sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Oficina de Escrita - 8ºAno (Crónica)

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O típico português
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Em Oficina de Escrita, os alunos redigiram, em estaleiro e em conjunto, uma crónica sobre o típico português. Longe vão os tempos do Zé Povinho, mas há traços que nunca mudam... Aqui fica o resultado por turma:
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O Zé, como típico português que é, há já nove séculos que segue a tradição remota, arcaica e ancestral de comodismo, falta de cultura, ignorância, materialismo e de sedentarismo.
O sagaz lusitano é um espécime em vias de extinção na bela Europa… Ao contrário dos europeus, que já abandonaram a letargia, nós aparentemente optámos por esse rumo.
Somos provincianos e pacóvios, irremediável e eternamente atrasados. Vivemos num qualquer bairro de subúrbio, nos arredores de uma qualquer cidade, de uma qualquer Chelas, Bobadela, Amadora, Ermesinde…Moramos num T3+1, recheado com plasmas, LCD’s, consolas, sistemas de som, computadores Magalhães, frigoríficos, microondas, máquinas de lavar e secar… Tudo pago a prestações…Tudo pago recorrendo ao mesmo crédito pessoal das férias do Algarve ou da viagem a Palma de Maiorca. Tudo pago recorrendo ao mesmo crédito pessoal utilizado para pagar as prestações do Punto Gt e das roupas D&G da Maria e da Tânia Vanessa.
O verdadeiro português ou é Presidente da Junta, ou vive do subsídio de desemprego ou do rendimento social da inserção. O verdadeiro português não suporta trabalhar; vive a arrastar-se pela tasca, pelo centro comercial e apodrecendo no sofá a ver o jogo (sempre acompanhado da fiel cerveja e do fatal cigarro). Aliás, o verdadeiro português só abandona o sofá, após o euromilhões, por razões de estado e de força maior: ou porque é obrigado a deslocar-se vagarosamente ao frigorifico(a Maria não está…), ou porque o Olivais do seu coração joga em casa nesse fim-de-semana.
Só então, ao Domingo, pega no seu Punto, liga o GPS pago a prestações, sintoniza o relato e faz-se à estrada, de braço de fora, palito no canto da boca, barriga a roçar o volante, pronto para insultar o próximo e assobiar (vomitando um piropo) a “brasa” que está a atravessar a rua.
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8B
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Portugal, esse “Portugal tão português”, “à beira-mar plantado”, produz e exporta o que de melhor possui: a ignorância, a falta de cultura, o fracasso, o fanatismo pelo futebol, os “Morangos com açúcar”, o conservadorismo, o consumismo e o comodismo.
O típico português gasta 50.000€ num Mercedes em segunda mão (pago a prestações, claro!), mas não compra o kit de primeiros socorros, porque, segundo ele, é muito caro...
Para o típico português, Domingo sem shopping, não é Domingo. Isto porque no Domingo vai tudo ao shopping, até o cão e a sogra. O cão fica na mala a salivar e cheio de calor à espera do dono. A sogra fica na zona da alimentação, entretida a folhear revistas cor-de-rosa.
O típico português faz os 2 km de casa ao emprego e do emprego a casa de carro e sempre com GPS, para o caso de se perder.
No café, na tasca, na rua, o típico português é o primeiro a criticar o governo, entre o jogo de futebol, a imperial e a sueca. No entanto, jamais lhe passa pela cabeça exercer o seu direito de voto ou queixar-se oficialmente. Aliás, em dia de eleição, o típico português é o campeão da abstenção. Ou está na praia, ou está no shopping
O típico português está sempre nos últimos lugares dos rankings europeus e nos primeiros lugares da corrupção, da crise, do alcoolismo, da obesidade, etc., etc. .
O típico português tem todos os filhos baptizados, comungados, crismados… sem nunca ter posto os pés na igreja!
Ao Sábado à tarde vemos todos estes típicos portugueses (que por acaso somos todos nós…) na praia, com o seu farnel na berma da estrada, a petiscar salgadinhos, panadinhos e coxinhas de frango.
Tudo isto se deve, afinal, à falta de algo que a nossa pequena massa cinzenta lusitana desconhece por completo: cultura...
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8D
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O típico português acorda tarde e a más horas. Arrasta-se até à cozinha, mas pelo caminho tropeça invariavelmente nos trapos espalhados pelo corredor.
Delicia-se com tosta do pão do dia anterior, enquanto assiste ao telejornal no plasma comprado a prestações. Vibra durante 20 minutos com as notícias da selecção nacional, que já conhecia d' A Bola. Em seguida, deleita-se com mais 20 minutos de drama, de tragédia, de horror: desastres de viação, incêndios, assaltos, carjacking, assassínios, corrupção, etc, etc.
Já vestido, tendo desistido de se barbear, deixa o seu T2 pago a prestações e dirige-se à tasca do Zeca. Com o equipamento da selecção, “Ronaldo” nas costas, manchas de suor e nódoas de gordura passeando pela t-shirt de manga cavada, o colar de ouro refulgindo no pescoço; emborca a sua imperial e traga uns tremoços…
Regressa a casa, percorrendo os longos e remotos 2 km no seu Punto (pago a prestações, claro!), de jantes especiais BBS, com a preciosa e indispensável ajuda do GPS (não vá perder-se, devido aos litros a mais!). Pelo caminho, vai palitando os restos, cofiando o bigode e coçando a sua colossal “barriga de cerveja”.
Depois de insultar os transeuntes distraídos e os condutores com que se cruza, estaciona cuidadosamente o carro, certificando-se de que os larápios do bairro não lhe levem as relíquias (o último CD do Tony Carreira, o rosário de Nossa Senhora de Fátima, o pirilampo mágico, a bandeira de Portugal do Euro 2004, já descolorida, as toalhas de praia que forram os estofos, o colete reflector, o peluche e o cachecol da selecção…).
Como verdadeiro lusitano, passa a tarde inteira a atrofiar no sofá, alimentando a obesidade mórbida e ansiando pelo jogo da noite, enquanto a Maria prepara o jantar.
O dia atribulado e cansativo termina finalmente e o típico português, aliviado, suspira, já na cama: “Abençoado subsídio de desemprego e viva o rendimento social de inserção!”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Concurso de sites e blogues sobre Inês de Castro

