Quatro Contos Dispersos, ilustrados por João Caetano. Os Ciganos, em pré-lançamento nas livrarias virtuais, tem ilustrações de Danuta Wojsiechowske.
 
Foi na Primavera de 2009 que Maria Andresen, poetisa e professora universitária, a filha de Sophia que tem cuidado do seu espólio, se deparou, entre outros inéditos, com um conto enunciado, iniciado e intitulado Os Ciganos, que surpreendeu desde logo pela "singularidade" no universo das suas obras para crianças. "Há algo de inesperado neste início de uma história, quer por aquilo que conta, quer por aquilo que não chega a contar", escreve Maria Andresen no prefácio. "Em vários contos, há semelhanças com o que aqui chega a ser contado, mas ao mesmo tempo, muitas dissemelhanças".
Embora não estivesse datado, nomeadamente por comparação caligráfica, deduz-se que tenha sido escrita em meados dos anos 60. E parece vocacionado para o público juvenil. Curiosamente, termina no preciso momento da narrativa em que o personagem Ruy, que "já não era um rapaz pequeno, mas ainda não era um rapaz crescido", como escreve Sophia, e "pensava na liberdade", saltava o muro para descobrir o mundo do outro lado, na senda de um grupo de ciganos. "Neste conto, o muro foi saltado, o jovem partiu, mas é aí que a narradora emudece, como que tão perturbada quanto Ruy pelo que se poderá seguir", escreve ainda Maria Andresen.
 
Por si, esse início pareceu-lhe ter uma unidade e fazer sentido trazê-lo à "luz do dia". Mas mais tarde, quando se pensou na sua publicação, pôs a hipótese de esse início funcionar como um "motivo literário aberto a ser continuado por outras mãos". E pensou no irmão, Miguel Sousa Tavares, atendendo à circunstância de ter publicado também livros infanto-juvenis. Porém, o escritor quis ouvir os filhos. A questão que se impunha era mesmo saber da pertinência da publicação deste conto. "Criminoso" seria não o fazer, não hesitou responder Pedro Sousa Tavares. É que achou tão "bom" o que leu que seria pena não o divulgar. "Era um início quase como um guião. Estavam lá todos os sinais do que iria ser a história", adianta o jornalista ao JL. "Corresponde a cerca de um terço do livro e, de alguma maneira, acabava no momento em que ia começar a desenvolver-se". Pensa, aliás, compreender as razões por que a avó deixou de lado esse original: "É uma história que tem sentidos distintos dos seus livros infantis. A relação entre o rapaz e a rapariga é diferente e são de mundos diferentes. Talvez isso tivesse criado algumas dificuldades na continuação da história", salienta. Pedro Sousa Tavares não se limitou portanto a pugnar pela sua publicação, teve algumas ideias para dar continuidade a essa narrativa que a avó deixara interrompida há tanto tempo. O mesmo é dizer que encontrou o fio da meada ficcional. Avançou essas ideias ainda sem pensar concretizá-las. A sua escrita é outra, ainda que secretamente tenha os seus escritos literários na gaveta. Talvez haja mesmo um qualquer gene responsável pela predisposição literária. E a questão se pode ser de ADN, tornou-se sem dúvida de família, já que a tia, Maria Andresen, acolheu bem as sugestões e disse-lhe que acabasse então a história da avó. Houve uma espécie de coincidências do destino, pois tinha acabado de nascer o seu segundo filho e a licença de paternidade permitiu-lhe mais tempo disponível para escrever. Tudo se conjugou para um final feliz.
 
Dar seguimento a uma narrativa de Sophia não é tarefa fácil, mesmo sendo no caso a avó, que lhe havia contado muitas e até explicado como as começara a escrever para os filhos, por achar que as existentes não a satisfaziam. Pedro Sousa Tavares não ignorava as "implicações", as possíveis consequências ou desconfianças. Mas confessa que nem pensou duas vezes: "Era uma oportunidade que não poderia recusar. Se o fizesse, passaria o resto da vida a pensar o que poderia ter feito daquela história", adianta. E se teve medo, espantou-o com uma certeza tranquilizadora: "Seria absurdo tentar imitar a minha avó, o que resultaria numa caricatura. Pensei sobretudo respeitar o que era essencial na sua escrita: a simplicidade". Dito de outra maneira: Não iria nem tentar escrever como Sophia, mas nunca a perderia de vista na memória, enquanto escrevesse. E assim fez. "A verdade é que Sophia está em todo o livro, num excerto que ela escreveu e aparece na minha parte, nas descrições de personagens que têm as características dela", diz ainda. Seguiu o seu rumo, a "mensagem que a história tinha inscrita nas primeiras linhas". Espera agora que Os Ciganos sejam lidos como um "todo". As partes de Sophia e de Pedro Sousa Tavares estão devidamente diferenciadas, mas os leitores por certo, mesmo dando pelas diferenças, vão seguir a leitura sem sobressaltos. "A minha esperança é que, ao fim de algumas páginas, esqueçam as diferenças e sigam apenas a história e a apreciem como tal. Se isso acontecer, já fico satisfeito".
 
