sábado, 17 de novembro de 2012

"75 anos de história e um palacete"

 
No dia 7 de novembro, decorreu no auditório o lançamento do livro "75 anos de história e um palacete". A iniciativa partiu do Pré-Escolar, sob a coordenação da Drª Cristiana Nogueira, e contou com a colaboração / supervisão estética e artística da Drª Sofia Brandão e da Designer Marina Soares (antiga aluna), que enquadraram as ilustrações dos mais pequeninos (turmas dos 3,4 e 5 anos, ano letivo 2011/2012).
 
                                     
 
Numa cerimónia emotiva e muito especial, que encerrou as comemorações dos 75 anos do Colégio Luso-Francês, foram projetados pedaços da memória coletiva, através de textos de antigos alunos e professores. Na assistência, estavam várias gerações, famílias inteiras que encontraram no CLF a sua casa. 
 
Publicamos as fotografias e alguns dos textos que marcaram a efeméride.






 
 
 Testemunhos

1.
 
A ligação da Família Campos Monteiro ao Colégio Luso-Francês remonta à origem do próprio Colégio, tendo sido várias as gerações que, ao longo destes 75 anos, por esta casa passaram.
 
Nesta ocasião, cumpre à Família Campos Monteiro prestar um profundo agradecimento ao Colégio que, tanto e tão bem, tem contribuído para formar e educar as várias gerações da Família: trabalho árduo de transmissão de valores e princípios que, em muito, tem enriquecido o ideário desta família. Parabéns ao Colégio e a todos quanto fazem parte desta grande família que tanto nos orgulha de ter como seus filhos!
 
75 anos e 4 gerações volvidas, que mais poderemos dizer?
Não basta ter começado, é preciso continuar…
  
Campos Monteiro
 
2.
(…) Nesses anos, pontificavam no Colégio: a figura afável e respeitosa da "Ma Mère"; a austeridade terna da Irmã Ana Maria; a bonomia expansiva do Padre António Lopes; a discrição da Irmã Celeste, a extroversão da Irmã Helena; a reserva eficiente da Irmã Aurora. (…) Tenho boa memória do Professor Paulo Pombo, deixando transparecer no rosto de matemático o lirismo inspirado da letra de "Os amores do estudante"  (…) e da Professora Manuela Milheiro, com sua simpática tranquilidade histórica.
Eu tinha sido solicitado, (…) para dar uma colaboração ao Colégio na docência da Literatura Portuguesa, o que, por absoluta falta de tempo e com muita pena minha, só pude prolongar por dois anos letivos, os suficientes, porém, para guardar até hoje uma
gratificante recordação dos valores educacionais e da cultura de qualidade de ensino que ali se respirava, para benefício dos alunos e das suas famílias.
Nunca tendo perdido verdadeiramente o contacto com o Luso-Francês, especialmente através da Irmã Ana Maria, que jamais se esquecia de me mandar um cartão de aniversário ou de me telefonar no dia dos meus anos, retomei mais de perto o meu interesse pelo Colégio, quando a minha neta, Leonor Miguel, em
iluminada decisão dos seus pais, aqui iniciou a sua escolaridade (…).
Professor Doutor Salvato Trigo
(Reitor da Universidade Fernando Pessoa)
 
 
3.
 
(…) O que aqui deixo são memórias. Memórias que partilho numa deriva despreocupada por pedaços de vida, experiências, emoções, sentimentos… O sabor dos gelados da “casinha” (que inauguravam os primeiros dias de calor, ou que anunciavam o final das aulas e o início das férias de verão); o cheiro da cera fresca no soalho que perfumava o início de cada período letivo; os risos que rolavam nos eventos festivos; as lágrimas dos insucessos ou desencantos; os segredos das primeiras paixões; as cumplicidades partilhadas a propósito de tudo e de nada; a emoção de um qualquer encontro fora dos muros do colégio e longe da vigilância da Irmã Ângela; os passeios na quinta à conversa com o Sr. António; as palavras doces ou ásperas, mas essenciais; o casamento celebrado na capela; a ansiedade do primeiro dia de aulas como professora (…) o constrangimento da entrada na sala de professores, durante muito tempo território interdito; a angústia da primeira avaliação dos alunos; o choro de uma filha na hora do batismo; o afeto dos novos amigos que alicerça a nossa vida; a perda de velhos amigos que nos fragiliza; as memórias que foram nossas e que passam a ser nós próprios…
Tudo isto vem à memória e tudo isto faz do Luso-Francês não apenas uma casa de educação, mas um “lar”(…)
Auxília Ramos (Professora e antiga aluna)
4.
 