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O concurso “Inês de Castro” está na Internet desde segunda-feira para lançar um desafio: fazer o melhor site ou blogue sobre o romance de D. Pedro e D. Inês de Castro. O prazo para as inscrições termina em Março de 2009, numa competição destinada a alunos dos ensinos básico e secundário.
A ideia é reinventar a famosa lenda sobre a paixão do príncipe de Portugal, futuro rei D. Pedro I, por Inês de Castro, filha de um mordomo do rei de Castela. A trágica história – que terminou com o assassinato de Inês, a mando do rei Afonso IV, pai de D. Pedro – serve agora de cenário à competição, numa iniciativa da Fundação Inês de Castro, em parceria com o Plano Nacional de Leitura.
Os sites e blogues – que poderão ser criados por um ou mais alunos – terão de ser acompanhados por, pelo menos, um professor e deverão incluir textos da autoria dos concorrentes. Também poderão ser incluídos outros textos, bem como imagens, vídeos e sugestões de leitura.
As inscrições estão abertas até 27 de Março, altura em que as propostas serão avaliadas para premiar os melhores. Os vencedores recebem, para além de Ipods e Ydreams, um cheque-livros e um fim-de-semana num hotel (Algarve, Coimbra ou Porto).Para poderem concorrer, os alunos têm que estar inscritos no Clube de Leituras e preencher uma ficha de inscrição no site do Plano Nacional de Leitura.
in Público

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Prémio Nobel da Literatura 2008

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O Prémio Nobel da Literatura de 2008 foi atribuído a Jean-Marie Gustave Le Clézio. A Academia Sueca caracteriza o autor francês de 68 anos como “um escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante”.
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Nascido a 13 de Abril de 1940 em Nice, no Sul de França, Jean-Marie Gustave Le Clézio é um dos nomes cimeiros da literatura francesa contemporânea. Detentor de um estilo clássico e refinado, assinou um vasto catálogo de mais de 50 romances, contos, ensaios, novelas e mesmo traduções de mitologia ameríndia. A obra de Le Clézio evoca as viagens e os contactos com diferentes culturas, sobretudo da América Latina e de África. Espiritual, a literatura do escritor de Nice privilegia os temas do paraíso perdido e a crítica ao materialismo do Ocidente. “O ponto central da obra do escritor desloca-se cada vez mais na direcção de uma exploração do mundo da infância e da própria história familiar”, sublinha a Academia Sueca.
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Le Clézio é formado em Letras e trabalhou na Universidade de Bristol, em Londres. Aos 23 anos foi distinguido em França com o Prémio Renaudot pelo ensaio “Le procès-verbal”. Em 1967, após uma experiência de ensino nos Estados Unidos, partiu para a Tailândia em serviço militar. Acabaria por ser expulso depois de denunciar a prostituição infantil, rumando então ao México. Entre 1970 e 1974, Le Clézio viveu junto de índios do Panamá. Durante os anos de 1970, trabalhou no Instituto da América Latina.
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Fonte: RTP

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ainda Fernando Pessoa...