E se a avó Sophia, de algum modo, lhe legou este "presente", também lhe transmitiu um ensinamento que agora, porventura como nunca antes, faz sentido: "As histórias têm que merecer ser lidas e cativar os leitores", diz. "Espero ter continuado o que ela estava a fazer bem, nesta história". Tanto mais que vinda do passado, pode falar ao presente. "É um livro sobre a transcendência, sobre a vontade de ir além do que os outros esperam. E sobre a importância de ter sonhos e não desistir deles. Também por isso acreditei que era uma história que fazia sentido nos tempos que correm, sobretudo para os mais novos", sublinha. "Isto além do próprio tema, os ciganos, que é pouco tratado, ainda menos na literatura infantil e juvenil. E curiosamente esta história chegou-me numa altura em que os ciganos estavam a ser expulsos de França. Parece mesmo que estava destinada a ser contada".
Maria Leonor Nunes, 2 de outubro de 2012 

sábado, 29 de setembro de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado: 100 anos a escrever o Brasil

   O Lusografias celebra, hoje, o centenário do nascimento do escritor Jorge Amado.  São várias as iniciativas que assinalam a data, entre as quais destacamos a exposição da Biblioteca Nacional ("Jorge Amado em Portugal"), sobre a receção (polémica) da sua obra, nos anos trinta, no nosso país.  




 A Fundação José Saramago propõe um dia de festa, com exibições de capoeira, leituras públicas e comida brasileira (nos restaurantes vizinhos) - uma explosão de alegria para homenagear o escritor que festejava a vida em todos os seus romances.












 O Jornal de Letras publica uma edição especial:


 Vale também a pena visitar a sua Fundação, na Baía (clicar na imagem, para aceder à página):


Deixamos um vídeo muito curioso; nele Jorge Amado atribui o seu gosto pela leitura a um professor português, o Padre Gonzaga Cabral, que anteviu no talento precoce do aluno o génio de futuro escritor...



 No seu livro de memórias, confessava, sobre a leitura:

"Se devoro livros até hoje, eu o devo ao pai Dumas, o mulato Alexandre, foi ele quem me deu o gosto de ler, o vício: aos onze anos encontrei abandonado no navio para Itaparica o exemplar de Os Três Mosqueteiros, contraí o vírus da leitura para sempre.
Devo a Rabelais e a Cervantes, deles nasci. Devo a Dickens: me ensinou que nenhum ser humano é de todo mau, a Gorki: me deu o amor aos vagabundos, aos vencidos da vida, os invencíveis. Devo a Zola, com ele desci ao fundo do poço para resgatar o miserável, a Mark Twain devo ter soltado o riso, arma de combate, a Gogol, o nariz, as botas e o capote.
Devo a Alencar o romantismo e a selva, a Manuel António de Almeida a graça da picardia, do burlesco, na praça do povo soltei o verbo com Castro Alves, denunciei a infâmia, com Gregório de Matos aprendi a generosidade do insulto, fui boca de inferno, cuspi fogo, pela sua mão descobri as ruas da Bahia, o pátio da igreja (...).
Devo ao cronista anónimo do Mercado, ao contador de casos da feira de Água dos Meninos, ao trovador devo o arroubo, a invenção ao mestre de saveiro: namorou Yemanjá nas cercanias da ilha de Itaparica, dormiu com Oxum no leito de águas mansas do rio Paraguaçu, possuiu Euá na cachoeira de Maragogipe, derrubou-a na fonte de caracóis e pétalas de rosa. É necessário saber e inventar.
Devo ao poeta de cordel, devo."
Jorge Amado, Navegação de Cabotagem


E, por fim, algumas das capas dos seus livros mais conhecidos: 





terça-feira, 31 de julho de 2012

Revista "DiVersos"


Saiu mais um número da revista DiVersos, o número 17, que celebra os 60 Anos de poesia de Albano Martins e traduz o primeiro autor norueguês, Tor Ulven, e o austríaco Georg Trakl.