Passaram-se doze anos desde que deixei o colégio, mas ele sempre esteve como pano de fundo, como pensamento atrás de um pensamento, em vários momentos da minha vida. Escolhi ser professora talvez porque não me imaginava a fazer algo que não fosse a continuação daquilo que o colégio me deu. E porquê? Porque no colégio eu sentia-me bem. Sentia-me bem. Quem lá estudou entenderá o que quero dizer; quem lá estudou não precisará de muito mais explicações. O colégio era como uma casa. Era a nossa segunda casa. E porquê? Porque os corredores da infantil cheiravam a pão com manteiga e a iogurtes, e os cubículos dos pianos a pó e a maçãs. Porque havia uma janela à saída da quinta que era perfeita para se ler A História Interminável. Porque os passos ecoavam pelo refeitório vazio e escuro enquanto se esperava pelas aulas de ballet. Porque havia portas e corredores e escadas que davam para recantos proibidos onde cresciam histórias e fantasmas e tudo o que não existe. Porque chovia lá fora, mas lá dentro se falava sobre contos e poemas e livros de maravilha, em aulas onde se sonhava muito – e essas aulas eu nunca hei de esquecer, pois ainda hoje são o meu modelo, e os professores que as davam aquilo a que aspiro ser, e sempre que me sinto perdida basta-me pensar “no colégio fazia-se assim” para tudo se tornar mais claro.
Natália Fernandes Costa Lima (Professora e harpista)
 
 
5.
Durante catorze anos, ininterruptamente, passei uma grande parte do meu tempo de vida no Colégio Luso-Francês. Todos os dias, de manhã, radiante de alegria, entrava pelo portão verde, onde me iam buscar à tarde, a uma hora que parecia sempre demasiado cedo. Dentro daqueles muros, fui desenvolvendo os meus sonhos e imaginando o que seria a vida “um dia”, quando a minha passagem pelo Colégio tivesse chegado ao fim. Hoje percebo que não tenho que recear esse dia, pois não há risco de ele chegar. A minha passagem pelo Colégio prolongou-se nas amizades, nas memórias e no uso diário que faço daquilo que lá recebi.
Talvez esteja diferente, hoje, o Colégio. Para mim, continua igual. Sempre igual. Um porto seguro onde posso voltar quando quero ou quando preciso. Ali recebi uma combinação de competências que me permite, a centenas de quilómetros e a vários anos de distância, não duvidar de mim própria na caminhada da vida. Ali recebi a minha instrução, mas também uma orientação moral e religiosa que me acompanha e me aconselha. Quantas vezes, em pensamento, volto à nossa Capela e peço, para os meus filhos, a mesma sorte que tive com a Casas onde cresci.
 
Luísa Tender (Pianista)
 
6.
A experiência vivida no CLF foi muita enriquecedora, não só pela elevada qualidade pedagógica, mas também pela proximidade humana e cultura de valores que caracterizam esta instituição. A chegada do meu irmão e de mim ao CLF fez-se em condições difíceis em que tudo era absolutamente novo, inclusive a língua portuguesa então totalmente desconhecida. O carinho com que fomos recebidos tanto pelas irmãs, pelos professores e sobretudo pelos outros alunos foi extraordinário e ficará para sempre na minha memória. A integração foi imediata e o novo desafio apresentado ao corpo docente foi por eles superado, não tendo sido necessário repetir nenhum ano escolar. É com um carinho muito especial que quero agradecer aos meus colegas e aos professores pela incansável dedicação e ajuda dada na altura. Hoje em dia, é com orgulho que considero muitos desses colegas e professores amigos. Um forte abraço a todos e um muito obrigado ao Colégio Luso-Francês.
 
Mathieu Neuforge (Comandante da TAP)
 
7.
 
 
Fui para o Luso-Francês com a referência de que tinha sido a escola onde a minha mãe já tinha estudado e, por isso, era já uma casa que me era familiar.
 