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Tomo a liberdade de trancrever o post de ontem de José Saramago, no seu blogue, sobre Fernando Pessoa. É dos grandes textos sobre o drama pessoano:


"Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, como se fosse a primeira vez. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um camões muito maior que o antigo, mas, sendo uma pessoa conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca visto antes em Portugal. Naturalmente, a sua vida era feita de dias, e dos dias sabemos nós que são iguais mas não se repetem, por isso não surpreende que em um desses, ao passar Fernando diante de um espelho, nele tivesse percebido, de relance, outra pessoa. Pensou que havia sido mais uma ilusão de óptica, das que sempre estão a acontecer sem que lhes prestemos atenção, ou que o último copo de aguardente lhe assentara mal no fígado e na cabeça, mas, à cautela, deu um passo atrás para confirmar se, como é voz corrente, os espelhos não se enganam quando mostram. Pelo menos este tinha-se enganado: havia um homem a olhar de dentro do espelho, e esse homem não era Fernando Pessoa. Era até um pouco mais baixo, tinha a cara a puxar para o moreno, toda ela rapada. Com um movimento inconsciente, Fernando levou a mão ao lábio superior, depois respirou fundo com infantil alívio, o bigode estava lá. Muita coisa se pode esperar de figuras que apareçam nos espelhos, menos que falem. E porque estes, Fernando e a imagem que não era a sua, não iriam ficar ali eternamente a olhar-se, Fernando Pessoa disse: “Chamo-me Ricardo Reis”. O outro sorriu, assentiu com a cabeça e desapareceu. Durante um momento, o espelho ficou vazio, nu, mas logo a seguir outra imagem surgiu, a de um homem magro, pálido, com aspecto de quem não vai ter muita vida para viver. A Fernando pareceu-lhe que este deveria ter sido o primeiro, porém não fez qualquer comentário, só disse: “Chamo-me Alberto Caeiro”. O outro não sorriu, acenou apenas, frouxamente, concordando, e foi-se embora. Fernando Pessoa deixou-se ficar à espera, sempre tinha ouvido dizer que não há duas sem três. A terceira figura tardou uns segundos, era um homem daqueles que exibem saúde para dar e vender, com o ar inconfundível de engenheiro diplomado em Inglaterra. Fernando disse: “Chamo-me Álvaro de Campos”, mas desta vez não esperou que a imagem desaparecesse do espelho, afastou-se ele, provavelmente tinha-se cansado de ter sido tantos em tão pouco tempo. Nessa noite, madrugada alta, Fernando Pessoa acordou a pensar se o tal Álvaro de Campos teria ficado no espelho. Levantou-se, e o que estava lá era a sua própria cara. Disse então: “Chamo-me Bernardo Soares”, e voltou para a cama. Foi depois destes nomes e alguns mais que Fernando achou que era hora de ser também ele ridículo e escreveu as cartas de amor mais ridículas do mundo. Quando já ia muito adiantado nos trabalhos de tradução e poesia, morreu. Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade, aos 47 anos, imagine-se. Um momento antes de acabar pediu que lhe dessem os óculos: “Dá-me os óculos” foram as suas últimas e formais palavras. Até hoje nunca ninguém se interessou por saber para que os queria ele, assim se vêm ignorando ou desprezando as últimas vontades dos moribundos, mas parece bastante plausível que a sua intenção fosse olhar-se num espelho para saber quem finalmente lá estava. Não lhe deu tempo a parca. Aliás, nem espelho havia no quarto. Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos."

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pessoa(s) - 12ºAno

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Fernando Pessoa (ante)visto pelos alunos
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O Lusografias alargou novamente o seu âmbito a outras turmas e respectivas professoras. É a vez do 12ºano. Em Oficina de Escrita, foi solicitado aos alunos que antecipassem e tentassem sondar a dimensão e a alma de Fernando Pessoa. Eis o resultado:
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Repudiei sempre que me compreendessem. Ser compreendido é prostituir-me. Prefiro ser tomado a sério como o que não sou, dizia.

A complexidade física e poética de Fernando Pessoa sempre acompanhou a imagem que guardo daquele que é o maior poeta português do século XX. Uma sufocante sede de normalidade, que tentou saciar toda a sua vida, em vão. O entendimento (demasiado) profundo da alma e da realidade do Homem racionalizou-lhe o coração e consciencializou-lhe a ingenuidade.

Penso, logo existo, diria Descartes? Ah! Pessoa viveu a pensar e levou uma existência despercebida na sociedade do seu tempo. Foi um rasgo desintegrado de genialidade. Levou uma vida social apagada, excluído biologicamente pela anormalidade pensante do seu coração.