     Para quem desconhece a DiVersos (Poesia e Tradução), trata-se de uma publicação criada em 1996 que, estranhamente, tem sido ignorada pelos promotores culturais em Portugal. A distribuição é uma luta permanente e as poucas livrarias que a aceitam escondem-na.

     Talvez a justificação para esta atitude se encontre no facto de não ser uma revista de poesia onde se tecem os maiores elogios a pseudopoetas que têm a sorte de terem amigos nos lugares certos ou estarem na moda. Pelo contrário, é a ausência de qualquer comentário ao texto que cria o silêncio necessário para ler alguns poetas pela primeira vez ou revisitar outros que sempre nos encantam (Hölderlin, Kaváfis, Rimbaud,Shakespeare).

     Cada número da DiVersos resulta de uma escolha criteriosa de autores, poemas e tradutores. Inclui essencialmente poetas estrangeiros das mais variadas origens: americanos, britânicos, gregos, o chinês Han Shan, entre muitos outros.

     Os seus fundadores têm em comum o gosto pela poesia e pela escrita. Vivendo longe de Portugal, juntaram-se para concretizar um projeto de divulgação boa poesia.

     Quem tiver adquirido os dezassete números possui uma belíssima antologia de poetas consagrados e contemporâneos, ou não, mas que o público português provavelmente desconhece.
Paula Raimundo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

Poesia e(m) companhia

Deixo o interessante trabalho de intermedialidade dos alunos de 10ºano, que associaram à poesia motivos da pintura, música, cinema e da própria poesia...


Poema 1

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, 1929



A Desintegração da Persistência da Memória, Salvador Dalí



Poema 2

Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado
é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Someone like you, Adèle

Never mind, I'll find someone like you

I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remember you said

Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead

Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead, yeah.






Poema 3

Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Policia agiota fariseu
Ou cocote

Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu me salvei na limpidez da terra


Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar

Sophia de Mello Breyner











Poema 4
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ei-lo que avança
De costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
Além de sob o braço o jornal,
A sedução de ser seja quem for,
Aquele que não sou.
E vai não sei onde
Visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
Lido ou sonhado por mim
Em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo

Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar

Ruy Belo

“Ela Canta Pobre Ceifeira”

Ela canta, pobre ceifeira
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz à o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.

Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa, Cancioneiro


Poema 5
De mansinho ela entrou, a minha filha.
A madrugada entrava como ela, mas não
tão de mansinho. Os pés descalços,
de ruído menor que o do meu lápis
e um riso bem maior que o dos meus versos.
Sentou-se no meu colo, de mansinho.
O poema invadia como ela, mas não
tão mansamente, não com esta exigência
tão mansinha. Como um ladrão furtivo,
a minha filha roubou-me a inspiração,
versos quase chegados, quase meus.
E mansamente aqui adormeceu,
feliz pelo seu crime.

Ana Luísa Amaral, “Às Vezes o Paraíso” (1998)

Filme “Crianças Invisíveis”: “Song Song and Little Cat” de John Woo.



Enviado por Auxília Ramos

Ler - maio

terça-feira, 1 de maio de 2012

O poema


Ouvir o poema para poder falar dele. – Nuno Júdice

"Um poema, um verdadeiro poema, no qual todas as palavras estão carregadas de significado, os versos fluem musicalmente e a mensagem se solta numa leitura que privilegia a perceção sensorial, não necessita de auxiliares de leitura, pois tudo o que há a dizer está dito, no que foi efetivamente dito e no que não foi." – Duarte Magano

“Para uma composição ser verdadeiramente um poema, o recetor tem de compreender o que o poeta inscreveu nessa composição, sem que haja necessidade de o discutir, de o comparar.” – Maria Francisca Cunha

“Um poema, na sua essência, não precisa que ninguém o complemente, pois já transmite tudo o que é realmente necessário saber.” – Ana Figueiredo

"Um poema, quando executado na perfeição, é capaz de nos revelar todos os segredos pela palavra, desvendando a sua mensagem oculta." – João Sousa

“Um poema é espelho da alma do leitor. Mas, ao invés de vermos apenas um reflexo, conseguimos observar e explorar, sem desvios, todos os recantos até ao mais ínfimo pormenor. “ – António Pedro


Congresso Internacional Vergílio Ferreira

(Clicar na imagem para aceder à página oficial)