Recordo-me como foi o meu primeiro dia. Setembro, algures na primeira quinzena do mês, entrei no Colégio, com uma pasta que quase ultrapassava a minha capacidade física. As escadas da parte antiga, em direção ao ciclo, pareciam intermináveis, gigantes obstáculos. A sala era logo a primeira! Tinha borboletas na barriga, ali ia começar uma nova etapa, ali ia conhecer os meus amigos! Rapidamente, tudo se tornou familiar, desde dos professores até à metodologia de trabalho. Fui criando amizades que hoje permanecem como pilares.
(…) Na memória do Luso-Francês tenho pormenores, cheiros, momentos: houve dificuldades, pequenas vitórias e conquistas; houve dias de lágrimas, houve dias de euforia, houve tempo para quase tudo, desde o primeiro beijo à pela primeira negativa ou à primeira atuação de piano em público!
Joana Branco (Jornalista)
8.
Há momentos como este, em que compreendemos que há lugares em que já não cabemos, lugares de onde é preciso partir.
Gosto de pensar nas memórias como raízes. Gosto de pensar em nós como sementes.
Se algum dia aqui voltar pergunto-me se não me chegarão a aparecer os risos das crianças no recreio mesmo que não esteja lá ninguém, se não voltarei a ver-nos naqueles dias felizes, em que subíamos às árvores e esperávamos pela hora da refeição, sem tempo para mais.
Espero por estes sítios como se espera voltar a casa.
E se calhar tudo isto nem faz tanto sentido assim, mas há coisas que não se explicam, há cheiros e risos que não se esquecem, há abraços que
queimam para sempre e palavras demasiado densas por dentro de todas as recordações.
A verdade é que há momentos tão bons que nos deixam uma espécie de estigma aflitivo, como se soubéssemos para sempre que voltar atrás é voltar às mesmas pessoas.
'E agora?'
Agora, há passos que temos de dar, foi para isso que nos preparámos ao subir às árvores e partilhar o pão, porque há sempre algo a conquistar e pão a partilhar com alguém.
Entretanto há sítios a que, forçosamente, regressaremos, e mesmo que não chegue a faculdade ou o emprego ou a família, há sempre uma casa à nossa espera. Nem que seja a das nossas memórias afetivas.
Francisca Pereira (Psicóloga)
9.
O meu nome é Marina Soares. Entrei nesta casa aos 4 anos e nela permaneci até aos 18, quando terminei o ensino secundário. Frequentei a ESAD, onde me licenciei em Design de Comunicação, com mestrado em Comunicação e Publicidade, na ELISAVA, Barcelona, e trabalho atualmente no gabinete Providência Design, na nossa cidade.
Há pouco tempo fui convidada a regressar a esta casa, embora nunca a tivesse abandonado em definitivo. Quem frequenta o Luso-Francês, nunca o abandona, guarda sempre na memória os mais importantes momentos ou os mais triviais acontecimentos. Quem vive o Luso-Francês faz deste lugar uma verdadeira casa, que se torna cada vez mais sólida, porque há laços que são definitivamente inquebráveis.  
Mas, desta vez, regressei a convite da Drª Cristiana Nogueira, psicóloga e coordenadora pedagógica do ensino pré-escolar, e pela mão de uma mestra e de uma amiga, a Drª Sofia Brandão, com quem dei os primeiros e definitivos passos na área das Artes.
Se, num primeiro momento, o convite me surpreendeu, logo o entusiasmo nasceu e, em muito menos tempo, o projeto arrebatou-me por completo. Tratava-se de dar forma, ou melhor, de dar um enquadramento a desenhos dispersos, realizados por crianças de 3,4 e 5 anos que, tal como eu outrora os vira, veem os espaços do colégio com uma dimensão e uma magia que só o olhar de uma criança consegue vislumbrar. Como dizia, o arrebatamento foi tão intenso que rapidamente me tornei elas, uma delas, e já não eu, o eu deste agora, deste momento.
E, então, eu era a menina pequena que, diante do palacete tão grande, se sentia esmagada pelas suas dimensões de gigante.
Eu era a menina que, iniciada na magia da leitura, tentava descodificar o sentido oculto nas letras que formavam a palavra-passe gravada na pedra – Sêde bem-vindos.
Eu era a menina que perscrutava e tentava decifrar o significado de todas as figuras e elementos decorativos do fresco da capela, alguns já apagados pela passagem do tempo.
Eu era a menina que brincava debaixo do jacarandá que, ciclicamente, renascia num milagre de cor e que me protegia com o seu enorme chapéu de sombra.
Eu era a menina que se interrogava sobre a vida de aventura do S. Francisco de Assis, que era irmão de todos os animais, mesmo do lobo, o tal animal mau que perseguia o capuchinho vermelho.
Eu era a menina que, no mês de maio, depositava aos pés da Virgem uma flor natural ou de papel e que estava convicta que a Virgem sorria apenas e só para mim…
E, progressivamente, o convite que me foi dirigido, sem qualquer outra intenção, transformou um simples mas apaixonante trabalho técnico num exercício de memorização, de revisitação de lugares onde eu fui, apaixonadamente, criança. Fui feliz? Responderei com as palavras do grande poeta Pessoa – Fui-o outrora agora.
Espero, com esta minha viagem pelas memórias destes lugares seja também para os pais destes pequenos artistas uma viagem guiada pela emoção do traço e da cor aos lugares que os filhos frequentam e dos quais, certamente, ouvem contar histórias, mais ou menos fantásticas, mas todas elas com a marca indelével de quem viveu e vive nesta casa.
Finalmente, as minhas palavras de agradecimento. Não tão só pelo convite em cooperar num projeto que assinala os 75 anos do Colégio Luso-Francês, mas pelas memórias que esse projeto desencadeou, fazendo acordar um imaginário adormecido, sufocado pelo tumulto voraz dos dias que se atropelam e que, muito raramente, nos dão tréguas para apreciarmos o que a vida nos oferece de sonho e de encantamento.
Muito obrigada a todos que, nesta casa, me ajudaram a crescer – irmãs, professores, auxiliares, colegas – a quem eu regressei e quem reencontrei nas páginas deste livro.
 