Eu sempre o imaginei sozinho. Num quarto despido e impessoal, no centro de Lisboa. Uma secretária. Uma garrafa e papel, onde se buscava em heterónimos e em palavras. Onde racionalizava sentimentos e procurava, em vão, a felicidade ingénua da inconsciência. E ele fascina-me sempre e, de cada vez que o leio, aumenta em mim a vontade de o conhecer intrinsecamente, por dentro. De sentir exactamente o que Pessoa sentia. De perceber o que foi para ele sentir-se ser desconforme, ao querer renegar o que tantos procuram alcançar durante toda a vida - o entendimento profundo da alma e do Homem.
Mas não. Fernando Pessoa não se prostituiu. Jamais.

Inês Viterbo 12ºD


Num outro momento, os alunos partiram de uma citação de António José Saraiva:

“Fingir a dor que deveras sente: este enunciado resume o problema essencial da literatura. A dor sentida é a realidade, o seu fingimento é a literatura.”, António José Saraiva, in “Ser ou não ser arte”




Lisboa, 15 de Setembro de 1910

Desiludo-me. Por muita razão que tenhas quando me dizes que “a palavra é a arma mais poderosa de todas”, apercebo-me de que há dores que não se dizem. Mesmo tendo eu esse “domínio manipulador das palavras”, de que me falavas.
Tudo isto é um fingimento. A literatura é fingimento. As palavras são insuficientes – morrem na praia do que sinto – e todos estes floreados, a mim, parecem-me fictícios, não atingem plenamente a expressividade que quero dar-lhes. E que “sujeito poético” fingido que eu devo ser, não?
Ora essa! Não compreenderão o que digo, porque não me compreendem e, portanto, não sentem a minha dor. Talvez reinventem a dor inventada de um sujeito poético que não passa de uma invenção deles!
E se eles não sentem a dor que eu senti, meu caro amigo, nem sequer a que passei para o papel, de que se trata tudo isto, então? De um fingimento. Que nunca atingirá a pureza do sentimento original. Por minha culpa – que alimento este desejo de racionalizar-me -, por culpa das palavras – que não se bastam -, e por culpa deles – que querem compreender-me.

Fernando Pessoa (por Inês Viterbo)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Ainda Machado de Assis...

Recebi, por mail, um texto interessante sobre Machado de Assis, enviado pela Drª Auxília Ramos:



É quase impossível passar hoje por uma livraria brasileira sem notar o destaque dado a um escritor que muitos em Portugal apenas conhecem de nome. Não se trata de Jorge Amado nem de Graciliano Ramos. O homem que tem obras em todas as vitrines usava óculos e bigode. Era filho de uma lavadeira açoriana e de um pintor mulato, por sua vez filho de escravos. Chamava-se Machado de Assis (1839–1908) e há uma quase unanimidade da crítica em apreciá-lo como o maior escritor de sempre da grande nação sul-americana. Harold Bloom considera-o «até hoje, o supremo escritor de origem negra». Agora, que se assinala o centenário da sua morte, ocorrida a 29 de Setembro, há escaparates inteiros com os seus livros. Há exposições nas bibliotecas. Por toda a cidade do Rio de Janeiro, onde Machado nasceu, viveu e morreu, há cartazes e bonecos de pano que o representam e chamam a atenção para as suas muitas reedições, biografias e estudos.
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Machado viveu momentos de grandes mudanças. Viveu o fim da escravatura no Brasil e a implantação da República. Protagonizou a transição do romantismo literário para o realismo. Nesse percurso, criticou o romance Primo Basílio, de Eça de Queirós, vindo-se depois a arrepender de outras críticas ao escritor português. Na realidade, Machado foi homem de poucas polémicas, preferindo intervir pela subtileza da sua criação literária — onde há muito a ler, nas linhas e nas entrelinhas.
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Entre as formas de homenagem que os brasileiros escolheram há a reposição de uma peça de teatro quase desconhecida — a última do escritor. É a Lição de Botânica (1908), uma farsa em que um cientista rigoroso tenta evitar uma jovem enamorada, por achar que não há espaço no seu coração para dois amores. Dividido entre a ciência e a paixão, queria resistir à segunda para melhor se dedicar à primeira. Imagina-se que perderá a batalha.
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Na Casa de Ciência da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, um extraordinário estabelecimento de investigação científica na periferia do Rio de Janeiro, a farsa é representada para deleite dos espectadores jovens. No final discute-se a visão de Machado, que insistia na necessidade de concórdia entre a razão e a emoção.
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Se esta peça de teatro é uma das obras menos conhecidas de Machado, já a segunda discutida pelos brasileiros neste âmbito de comentário científico é uma das mais lidas — e uma das mais consideradas. Trata-se do conto ou novela O Alienista (1882), em que um alienista, ou seja, um médico de loucos, resolve tratar por métodos pretensamente científicos todos os habitantes da sua cidade. Ao longo das cinquenta páginas da ficção, Machado ridiculariza a pretensão cientifista então em voga no Brasil.
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Os positivistas brasileiros, que tiveram um papel determinante na implantação da república em 1889, eram seguidores do filósofo francês Auguste Comte e pretendiam gerir a sociedade e moldar a mente humana por métodos ditos científicos. Era a ambição de tudo submeter ao racionalismo extremo, que transforma o desejo de progresso na recusa da diferença.
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Se o leitor não conhece Machado de Assis, O Alienista é uma obra excelente para começar. Daí siga directamente para os romances mais conceituados: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro. Mas se quer uma opinião pessoal, não perca, sobretudo, o extraordinário Memorial de Aires...
«Expresso» de 27 de Setembro de2008.
Nuno Crato