Marina Soares (Designer)

Missa dos Quilombos


A propósito do estudo do Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira, acérrimo defensor da liberdade dos índios brasileiros, um grupo de alunos do 11ºano assisitiu a uma espetáculo musical único. A iniciativa partiu da Pastoral do Colégio.
 
Um elenco de 21 atores e oito músicos dá corpo a uma das obras mais emblemáticas de Milton Nascimento: Missa dos Quilombos. Uma obra histórica, com textos do arcebispo Pedro Casaldáliga e do poeta Pedro Tierra, estreada em 1981 e revisitada nos últimos dez anos pela Companhia Ensaio Aberto, uma estrutura carioca de forte vocação crítica e política. Missa dos Quilombos instala-nos numa central elétrica com várias dezenas de máquinas diferentes, trazendo para a linha da frente a história dos negros no Brasil. Adotando a estrutura padrão de uma missa, o espetáculo cruza o ritual católico e expressões da cultura afro-brasileira, numa sinestésica fusão de sons, cores, cheiros, danças e ritmos.
 
Com direção de Luiz Fernando Lobo, esta “missa revolucionária” canta uma história de opressão, mas também uma esperança indómita e um desejo imenso de liberdade.
(Texto adaptado do sítio do TNSJ)
Enviado por Auxília Ramos
 

domingo, 11 de novembro de 2012

"Payassu - O Verbo do Pai Grande"

 

 
O Teatro de Formas Animadas (TFA), numa digna homenagem a Padre António Vieira, fez a adaptação de um dos seus mais belos textos litúrgicos, o Sermão de Santo António aos Peixes. Com encenação / interpretação de Marcelo Lafontana e dramaturgia de José Coutinhas, o espetáculo realizou-se na capela do Colégio, no dia 6 de novembro.

A propósito do título do espetáculo – Payassu –, repleto de exotismo, e visando uma melhor compreensão do mesmo, lembramos que Payassu significa "Pai Grande", sendo deste modo que os índios brasileiros, os tapuias, como generalizava Vieira, tratavam, carinhosamente, o padre que defendeu a sua alforria.


 Ficam algumas imagens do espetáculo:

 


 





 
Enviado por Auxília Ramos

domingo, 4 de novembro de 2012

Colóquio internacional "100 anos de Jorge Amado": Lisboa, Coimbra e Porto

 

Colóquio internacional "Amor de Perdição: olhares cruzados"



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nuno Crato, José Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, Laborinho Lúcio, Bigotte Chorão, Mário Cláudio e João Lopes são apenas alguns dos nomes – que não necessitam de apresentações – que vão marcar presença no colóquio internacional “Amor de Perdição: Olhares Cruzados”, nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide. A iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão insere-se nas comemorações dos 150 anos da publicação de “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco. Ao longo de três dias, a Casa de Camilo é palco de uma grande homenagem ao homem, ao escritor e ao romancista Camilo Castelo Branco, mas principalmente a uma das suas grandes obras “Amor de Perdição”.
 