domingo, 28 de setembro de 2008

Machado de Assis - Centenário

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Encontrei na Revista Ler a referência a este sítio dedicado ao escritor brasileiro Machado de Assis. Assinala-se hoje o centenário da sua morte, no Rio de Janeiro, a 29 de Setembro de 1908.
Se clicarem na imagem têm acesso ao sítio.




Machado de Assis é o fundador da cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras, tendo ocupado por mais de dez anos a sua presidência. Foi, aliás, o seu primeiro presidente.
O crítico norte-americano Harold Bloom considerou-o um dos cem maiores génios da literatura de todos os tempos (chegando ao ponto de considerá-lo o melhor escritor negro da literatura ocidental), ao lado de clássicos como Dante, Shakespeare e Cervantes.




De origens humildes e órfão desde tenra idade, Machadinho (como era chamado no colégio) foi vendedor, doceiro, tipógrafo e autodidacta. Tornar-se-ia um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude.Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como O Corvo, de Edgar Allan Poe. Posteriormente, estudou alemão.

Em 1855, aos quinze anos, estreou-se na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Colaborou intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.

A sua obra, incialmente influenciada pelo Romantismo, viria, numa fase seguinte, a enveredar pelo Realismo. Memórias Póstumas de Brás Cubas marcaria precisamente a introdução daquela corrente no Brasil. O livro, extremamente ousado, é escrito por um defunto e começa com uma dedicatória inusitada: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas" .






Destaco ainda a minha primeira leitura do autor, Dom Casmurro. É impossível, enquanto leitor, ficar indiferente à escrita maleável e inteligente de Assis (discípulo de Eça) e ao charme das olheiras de Capitu, uma das personagens.
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É um nome fundamental e incontornável que aconselho vivamente. Aproveito este centenário para, em jeito de homenagem, exortar a ler literatura da lusofonia, tão injusta e frequentemente afastada dos programas e dos manuais e tão preconceituosa e estranhamente rejeitada e ignorada pelos alunos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O que andamos a ler - 11ºAno Oficina de Leitura





Oficina de Leitura dedicada ao Brasil e a Padre António Vieira

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Caderno de Saramago



Notícia de um novo endereço na blogosfera: um blogue de José Saramago, dinamizado pela Fundação homónima. Muito pessoal, é nítido o cunho do Nobel que, após um período de fragilidade, mantém a mesma irreverência de sempre...
Deixo a mensagem de abertura, de hoje:


"Quando em Fevereiro de 1993 nos instalámos em Lanzarote, conservando sempre a casa de Lisboa, meus cunhados María e Javier, que já ali viviam há alguns anos, junto a Luis y Juanjo, recém-chegados, ofereceram-me um caderno que deveria servir de registo dos nossos dias canários. Punham uma só condição: que de vez em quando fizesse menção das suas pessoas. Nunca escrevi nada no tal caderno, mas foi desta maneira, e não por outras vias, que nasceram os Cadernos de Lanzarote, que durante cinco anos veriam a luz. Hoje, sem esperar, encontro-me numa situação parecida. Desta vez, porém, as causas motoras são Pilar, Sérgio e Javier, que se ocupam do blog. Disseram-me que reservaram para mim um espaço no blog e que devo escrever para ele, o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice. Muito mais disciplinado do que frequentemente pareço, respondi-lhes que sim, senhor, que o faria desde que não me fosse exigida para este Caderno a assiduidade que a mim mesmo havia imposto nos outros. Portanto, pelo que isso possa valer, contem comigo."