O evento é de entrada livre, mas sujeito a marcação através do contacto geral@camilocastelobranco.org.

Ainda a propósito de Camilo, o documentário "Camilo e outras vozes", produzido por Carlos Brandão Lucas, é transmitido por ocasião do ciclo de Camilo Castelo Branco no CCB.


Clicar na imagem para aceder ao vídeo.
"Camilo" é o romancista e as "outras vozes" são as de personalidades como João Bigotte Chorão, Mário Cláudio, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Magno, Gaspar Martins Pereira, António Pires Cabral e Eugénio Lisboa, entre outras, que falam da sua vida e da sua obra.
O documentário de 55 minutos, que estreou em 2007, foi encomendando pela câmara de Vila Nova de Famalicão, localidade onde o romancista viveu e morreu. Camilo suicidou-se na freguesia de S. Miguel de Ceide, onde Ana Plácido, a mulher com quem viveu e de quem teve dois filhos, possuía uma casa.
 
Sugestão enviada por Auxília Ramos

Livres como livros

Uma iniciativa conjunta da Universidade do Porto e da Câmara Municipal do Porto para promover a leitura. Clicar na imagem para aceder ao vídeo de apresentação e ao programa:



 
 
Sugestão enviada por Auxília Ramos


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Lobo Antunes na Escritaria 2012



Vale a pena ouvir a entrevista à TSF, sobre a homenagem, em Penafiel (clicar na imagem):

 
Sugestão enviada por Auxília Ramos e Lina Soares.









 



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

90 anos de Saramago em Nova Iorque



















Os 90 anos do nascimento de José Saramago, falecido em 2010 aos 87 anos, vão ser assinalados entre 25 de outubro e 1 de novembro pelo Art Institute de Nova Iorque, numa iniciativa realizada em colaboração com a Fundação José Saramago e o patrocínio de várias entidades.
Para mais informações:

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ainda Manuel António Pina...

O blogue O Mar Parece Azeite (clicar) presta (justa e poética) homenagem.

Sugestão enviada por Auxília Ramos.

domingo, 21 de outubro de 2012

Ainda Manuel António Pina...

Manuel António Pina e Fernando Pessoa: o fingimento poético
(retirado de http://www.educaremportugues.com/)

   "Eterna criança, o homem é naturalmente atraído pelo carácter fundamentalmente lúdico que anima todas as formas de arte, pelos jogos de palavras, pelo misterioso poder que têm as palavras, não só para designar o  mundo, mas também para criar o mundo. De facto, a literatura é, sobretudo, uma arte de fazer de conta; é, como Blanchot diz, ilusão; ou fingimento, como, por sua vez, diz Pessoa. Quando lemos um livro, suspendemos a incredulidade. À porta de qualquer obra literária está sempre a inscrição: “Para aqui entrares, tens que fazer de conta que acreditas”.

   O poeta [a poesia é o campo de observação por excelência da literatura pois a poesia é, talvez, literatura em estado puro] o poeta, dizia eu, escreve, ou faz de conta, com a mesma seriedade com que uma criança  brinca. As fronteiras teóricas entre literatura e verdade, entre Dichtung e Wharheit, são, como nos jogos infantis, hesitantes e imprecisas. Para os românticos [e românticos, ou seus herdeiros, todos nós somos, ou ainda menos] a dor é a mãe de toda a verdadeira poesia. Mas a dor e o sofrimento sinceros, isto é, sem fingimento, são a mãe [e o pai, e a família toda] da maior parte da má poesia que se escreve. Muita da grande poesia pode ter nascido da dor, mas o que a autonomiza da dor e a diferencia do mero espasmo doloroso é o fingimento, a capacidade de o poeta fingir “a dor que deveras sente” tornando-a poeticamente verdadeira. A poesia é forma, e essa é a sua verdade. Se a dor do poeta que eventualmente terá gerado o poema é “verdadeira” ou “falsa”, a sua verdade por assim dizer “vivida”, é assunto, como diz Jacobson, com interesse apenas para a Medicina Legal. (...)

   Na poesia, as palavras e as suas relações são as formas que os nossos sentimentos ou a memória deles tomam. Com elas, o poeta, como a criança brincando, cria, escrevendo, uma verdade outra, tão ou mais verdadeira. Uma verdade autónoma, cuja autenticidade não depende da verdade ou  da não-verdade do sentimento [e quem diz sentimento diz pensamento ou mera impressão ou emoção] que eventualmente lhe terá estado na origem. "
 
Texto completo aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Homenagem a Manuel António Pina

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’

Manuel António Pina

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

França condecora a escritora Dulce Maria Cardoso

A edição dos livros Campo de Sangue (2002), Os Meus Sentimentos (2005) e Até Nós (2008), já traduzidos em França e noutras línguas, valeu à escritora Dulce Maria Cardoso (n. 1964) a condecoração francesa de Cavaleira da Ordem das Artes e Letras.
 
O Ministério da Cultura francês justifica a distinção pelo papel que a obra da escritora tem na "irradiação da cultura em França e no mundo".
 
Criada em 1957, a condecoração da Ordem das Artes e das Letras corresponde a uma das mais altas distinções honoríficas da República Francesa e homenageia personalidades que se destacaram pela sua contribuição na difusão da cultura em França.
 
Dulce Maria Cardoso, que em 2009 recebeu o Prémio Europeu de Literatura pelo romance Os Meus Sentimentos, é autora do livro de contos Até Nós e do romance O Chão dos Pardais publicado em Portugal em 2009. Em 2011 publicou O retorno, sobre a experiência dos retornados, da descolonização de Angola (de onde saiu na infância, via Ponte Aérea), do fim do Império e das suas consequências no Portugal contemporâneo. O romance foi considerado pela crítica como o melhor do ano e venceu ainda o prémio especial da crítica nos Prémios LER/Booktailors 2011.
 
A escritora nasceu em Trás-os-Montes em 1964, passou a infância em Angola e vive agora em Lisboa. Formou-se na Faculdade de Direito de Lisboa e o seu primeiro romance Campo de Sangue recebeu o Grande Prémio Acontece de Romance.
 
in "Ípsilon", revista cultural do Público, aqui.
 


 


terça-feira, 16 de outubro de 2012

CCB no CCB

 

        Consultar o programa aqui.

sábado, 13 de outubro de 2012

Prémio Nobel da Literatura para Mo Yan

Direitos de autor: WOOK. Clicar na imagem para aceder à bibliografia do autor.
 
A Academia Sueca atribuiu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura ao escritor chinês Mo Yan.
Um dos mais celebrados escritores no seu país, embora não isento de polémica, Mo Yan faz habitar a sua obra de um humanismo compassivo, habitualmente centrado na ruralidade da localidade em que nasceu a 5 de Março de 1955, Gaomi, na província de Shandong. O escritor, que lançou o seu primeiro romance, Falling Rain On a Spring Night, em 1981, mereceu a mais nobre distinção do mundo da literatura por ser, segundo comunicado pelo comité do Nobel, um autor "cujo realismo alucinatório funde contos tradicionais, História e contemporaneidade". A sua escrita, como é aliás reconhecido pelo próprio, é grandemente influenciada por William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez.
in Público, 11 de outubro de 2012. Ver artigo completo aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Conto inédito de Sophia

A notícia foi publicada no Jornal de Letras:
 
"Os Ciganos", conto inédito de Sophia
 
 
É sabido que quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto. Mas não é esse o caso de Os Ciganos. Trata-se antes de uma história a quatro mãos, quase um pergaminho ou uma 'jóia de família'. É um conto inédito e inacabado de Sophia de Mello Breynner Andresen e concluído pelo neto, o jornalista Pedro Sousa Tavares. Vai ser lançado pela Porto Editora, com uma sessão de apresentação, a 16, às 19, na livraria Bertrand Chiado. A Porto Editora, como o JL pode adiantar, adquiriu, de resto, todos os direitos de publicação da obra em prosa de Sophia. A 6 de novembro, data de aniversário da escritora, serão lançados os primeiros títulos com a chancela: A Menina do Mar, com ilustrações de Fernanda Fragateiro, A Fada Oriana, com ilustrações de Teresa Calem, e Quatro Contos Dispersos, ilustrados por João Caetano. Os Ciganos, em pré-lançamento nas livrarias virtuais, tem ilustrações de Danuta Wojsiechowske.
 