Podem consultar o blogue aqui.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Regresso(s)...


Em tempo de regresso, deixo o texto de quem regressa infinitamente pela memória. A Francisca escreveu um testemunho emocional e emocionado, marcado pela despedida de um espaço que a viu crescer... É uma homenagem sentida e profundamente humana ao Colégio.

"Estar aqui, na minha missa final do 12º ano, é estranho. Surreal, diria mesmo.
Quando somos pequenos há coisas que parecem tão distantes, e esta é uma delas.
Construímos casas de legos parece que desde sempre, e um dia chegam à nossa beira, dizem-nos: 'és finalista', e é suposto aceitá-lo como se não fosse nada, como se não tivéssemos quase obrigatoriamente de partir daqui para uma faculdade, um mestrado, daí para um emprego, uma casa que não seja de legos e uma família.
Enchemos o peito de ar e pensamos: 'e agora?'.

O ano passado andei uns tempos angustiadíssima a pensar no que será daqui para a frente, (sim, porque este ano não há tempo nem para pensar).
Passeio pelos corredores desta casa desde os meus 5 anos.
Gosto de cumprimentar todas as funcionárias quando vou a correr para as aulas, quando era pequena e ficava cá até tarde as senhoras da cozinha davam-me sempre um pão com manteiga. Sei que as funcionárias do bar me vão perguntar como ando se num dia de maior cansaço ficar mais abatida, e não desisto de agarrar a Celeste mesmo quando ela resmunga e diz que não gosta de beijinhos. Tive o privilégio de trocar correspondência com amigos que também são professores, desde a primária até agora, e a espantosa sorte de conhecer pessoas com histórias incríveis, desde vigilantes, passando por irmãs, até professores que tratam os alunos, antes de mais, como seres capazes de uma evolução humana.
E há também histórias que nos marcam, ouço professores e funcionários falar de alunos antigos, sei que irão falar de nós e de outros que nos seguem, e que um dia falaremos deles aos nossos filhos.

Para este ofertório trouxe os meus cadernos da primária. Quando em pequenos os pais nos lêem histórias de embalar percebemos que é importante aprender a ler para traduzir alguns dos mais inexplicáveis segredos do mundo. As palavras têm o dom da eternidade, e quando o aprendemos há uma porta que se abre para países de muito longe.

Sei da primária que os dias eram curtos, a professora afectuosa e preocupada e que a melhor hora do dia era definitivamente a do almoço, porque me sentava à mesa com os meus melhores amigos. (Mais tarde percebi que isso é 'partilhar o pão'.)
Depois de saber ler comecei a aprender o sentido de nos dizermos cristãos; mais tarde voltaram a ensinar-mo e só então percebi que se trata de o descobrir todos os dias.

Não me canso de ter comigo aqueles que me viram crescer verdadeiramente de perto.
Quando me pediram para trazer os meus cadernos fui procurá-los, e depois peguei neles com cuidado, (é estranho segurar em objectos assim), e página a página, procurei textos que me dissessem alguma coisa. Encontrei um do meu 2º ano que tinha como título: 'Falo dos meus amigos.' E por incrível que pareça, das cinco pessoas de quem falava, uma nem me lembro de quem era (se estiveres por aí aparece, Ana Margarida), outra, não voltei a ver depois do 4º ano. Mas os três restantes são, ainda hoje, os meus melhores amigos, e considero um privilégio poder tê-los a meu lado.
Sei que com muitos de vocês isto também aconteceu, é uma das consequências de habitar um lugar tanto tempo como nós, acabamos por habitar também as pessoas e com algumas criam-se laços inquebráveis.

Tenho muita gente que me diz que são demasiados anos – que dizer? É mesmo uma casa.

Depois, temos coisas que apesar de muito concretas ganham, sem querer, o valor de ícones. Falo da nespereira carregada de frutos no verão, do túnel de rosas, da casa pequenina da quinta com as cadeirinhas encostadas à parede desde que me lembro ou das escadarias do palacete, húmido e solene, onde os passos ecoam mais e o piano às vezes se ouve.
Há uma árvore especial, a japoneira do campo que antigamente era de areia.
Lembro-me disto tão bem. As flores em tons de rosa e branco, as folhas verdes. Os ramos grandes o suficiente para não quebrar e pequenos que bastasse para os subirmos. Quando começava a ficar calor o chão enchia-se de flores e uma sombra deliciosa apoderava-se daquele sítio, os risos, os nossos risos, o perfume, subíamos pelos ramos e sentíamo-nos maiores a ver o mundo de um sítio mais distante.

Hoje somos nós, deste sítio, a espreitar o mundo que nos parecia tão distante, em cima de um galho qualquer mais forte que nos vai segurando.
O modo como as flores apodreciam no outono fazia-me pensar no verão seguinte, mas um dia, não sei bem como, voltei a subir e o meu corpo já não cabia.

Há momentos como este, em que compreendemos que há lugares em que já não cabemos, lugares de onde é preciso partir.

Gosto de pensar nas memórias como raízes. Gosto de pensar em nós como sementes.
Se algum dia aqui voltar pergunto-me se não me chegarão a aparecer os risos das crianças no recreio mesmo que não esteja lá ninguém, se não voltarei a ver-nos naqueles dias felizes, em que subíamos às árvores e esperávamos pela hora da refeição, sem tempo para mais.
Espero por estes sítios como se espera voltar a casa.
E se calhar tudo isto nem faz tanto sentido assim, mas há coisas que não se explicam, há cheiros e risos que não se esquecem, há abraços que queimam para sempre e palavras demasiado densas por dentro de todas as recordações.

A verdade é que há momentos tão bons que nos deixam uma espécie de estigma aflitivo, como se soubéssemos para sempre que voltar atrás é voltar às mesmas pessoas.

'E agora?'
Agora, há passos que temos de dar, foi para isso que nos preparámos ao subir às árvores e partilhar o pão, porque há sempre algo a conquistar e pão a partilhar com alguém.

Entretanto há sítios a que forçosamente regressaremos, e mesmo que não chegue a faculdade ou o emprego ou a família, há sempre uma casa à nossa espera. Nem que seja a das nossas memórias afectivas.
Nem que seja Sião."

Francisca

domingo, 31 de agosto de 2008

11ºAno

Os Maias, de Eça de Queiroz

Deixo o vídeo da produção luso-brasileira. Espero que funcione como motivação para a leitura da obra-prima de Eça (para os que ainda não leram...).


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tempo para ler

O livro de Memórias de Jorge Amado (Ou Apontamentos para um livro de memórias que jamais escreveu...)






"Se devoro livros até hoje, eu o devo ao pai Dumas, o mulato Alexandre, foi ele quem me deu o gosto de ler, o vício: aos onze anos encontrei abandonado no navio para Itaparica o exemplar de Os Três Mosqueteiros, contraí o vírus da leitura para sempre.

Devo a Rabelais e a Cervantes, deles nasci. Devo a Dickens: me ensinou que nenhum ser humano é de todo mau, a Gorki: me deu o amor aos vagabundos, aos vencidos da vida, os invencíveis. Devo a Zola, com ele desci ao fundo do poço para resgatar o miserável, a Mark Twain devo ter soltado o riso, arma de combate, a Gogol, o nariz, as botas e o capote.

Devo a Alencar o romantismo e a selva, a Manuel António de Almeida a graça da picardia, do burlesco, na praça do povo soltei o verbo com Castro Alves, denunciei a infâmia, com Gregório de Matos aprendi a generosidade do insulto, fui boca de inferno, cuspi fogo, pela sua mão descobri as ruas da Bahia, o pátio da igreja (...).

Devo ao cronista anónimo do Mercado, ao contador de casos da feira de Água dos Meninos, ao trovador devo o arroubo, a invenção ao mestre de saveiro: namorou Yemanjá nas cercanias da ilha de Itaparica, dormiu com Oxum no leito de águas mansas do rio Paraguaçu, possuiu Euá na cachoeira de Maragogipe, derrubou-a na fonte de caracóis e pétalas de rosa. É necessário saber e inventar.

Devo ao poeta de cordel, devo."

Jorge Amado, Navegação de Cabotagem

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Prémio Camões 2008

João Ubaldo Ribeiro




Nascido em 1941 na Ilha de Itaparica, Baía, e depois de uma infância marcada pelos estudos literários orientados pelo pai, João Ubaldo Ribeiro estreia-se aos 16 anos como jornalista no “Jornal da Baía”, ainda antes de ingressar no curso de Direito, licenciando-se numa profissão que nunca chegará a exercer.

Na universidade, toma parte nos movimentos literários estudantis, mas só em 1963 escreve o seu primeiro romance “Setembro não Faz Sentido” (já depois de ter assinado vários contos), livro que será editado dois anos depois, com o patrocínio de Jorge Amado. Seguem-se “Sargento Getúlio” (1971), obra que lhe valerá a atenção da crítica e que viria a ser editado nos EUA oito anos depois.

Em 1984, já depois de uma residência literária em Lisboa, graças a uma bolsa concedida pela Gulbenkian, Ubaldo Ribeiro publica o romance “Viva o povo brasileiro”, passado na ilha natal de Itaparica e através do qual desfia quatro séculos da história do Brasil. No final da década, estreia “O Sorriso do Lagarto”, que como várias das suas obras é adaptada nos anos seguintes para formato televisivo ("Sargento Getúlio" chega mesmo ao cinema, em 1983, numa realização de Hermano Penna).
Em 1996, foi responsável pela adaptação para o cinema do romance de Jorge Amado "Tieta do Agreste", e três anos depois publica “A Casa dos Budas Ditosos”, que obtém enorme sucesso de vendas e é rapidamente traduzido para várias línguas.

Tempo para ler

Tinha prometido deixar aqui a ligação para o trabalho realizado pela Ana Catarina (10C) sobre Jane Austen e Orgulho e Preconceito. Foi apresentado na Oficina de Leitura do último período. A Catarina optou por construir um sítio dedicado exclusivamente à obra e à autora. Um excelente projecto e uma ideia original que merecem especial destaque no Lusografias.



quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tempo para ler


Leitura de férias







A propósito de leitura de férias, deixo uma lista. Optei por incluir obras universais (para lá da lusografia, portanto).Gostava que encarassem esta lista como um desafio. Escolham, no mínimo, três títulos. Deixem-se seduzir por aquilo que as palavras dos títulos sugerem: um espaço, uma personagem, uma época, um género...


1.A Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen
2.As Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain
3.Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll
4.Moby Dick de Herman Melville
5.Frankie e o Casamento de Carson McCullers
6.A Harpa de Erva de Truman Capote
7.Obra Poética de Fernando Pessoa
8.Poesia Lírica de Luís Vaz de Camões
9.Poesias Completas de Alexandre O’Neill
10.Os Prisioneiros de Rubem Fonseca
11.Alexandra Alpha de José Cardoso Pires
12.A Morte de Carlos Gardel de António Lobo Antunes
13.O Ano da Morte de Ricardo Reis de José Saramago
14.xix poemas de E. E. Cummings
15.O Caminho Estreito para o Longínquo Norte de Matsuo Bashô
16.De Que Falamos Quando Falamos de Amor de Raymond Carver
17.À Espera de Godot de Samuel Beckett
18.O Conto de Inverno de William Shakespeare
19.O Som e a Fúria de William Faulkner
20.Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa

21.As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi
22.Robinson Crusoe de Daniel Deföe
23.Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira
24.O Velho e o Mar de Ernest Hemingway
25.O Mundo em que Vivi de Ilse Losa
26.Ratos e Homens de John Steinbeck
27.Petit Bleu et Petit Jaune de Leo Lionni
28.Cem Anos de Solidão de Gabriel García Marquez
29.Ou Isto ou Aquilo de Cecília Meireles
30.A Ilha na Rua dos Pássaros de Uri Orlev
31.Lídia de Katherine Paterson
32.Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro
33.Outside Over There de Maurice Sendak
34.Romeu e Julieta de William Shakespeare
35.A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson
36.Aventuras de Huckeberry Finn de Mark Twain
37.Os Olhos de Ana Marta de Alice Vieira
38.David Copperfield de Charles Dickens
39.A Abadia de Northanger de Jane Austen
40.Guerra e Paz de Leo Tolstoy
41.Salambô de Gustave Flaubert
42.O Grande Gatsby de Scot Fitzgerald
43.O Estrangeiro de Albert Camus
44.A Espuma dos dias de Boris Vian
45.Morte em Veneza de Thomas Mann
46.Orlando de Virginia Woolf
47.Pela Estrada Fora de Jack Kerouac
48.Lolita de Vladimir Nabokov
49.Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar
50.O Nome da Rosa de Umberto Eco
51.As Origens da Vida – Joël de Rosnay
52.O Polegar do Panda – Stephen Jay Gould
53.As Confissões de Felix Krull – Thomas Mann
54.As Cruzadas Vistas pelos Árabes – Amin Malouf
55.Em Busca do Tempo Perdido I - No Caminho de Swann – Marcel Proust
56.Escola do Paraíso de José Robrigues Miguéis
57.Um Amor Feliz de David Mourão-Ferreira




Vieira da Silva


Li no blog da revista LER:
"Até ao fim do ano, o grupo
Leya vai disponibilizar excertos, capítulos e livros de autores portugueses do seu catálogo em http://books.google.pt, entre os quais José Saramago, António Lobo Antunes, Inês Pedrosa, Rodrigo Guedes de Carvalho, Manuel Alegre, Alice Vieira ou José Eduardo Agualusa. "