Foi na Primavera de 2009 que Maria Andresen, poetisa e professora universitária, a filha de Sophia que tem cuidado do seu espólio, se deparou, entre outros inéditos, com um conto enunciado, iniciado e intitulado Os Ciganos, que surpreendeu desde logo pela "singularidade" no universo das suas obras para crianças. "Há algo de inesperado neste início de uma história, quer por aquilo que conta, quer por aquilo que não chega a contar", escreve Maria Andresen no prefácio. "Em vários contos, há semelhanças com o que aqui chega a ser contado, mas ao mesmo tempo, muitas dissemelhanças".
Embora não estivesse datado, nomeadamente por comparação caligráfica, deduz-se que tenha sido escrita em meados dos anos 60. E parece vocacionado para o público juvenil. Curiosamente, termina no preciso momento da narrativa em que o personagem Ruy, que "já não era um rapaz pequeno, mas ainda não era um rapaz crescido", como escreve Sophia, e "pensava na liberdade", saltava o muro para descobrir o mundo do outro lado, na senda de um grupo de ciganos. "Neste conto, o muro foi saltado, o jovem partiu, mas é aí que a narradora emudece, como que tão perturbada quanto Ruy pelo que se poderá seguir", escreve ainda Maria Andresen.
 
Por si, esse início pareceu-lhe ter uma unidade e fazer sentido trazê-lo à "luz do dia". Mas mais tarde, quando se pensou na sua publicação, pôs a hipótese de esse início funcionar como um "motivo literário aberto a ser continuado por outras mãos". E pensou no irmão, Miguel Sousa Tavares, atendendo à circunstância de ter publicado também livros infanto-juvenis. Porém, o escritor quis ouvir os filhos. A questão que se impunha era mesmo saber da pertinência da publicação deste conto. "Criminoso" seria não o fazer, não hesitou responder Pedro Sousa Tavares. É que achou tão "bom" o que leu que seria pena não o divulgar. "Era um início quase como um guião. Estavam lá todos os sinais do que iria ser a história", adianta o jornalista ao JL. "Corresponde a cerca de um terço do livro e, de alguma maneira, acabava no momento em que ia começar a desenvolver-se". Pensa, aliás, compreender as razões por que a avó deixou de lado esse original: "É uma história que tem sentidos distintos dos seus livros infantis. A relação entre o rapaz e a rapariga é diferente e são de mundos diferentes. Talvez isso tivesse criado algumas dificuldades na continuação da história", salienta. Pedro Sousa Tavares não se limitou portanto a pugnar pela sua publicação, teve algumas ideias para dar continuidade a essa narrativa que a avó deixara interrompida há tanto tempo. O mesmo é dizer que encontrou o fio da meada ficcional. Avançou essas ideias ainda sem pensar concretizá-las. A sua escrita é outra, ainda que secretamente tenha os seus escritos literários na gaveta. Talvez haja mesmo um qualquer gene responsável pela predisposição literária. E a questão se pode ser de ADN, tornou-se sem dúvida de família, já que a tia, Maria Andresen, acolheu bem as sugestões e disse-lhe que acabasse então a história da avó. Houve uma espécie de coincidências do destino, pois tinha acabado de nascer o seu segundo filho e a licença de paternidade permitiu-lhe mais tempo disponível para escrever. Tudo se conjugou para um final feliz.
 
Dar seguimento a uma narrativa de Sophia não é tarefa fácil, mesmo sendo no caso a avó, que lhe havia contado muitas e até explicado como as começara a escrever para os filhos, por achar que as existentes não a satisfaziam. Pedro Sousa Tavares não ignorava as "implicações", as possíveis consequências ou desconfianças. Mas confessa que nem pensou duas vezes: "Era uma oportunidade que não poderia recusar. Se o fizesse, passaria o resto da vida a pensar o que poderia ter feito daquela história", adianta. E se teve medo, espantou-o com uma certeza tranquilizadora: "Seria absurdo tentar imitar a minha avó, o que resultaria numa caricatura. Pensei sobretudo respeitar o que era essencial na sua escrita: a simplicidade". Dito de outra maneira: Não iria nem tentar escrever como Sophia, mas nunca a perderia de vista na memória, enquanto escrevesse. E assim fez. "A verdade é que Sophia está em todo o livro, num excerto que ela escreveu e aparece na minha parte, nas descrições de personagens que têm as características dela", diz ainda. Seguiu o seu rumo, a "mensagem que a história tinha inscrita nas primeiras linhas". Espera agora que Os Ciganos sejam lidos como um "todo". As partes de Sophia e de Pedro Sousa Tavares estão devidamente diferenciadas, mas os leitores por certo, mesmo dando pelas diferenças, vão seguir a leitura sem sobressaltos. "A minha esperança é que, ao fim de algumas páginas, esqueçam as diferenças e sigam apenas a história e a apreciem como tal. Se isso acontecer, já fico satisfeito".
 
E se a avó Sophia, de algum modo, lhe legou este "presente", também lhe transmitiu um ensinamento que agora, porventura como nunca antes, faz sentido: "As histórias têm que merecer ser lidas e cativar os leitores", diz. "Espero ter continuado o que ela estava a fazer bem, nesta história". Tanto mais que vinda do passado, pode falar ao presente. "É um livro sobre a transcendência, sobre a vontade de ir além do que os outros esperam. E sobre a importância de ter sonhos e não desistir deles. Também por isso acreditei que era uma história que fazia sentido nos tempos que correm, sobretudo para os mais novos", sublinha. "Isto além do próprio tema, os ciganos, que é pouco tratado, ainda menos na literatura infantil e juvenil. E curiosamente esta história chegou-me numa altura em que os ciganos estavam a ser expulsos de França. Parece mesmo que estava destinada a ser contada".
Maria Leonor Nunes, 2 de outubro de 2012 

sábado, 29 de setembro de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado: 100 anos a escrever o Brasil

   O Lusografias celebra, hoje, o centenário do nascimento do escritor Jorge Amado.  São várias as iniciativas que assinalam a data, entre as quais destacamos a exposição da Biblioteca Nacional ("Jorge Amado em Portugal"), sobre a receção (polémica) da sua obra, nos anos trinta, no nosso país.  




 A Fundação José Saramago propõe um dia de festa, com exibições de capoeira, leituras públicas e comida brasileira (nos restaurantes vizinhos) - uma explosão de alegria para homenagear o escritor que festejava a vida em todos os seus romances.












 O Jornal de Letras publica uma edição especial:


 Vale também a pena visitar a sua Fundação, na Baía (clicar na imagem, para aceder à página):


Deixamos um vídeo muito curioso; nele Jorge Amado atribui o seu gosto pela leitura a um professor português, o Padre Gonzaga Cabral, que anteviu no talento precoce do aluno o génio de futuro escritor...



 No seu livro de memórias, confessava, sobre a leitura:

"Se devoro livros até hoje, eu o devo ao pai Dumas, o mulato Alexandre, foi ele quem me deu o gosto de ler, o vício: aos onze anos encontrei abandonado no navio para Itaparica o exemplar de Os Três Mosqueteiros, contraí o vírus da leitura para sempre.
Devo a Rabelais e a Cervantes, deles nasci. Devo a Dickens: me ensinou que nenhum ser humano é de todo mau, a Gorki: me deu o amor aos vagabundos, aos vencidos da vida, os invencíveis. Devo a Zola, com ele desci ao fundo do poço para resgatar o miserável, a Mark Twain devo ter soltado o riso, arma de combate, a Gogol, o nariz, as botas e o capote.
Devo a Alencar o romantismo e a selva, a Manuel António de Almeida a graça da picardia, do burlesco, na praça do povo soltei o verbo com Castro Alves, denunciei a infâmia, com Gregório de Matos aprendi a generosidade do insulto, fui boca de inferno, cuspi fogo, pela sua mão descobri as ruas da Bahia, o pátio da igreja (...).
Devo ao cronista anónimo do Mercado, ao contador de casos da feira de Água dos Meninos, ao trovador devo o arroubo, a invenção ao mestre de saveiro: namorou Yemanjá nas cercanias da ilha de Itaparica, dormiu com Oxum no leito de águas mansas do rio Paraguaçu, possuiu Euá na cachoeira de Maragogipe, derrubou-a na fonte de caracóis e pétalas de rosa. É necessário saber e inventar.
Devo ao poeta de cordel, devo."
Jorge Amado, Navegação de Cabotagem


E, por fim, algumas das capas dos seus livros mais conhecidos: