domingo, 22 de fevereiro de 2009

Memória - 10ºAno

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Anoitecia lenta e mansamente, naquela quinta-feira quente de Novembro. Não me recordo de alguma vez ter observado um crepúsculo tão límpido e intenso como aquele. Parecia que antecipava o acontecimento dessa noite. Desvanecia-se, tenuemente, no horizonte, arrastando consigo todo o frenesim urbano, para dar lugar às melodias silenciosas que se aproximavam com a luminosidade lunar.
Estava no autocarro e, por momentos, senti-me algures num campo deserto, acompanhada por um silêncio inquietante. Tinha acabado de sair do colégio, de uma aula de Português, e dirigia-me agora para a Casa da Música. Esperava-me esse edifício imponente e austero, com a porta dos artistas escancarada, para que todos os integrantes do espectáculo dessa noite (maestros, coralistas, instrumentistas e bailarinos) entrassem para pousar os seus pertences nos camarins.
Percorri atentamente o bar e, de seguida, entrei na zona reservada aos coralistas. Lá dentro, tudo se assemelhava a um labirinto com inúmeros corredores e portas imensas. Por fim, encontrei o camarim quadrangular que se destinava às raparigas. Os seus sofás cor-de-rosa e os espelhos que percorriam duas das paredes reconfortavam-me com a ideia de ir actuar naquela Sala de Espectáculos, uma das melhores da Europa. O cheiro quase imperceptível a flores frescas percorria toda a zona e, por instantes, permaneci em pé para me deliciar com a sinestesia de sensações que se apoderava de mim. As cores da sala oscilavam entre o cinzento-betão das paredes, os sofás garridos e o amarelo dourado incandescente, que provinha das séries de lâmpadas que acompanhavam verticalmente cada um dos espelhos. Havia também umas mesas em frente a estes e cadeiras individuais. Ao fundo, um bengaleiro e uma televisão mantinham-se imóveis e, por momentos, julguei estar enlevada numa utopia pueril e onírica.
Minutos depois, chegaram as minhas amigas e colegas e as suas gargalhadas sentidas e naturais acordaram-me dos meus pensamentos e mostraram-me que o que estava a viver era real. Apenas sorri - sorriso esse genuíno e rasgado que mantive ao longo de toda a noite.
Agora que tinha pousado a minha bolsa e a minha pasta, fui até ao hall principal, para ver se conseguia visitar toda a Casa. Tive alguns acompanhantes e, cerca de uma hora depois, estávamos de volta e convidámos todos os artistas para irem connosco até ao Centro Comercial Bom Sucesso para jantar qualquer refeição rápida, pois nervosos como estávamos, não tínhamos muito apetite.
Às 20h o espectáculo começou. Porém, nós só actuávamos na segunda parte e, por isso, ficámos com cerca de 45 minutos para nos arranjarmos.
Entre sedosos vestidos, brilhantes e suaves batons, rosas vermelhas e carnudas para pôr no cabelo e muitas capas pretas cheias de partituras, a boa disposição invadia a sala e alguns membros do sexo masculino também, embora aquele fosse um camarim feminino. Ajudámo-nos para fechar os vestidos umas das outras ou retocarmos a maquilhagem. No fim, o resultado foi incrível. Conseguimos, efectivamente, encarnar o papel de verdadeiras dançarinas de tango, para enfatizar a temática das obras de Astor Piazzolla que iríamos cantar.
Às 21h estávamos todos nos bastidores, prontos para subir ao temível palco. No meio de segmentos melodiosos do estudo dos violinos, acordes do acordeão, solos do saxofone, preces mudas e risos apreensivos, todos mantinham a sua expressão facial indiferente a tudo o que os rodeava e eu não era excepção. Era uma espécie de transe em que cada um entrava no seu mundo, na sua alma, nos seus sentimentos que jamais seriam revelados. É nestas alturas que vejo o quanto a música, e o conservatório em especial, influenciaram a minha vida. Onde me levaram, o que me modificaram e aquilo que me ofereceram e ainda oferecem…
O maestro chamou-nos e, quase instantaneamente, todos levantámos a cabeça e, com esta erguida, dirigimo-nos calmamente para a porta. Dali já conseguíamos ouvir os aplausos vindos de uma plateia repleta de olhares curiosos e ouvidos críticos. O chão do palco estava revestido de pétalas de rosa de um vermelho esbranquiçado, que emanavam um aroma doce e quente, que nos atrasava o passo. Tais pétalas tinham ficado esquecidas da ópera que tinha aberto o concerto. Ao percorrer o estrado, até alcançar o meu lugar, meditava silenciosamente, revolvendo a minha mente sobre quem estaria a assistir, como iria decorrer aquele quinto e último concerto desta tournée, quais seriam as reacções…Penso que me preocupava demasiado, porque já tinha passado por momentos assim antes e sabia como corriam, como teria de cantar, actuar, sentir, sorrir e, acima de tudo, concentrar. Finalmente, a primeira nota foi emitida pelo primeiro violino e tudo começou.
Estava perdida nos meus devaneios, quando começou. Naquele momento, já nada havia a fazer para remediar. Restava-me encarar o público e cantar com quanta felicidade sentisse e voz não me faltasse.
As cinco músicas foram passando mais rapidamente do que o que esperava, e parecia que ficava cada vez mais insaciada e que não podia aguentar sem mais uma melodia de tango, sem mais um passo de dança, sem mais uma rosa, sem cantar de novo nem ter mais uma vez a experiência de repetir tal concerto na Sala Suggia. Tentava saborear ao máximo cada declaração feita pelo saxofone e cada batida intensa e presente da bateria, mas, infelizmente, e com tristeza e alegria ao mesmo tempo, o concerto acabou com a arrebatadora Balada para un loco que libertou uma harmonia de calorosos e reconfortantes aplausos, que eram autênticos e únicos, fascinantes e inesquecíveis.
Depois de cerca de meia hora exclusivamente de Tango, puro e sentido, (pela qual ansiávamos todos os dias e agora só queríamos que durasse eternamente), os sorrisos cansados, mas felizes, eram imediatos e todos retribuíam as felicitações de “Parabéns”.
Sentia-me completa, mas com uma parte de mim a agarrar-se à recordação desta actuação o mais que podia.
Agora que tinha passado, restava-me a memória para guardar tal momento e o manter sempre comigo, a qualquer hora e em qualquer lugar. Ainda bem que a tenho, ainda bem que posso recordar, ainda bem que vivi, ainda bem que, no livro da minha vida, tenho esta página. Não esquecerei cada som, cada palavra, cada ensaio, cada música, cada crescendo e diminuendo, cada melodia…Não esquecerei porque não consigo. Não esquecerei porque foi demasiado importante. Essencial!


Ana Lúcia Rebelo, 10B



sábado, 21 de fevereiro de 2009

Dia Internacional da Língua Materna

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Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação. Assim o apelo que vinha dele foi o apelo que ia de nós.
Vergílio Ferreira
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Celebra-se a 21 de Fevereiro o Dia Internacional da Língua Materna. Proclamado pela Conferência Geral da Unesco em Novembro de 1999, desde Fevereiro de 2000 que se comemora este Dia Internacional, com o objectivo de promover a diversidade linguística e cultural e o plurilinguismo. Este ano, a UNESCO organiza na sua sede em Paris uma conferência internacional, tendo por tema as línguas e o ciberespaço.
Estimam-se em quase 6000 as línguas faladas no mundo, mas
cerca de metade está à beira da extinção. Neste contexto, a UNESCO propõe que a Internet contribua para a recuperação das línguas ameaçadas. Assinale-se que o português não faz parte deste conjunto, dado que se crê ocupar a 6.ª posição na lista dos idiomas mais falados no mundo.

2009 - O ano de Bartolomeu de Gusmão e da "Passarola"

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O físico Carlos Fiolhais (co-autor do blogue De Rerum Natura) escrevia, no semanário Sol, no último sábado, esta crónica que tomo a liberdade de transcrever. Para os amantes do Memorial do Covento de Saramago, do padre-inventor e da ciência em geral...
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2009 é o ano Galileu (400 anos das primeiras observações telescópicas, anunciadas em “O Mensageiro das Estrelas”) e é também o ano Darwin (200 anos do nascimento de Darwin e 150 anos de “A Origem das Espécies”). Mas é também o ano Gusmão, pois passam três séculos sobre a experiência efectuada em 8 de Agosto de 1709, diante da corte, em Lisboa, pelo padre luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão (1685-1724), um estudante de Cânones em Coimbra, na altura com apenas 24 anos.
Tratou-se, nada mais nada menos, da primeira ascensão de um objecto mais pesado do que o ar, precedendo de dezenas de anos a primeira ascensão humana em balão, protagonizada pelos irmãos Montgolfier. O povo haveria, jocosamente, de designar por "Passarola" a máquina voadora do padre, cuja fama foi modernamente ampliada pelo romance “Memorial do Convento”, de José Saramago.
Gusmão escreveu um “Manifesto” sobre o seu invento. Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra guarda-se, além deste, uma cópia da petição que o padre, formado na Companhia de Jesus, dirigiu ao rei D. João V para lhe ser concedido o privilégio de só ele poder fabricar instrumentos para voar. A linguagem da petição é deliciosa valendo a pena saborear um bocado:
"Senhor, diz Bartolomeu Lourenço que ele tem descoberto um instrumento para se andar pelo ar, da mesma sorte que pela terra e pelo mar, e com muito mais brevidade, fazendo-se muitas vezes 200 e mais léguas de caminho por dia, no qual instrumento se poderão levar os avisos de mais importância aos exércitos e terras mui remotas quase no mesmo tempo em que se resolverem: o que interessa a Vossa Magestade muito mais que a nenhum dos outros Príncipes pela maior distância do seu domínio, evitando-se desta sorte os desgovernos das conquistas, que procedem em grande parte de chegar muito tarde a notícia deles a Vossa Magestade."
O despacho régio foi favorável ao pedido, que hoje designaríamos de registo de patente. O feito de Gusmão é um bom exemplo do engenho luso. Mas, como em tantos outros casos, este engenho não teve sucesso...
Carlos Fiolhais, Sol

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

200 anos do nascimento de Darwin

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Charles Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 na cidade rural de Shrewsbury, na Inglaterra. O seu pai, Dr. Robert Darwin, foi um físico proeminente da época. A sua mãe, Susannah, morreu quando Charles Darwin tinha oito anos e, por uma razão ou por outra, ele nunca teve dela recordações muito vivas. De facto, ao longo de toda a sua vida, Darwin nunca foi um bom observador de pessoas, tenho sido, no entanto, um excelente observador de objectos e animais.
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Darwin não foi um aluno brilhante, pois não se interessava pelas matérias que lhe ensinavam na escola. Estava destinado a viver da fortuna da família, mas o seu pai convenceu-o a optar por uma profissão. Em 1825, Charles Darwin foi estudar medicina, tendo desistido dois anos mais tarde, para ingressar no curso de direito na Universidade de Cambridge. Aí, um dos seus professores, Prof. Henslow, convenceu-o a levar mais a sério o seu interesse pelas Ciências.
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Em Janeiro de 1831, Darwin formou-se. O Prof. Henslow falou-lhe então de um navio, o H.M.S. Beagle, que iria partir para uma viagem à volta do mundo numa missão de investigação e, assim, em 27 de Dezembro de 1831, Darwin partiu numa expedição que iria durar cinco anos e que se iria tornar um marco da história da Ciência.
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Darwin experimentou e aprendeu vários aspectos da biologia e da vida durante a sua permanência no navio, mas só quando chegou ao Arquipélago dos Galapagos, é que realmente se lhe "fez luz". Aí, descobriu que existiam inúmeras diferenças e semelhanças entre os animais das diversa ilhas e do continente. Recolheu exemplares e conduziu diversas experiências para análise e estudos futuros.
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Em 1836, Darwin regressou a Inglaterra, tendo casado com Emma Wedgwood em 1837. O casal instalou-se então na cidade de Downe. Aí, passou o resto da sua vida a escrever livros, a estudar, a conduzir experiências e a corresponder-se com outros cientistas. Morreu em 19 de Abril de 1882.
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No decurso do seu trabalho, Charles Darwin, desenvolveu diversas teorias e ideias controversas. É dele a frase "Na maior parte dos casos, não há dois organismos da mesma espécie que sejam semelhantes". É ele também o autor das ideias da selecção natural e da sobrevivência do mais apto. Isto significa, para Darwin, que a Terra não sustenta todo e qualquer indivíduo, mas que apenas aqueles que se adaptam e vencem a competição por comida e abrigo, estão aptos para sobreviver. Darwin expressou esta e outras descobertas da sua viagem no seu livro "On the Origins of Species by Means of Natural Selection", em 1859.Darwin publicou muitas outras obras expondo as suas teorias e a sua biografia. Foi igualmente pioneiro em muitos temas controversos no campo das ciências. As suas ideias foram realmente revolucionárias, tendo iniciado uma linha de pensamento totalmente original. Fonte: naturlink
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A propósito de Darwin, algumas sugestões de leitura...
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Diário Gráfico - 10ºAno

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Ana Cristina, 10E



Ana Catarina, 10E

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Livro(s) do mês - Fevereiro

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Inauguro hoje uma nova janela no blogue, dedicada à leitura. Uma sugestão especial para cada mês. Fevereiro é o mês do diário gráfico.
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O autor é Eduardo Salavisa, professor de artes visuais, designer gráfico e apaixonado pela Arte, e que já tivemos o prazer de receber no Colégio. Diários de Viagem, Desenhos do Quotidiano, da Quimera Editores, reúne desenhos de 35 autores portugueses e internacionais, desde arquitectos a ilustradores, escultores, designers e artistas plásticos.

Oficina de Escrita - Diário (10ºAno)

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Um texto de José Saramago e o texto de um aluno que constitui uma resposta às questões lançadas pelo Nobel:
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Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um “não” sem excepções, que poderia ser? Excesso de modéstia? De resignação? Ou apenas a consciência de que qualquer obra humana não passa de uma pálida sombra da obra antes sonhada. Conta-se que Miguel Ângelo, quando terminou o Moisés que se encontra em Roma, na igreja de San Pietro in Vincoli, deu uma martelada no joelho da estátua e gritou: “Fala!” Não será preciso dizer que Moisés não falou. Moisés nunca fala. Também o que neste lugar se escreveu ao longo dos últimos meses não contém mais palavras nem mais eloquentes que as que puderam ser escritas, precisamente essas a quem o autor gostaria de pedir, apenas murmurando, “Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”. Calam, não respondem. Que fazer, então? Interrogar as palavras é o destino de quem escreve. Um artigo? Uma crónica? Um livro? Pois seja, já sabemos que Moisés não responderá.
José Saramago, in O Caderno de Saramago

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“Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”.
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Moisés não falou, pois Moisés não tinha a nossa função, o nosso poder. Para começar, não te preocupes, para algo servimos, disso te asseguramos. O “caderno de Saramago”, por nós preenchido, tem mudado as pessoas, a forma como elas pensam e, consequentemente, mudou o Mundo. E apesar de nós sermos a tua arma mais forte, o teu instrumento mais poderoso, só te queríamos dizer que Sarkozy não ficou muito agradado ao ler a crítica por nós formada.
É óbvio que responder sim a todas as perguntas que colocaste, “Valeu a pena?”, “Ficou o mundo melhor do que antes?”, etc., seria sinal de que a cegueira te tinha corroído o cérebro, sinal de pura infantilidade e ingenuidade. No entanto, também não podes mostrar a todas um redondo “Não”! Tudo o que realizaste neste diário, tudo o que expuseste, tudo o que criticaste, tudo o que disseste, tudo o que connosco fizeste serviu para algo. Às pessoas, forneceste mais do que conhecimento, mais do que cultura. Deste-lhes a tua própria visão do Mundo, a forma como ele se encontra, o que se passa em Gaza… Relembraste um grande poeta, Ángel González, mostraste que não é fácil o trabalho de um escritor. Disseste o seguinte há alguns anos: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”. Pois bem, tu és o silêncio do Mundo actual, o silêncio dos escritores, o silêncio das injustiças, o silêncio das incompetências presidenciais que dominam o Mundo e os homens, aqueles que se deixam levar por nós, palavras do “caderno de Saramago”, o grito que dá sentido a todos os silêncios.
Se o Mundo não mudou, a culpa não foi tua. Nossa também não terá sido, mas mais depressa nossa que tua! A culpa foi de quem se quedou indiferente perante nós, perante o nosso relato, perante o nosso anúncio. Tudo o que estava ao teu alcance, fizeste-o. Perante nós, só não mudou quem não quis. Perante nós, só não reflectiu quem não quis. Perante nós, só não pensou no Mundo quem não quis.
Para finalizar, queremos-te dizer uma última coisa. O Mundo só se modifica por causa das pessoas que nele habitam. Durante a II Guerra Mundial, o clima político, religioso, económico e social era tenso e frio. Durante o regime de 33, as pessoas com certeza não pensavam em expressar o que lhes ia na alma, a não ser que fossem suicidas. Assim, mais uma vez, o Mundo se modifica só por causa das pessoas que nele habitam. E o teu diário tem todas as potencialidades para mudar as pessoas, a forma como elas pensam e sentem. O teu caderno tem hipóteses de mudar o Mundo; nós temos hipóteses de mudar o Mundo.
Por isso te respondemos: somos as tuas mais sinceras e melhores amigas, a tua arma de mudança mais poderosa, o meio de expressão mais ouvido, a forma mais fácil e forte de lutar. Se para algo servimos? Claro! já te explicámos.
E, contudo, Moisés continua sem responder…
José Nuno 10A

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O que já lemos - Oficina de Leitura 11ºAno

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"Descobri, ao acordar, que tinha maduro no coração o romance de amor que havia ansiado escrever há tantos anos” – são as palavras do consagrado escritor colombiano Gabriel García Márquez, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982, e autor do aclamado romance Cem Anos de Solidão (1967). É indubitável a razão de se ter considerado este livro uma obra-prima da literatura hispânica (comparável a “D.Quixote de la Mancha”) e um marco lapidar do Realismo-fantástico. Analogamente, não será de estranhar que tenha sido traduzido em mais de trinta e cinco línguas e lido por cerca de trinta milhões de pessoas em todo o mundo.
Ao iniciarmos a leitura desta obra, somos imediatamente transportados para uma realidade completamente diferente da nossa: Macondo, uma aldeia colombiana apartada de tudo. Ela é o palco no qual a história de sete gerações da família Buendía se vai desenrolar, ao ritmo da escrita fluente e cadenciada de Márquez. As minhas palavras nunca serão suficientemente expressivas para descrever a riqueza inerente a cada personagem deste romance. Efectivamente, o que no início aparenta ser a narração simples de uma família vulgar transforma-se, logo nas primeiras páginas, em algo oposto. A história dos Buendía não se limita às circunstâncias espaciais e temporais deste livro: é, incontestavelmente, uma representação universal da natureza humana. Os cem anos, nos quais as vivências de sete gerações, numa aldeia isolada, são relatadas poderiam estender-se por muito mais tempo. A esta família aconteceu tudo o que é imaginável: incestos, homicídios, guerras, pragas, crises políticas e religiosas, abandonos e, acima de tudo, a solidão.
A linguagem magistral de Gabriel García Márquez imprime, ao longo das páginas desta obra, um sentimento inconfundível de destino. O fim irremediável para o qual todas as personagens tendem é subtilmente revelado nas narrações das suas glórias e feitos, bem como das suas derrotas e fracassos. O tempo é retratado não de uma forma linear, mas cíclica. Presencia-se, frequentemente, um certo atavismo, uma noção de repetição. Não são apenas os nomes próprios que são transmitidos de geração em geração, mas também, e principalmente, a tendência para o isolamento e introspecção. É importante enfatizar, contudo, que esta mesma circularidade não é, como pode parecer, enfadonha. Muito pelo contrário: a solidão que assola todos os Buendía, como factor hereditário, confere uma beleza inigualável a esta obra-prima, e coloca-a num patamar superior relativamente aos restantes livros. Ninguém, a não ser Márquez, poderia captar tanto a atenção dos leitores ao ponto de, mesmo já pressentindo a conclusão inevitável do enredo, não conseguirem desligar de uma narrativa tão harmoniosamente peculiar.
Talvez o que há de mais fascinante neste romance seja o modo raro como o autor domina o Realismo-fantástico. O que torna as personagens inesquecíveis é o facto de as vivências que elas trocam com o sobrenatural serem parte integrante do seu quotidiano. Isto acontece com tanta frequência que chegamos a um certo ponto no qual o passado se mistura com o presente, os antepassados com os vivos, o real com o surreal. Contudo, o momento mais marcante desta obra-prima é o seu final. Aquando da leitura do livro, ficamos com o pressentimento de que algo catastrófico irá acontecer, mais cedo ou mais tarde. Embora já estejamos precavidos acerca da iminência de uma tragédia, o último período detém o poder de nos surpreender e despertar os nossos sentidos. Nele, o último sobrevivente dos Buendía apercebe-se do destino incontornável da sua família: “(...) as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a Terra”. A família Buendía, aprisionada pelo seu próprio isolamento, iria cair eternamente no esquecimento, “(…) desterrada da memória dos homens (…)”.
Por fim, é importante reter a ideia de que, se no enredo em questão, esta família colombiana se extingue do mundo e da memória humana, o mesmo não acontece na vida real. A obra-prima de Gabriel García Márquez será sempre lembrada como um dos mais arrebatadores e universais romances que jamais alguém escreveu.

Filipa Santos 11B

Oficina de Escrita - 10ºAno (Texto Diarístico)

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José Saramago, fotografado pelo argentino Daniel Mordzinski

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Mais trabalhos, outras turmas, outros anos:
Recebi alguns dos textos produzidos pelos alunos do 10ºAno no âmbito do estudo do Texto Diarístico: são a consequência do desafio lançado pelas palavras de Saramago "Contar os dias pelos dedos e encontrar a mão cheia", outros do desafio para iniciarem um diário:
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1.
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Reencontro-me nas tuas páginas. Em todas elas. Fazem-nas uma sucessão de dias que outrora foram meus, que resistiram na minha memória. Faz hoje um ano que comecei a abrigar-me em ti, a partilhar as minhas mais íntimas confissões. Apareceste-me nu, pálido, gélido de solidão. Procuravas palavras que te acolhessem, palavras para guardar. Aprisionaste-me com o teu silêncio, a tua segurança que me acalmaram ao primeiro rabisco. Pude encontrar-te a meu lado, nos dias claros e nos dias escuros, quando sustinha a respiração durante cinco ou seis páginas e só a retomava quando tu me amparavas as lágrimas… Aí voltava a inspirar e sobrevivia. Controlaste-me no mais âmago instante. Desafiei-te a provar as mais inverosímeis constelações de amor, de amizade. Pintava-te todo de felicidade, nesses momentos, e tu retribuías-me, com um sorriso, a utopia que era narrar todos os meus sentimentos de incapacidade, de desespero… Partilhar contigo fazia-me reviver situações, contorná-las ou até mesmo ultrapassá-las.
Cresci e continuo a despojar-me de tudo em ti, a tornar-me transparente, quando escrevo e no que escrevo. Acredito sempre nas tuas respostas. Hoje, quando conto o meu caminho pelos dedos, encontro sempre a mão cheia, plena de memórias datadas e circunscritas em mim.
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A utopia alienada
da tua voz
em mim.
O cheiro intrínseco
a sangue
dos teus lábios
excede-me,
devora-me
até ao mais absoluto
abismo.
Gotas de sal
a pisar-me os olhos,
a percorrer o meu rosto
vermes.
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Engoli-me.
Fiquei presa
nas goelas do teu corpo,
no hálito quente
Sara, 10D
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2.
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Quantas vezes, pergunto-me eu, nos apercebemos do tempo que flui livremente entre nós? Quantas vezes caminhamos fora deste cíclico oblívio que é a vida nos dias de hoje? Sempre as mesmas rotinas, correr para aqui, apressar para ali, sempre os mesmos desastres, os mesmos vagabundos, sempre a mesma falta de tempo. Depois surpreendemo-nos quando vemos o tempo ganhar asas e zarpar para quem o merece mais, quando vemos o passado adquirir o mesmo tom monocordicamente neutro, sem nenhuma faúlha de inesperado. Choramos, então, a perda de grandes momentos, de grandes tempos, de grandes medos, quando, na verdade, ignoramos aqueles a que damos mais valor: os pequenos momentos.
Entram sub-repticiamente na nossa vida, pintando de cores o nosso coração e espelhando diamantes no nosso olhar, marcam a ferro a sua passagem, unem almas e, no fim, são muitas vezes ignorados. É para gravar estes fugazes momentos que escrevo este testemunho, este desafio ao tempo, para que, quando chegar a vez de outros, possa “contar pelos dedos” os dias que vivi feliz e “encontrar a mão cheia”, a transbordar.
Ana Cristina Maio, 10 E
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3.
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Querido amigo,
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Começo para nunca mais deixar
Outras palavras em outras mãos guardadas
Se tão importantes são tuas mãos inertes
Que afeiçoam meu coração tão lenta
E docemente como se faz à pobre gente
Enganada pela certeza que lhes mente.
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Tua presença encaminha o meu andar,
A minha postura e a minha alma
Se para expor só tu podes guardar
Caixa de segredos, memorial te podes tornar,
Tu, meu amigo, minha palavra, minha chave
Meu rosto, minha imagem, meu espelho
Meu caminho, meu destino, meu andar.
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Muito devagar, enquanto as carruagens desfilavam sobre os carris, os contornos da estação foram emergindo como uma miragem à minha volta.
Olhava aquele paraíso recente, como quem regressava sem nunca ter partido, como quem esperava em vão por algo amado, mas passado, por tempos vividos, mas não aproveitados. Não era o meu caso.
A ânsia da chegada sempre teve muito que se lhe diga.
A chuva só chegou ao anoitecer e quando começou a cair desabou em cortinas de gotas furiosas que, em minutos apenas, cegaram a noite e alagaram telhados e becos, sob um manto negro que fustigava com força paredes e vidraças.
Tatiana, 10A
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4.
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Porto, 13 de Janeiro de 2009
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Sempre fui assim: uma devoradora com cara de anjo. Ao longo da minha contagem dos dias pelos dedos, longe ainda de encontrar a mão cheia, procurei sempre algum sujeito a quem conseguisse desvendar os mistérios que tenho dentro de mim, os meus sentimentos. Agora que te encontrei a ti, estou mais descansada. A ti, sujeito inexistente, deverei criticar-te por nunca me dares opinião em relação àquilo que escrevo, ou deverei louvar a tua capacidade de não te pronunciares e respeitares os meus desabafos? Não sei. És mesmo assim, um sujeito indeterminado e silencioso.
É meu dever dizer-te que não é minha intenção escrever-te regularmente, dia após dia. Procurar-te-ei apenas quando for necessário, e não sei ao certo se vão ser muitas ou poucas vezes. Estranho, não é? Mas eu sempre fui assim, um ser pragmaticamente complexo. Há muito que deixei de acreditar em melhores amigos, mas sei que tu vais estar sempre disposto a ouvir-me. Sempre aqui, perto de mim, à distância de um abrir de gaveta. Coberta de pó e difícil de abrir. Não é uma tarefa fácil, de facto. Mas quero pedir-te só mais uma coisa. Que nunca me renuncies uma página, quando a minha única necessidade for caligrafar. Ama-me, quando eu menos merecer, e atenua as minhas lágrimas quando escorrerem de vez em quando por esta minha face bochechuda e rosadinha.
Ah, tenho pena de ainda não ter uma opinião formada sobre ti, talvez nunca chegue a ter, porque os diários são como a vida e como a filosofia: impossíveis de desvendar. Sei unicamente que te considero (e desculpa se isto soa mal) um herói. Não daqueles como o Super-Homem, ou o Príncipe Encantado da Cinderela, mas sim daqueles que não se revelam ao mundo e que entregam o músculo do lado esquerdo do peito a alguém, sem nunca pensar no amanhã. Até breve, querido diário.
Rita Barros. 10D
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5.
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Procuro escrever no teu corpo de papel a minha história e contar-te a minha vida, as minhas fraquezas, as minhas alegrias e tudo o resto... No fundo, quero criar contigo um segundo eu, exactamente igual a mim, que veja o mundo através dos meus olhos, que consiga ouvir o clamor das almas da terra como eu o ouço, que sinta com a minha pele o suave toque de um abraço, ou de um beijo; e que, no final, ganhe vida e se torne eterno, lembrando aos outros que também existi e não sou apenas mais um boneco de marioneta que o destino mexe como quer, tornando-se dono do mundo.
Gostava de te dizer a minha vida, do mesmo modo que o vento escreve a sua história nas folhas, rezando uma melodia que só ele conhece. No fim, quero ver-te cansado, velho e gasto, vivido em pleno e recheado de experiências. Quero-te assim, para depois "contar os dias pelos dedos e encontrar a mão cheia".
Lília Alves, 10D/E
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O que andamos a ler - 11ºAno Oficina de Leitura

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Oficina de Leitura dedicada ao Romantismo
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Texto Argumentativo - O Uniforme: sim ou não?

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Este é o resultado de uma oficina de escrita do 11ºAno, realizada no início do ano lectivo, no âmbito do Texto Argumentativo, e que funcionou como motivação para o estudo do Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira. Trata-se de um tema polémico, mas actual e pertinente. Foi pedido aos alunos que defendessem cada um dos lados da questão. Eis o que produziram:
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1.
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A questão gera grande controvérsia há já bastante tempo, mobilizando alunos e as direcções de escola a tomar posições adversas num autêntico “duelo social” desnecessário. Perde-se tempo escusadamente a implicar com uma questão trivial, aumentando a sua gravidade para proporções absurdas.
Em primeiro lugar, e de uma forma geral, verifica-se que um grande número de pessoas critica o preço do uniforme, que por vezes pode ser exorbitante (um uniforme completo ronda os 200 euros). Contudo, essas pessoas esquecem-se frequentemente que com esse montante pode comprar-se todo o guarda-roupa necessário às diversas actividades e ocasiões.
Além disso, defendem a ideia de que os uniformes reduzem as pessoas a autómatos e que as tornam susceptíveis de discriminação. Apesar de os uniformes tornarem as pessoas iguais fisicamente, “não é por a roupa ser igual que os miúdos ficam uniformizados por dentro” (in Público).
Por último, a opinião dos que se opõem concentra-se no facto de não resistir às súbitas alterações da moda, tendendo a uma “existência” prolongada. Saliente-se que uma escola é um local de trabalho como qualquer outro, e não uma “passerelle”.
Em suma, o uniforme é meramente um acessório da escola, que se encontra quase sempre ligado à sua própria história e tradição. Por vezes, interrogo-me se os uniformes serão ou não serão abolidos. É uma perda de tempo preocuparmo-nos com algo tão insignificante e transitório. É necessário pensar não no que as pessoas vestem, mas no que elas são realmente!
David Conceição, 11DE
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2.
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Aqueles que falam da moda como forma de colocar rótulos nos jovens do século XXI não devem ter, certamente, dirigido um olhar atento pelos colégios privados do nosso país, onde os uniformes reinam.
É, sem dúvida, impossível ignorar esta questão que tanta polémica cria no seio da elite do ensino português.
Desde o fato completo até ao uso de somente um pólo, a verdade é que vemos cada vez mais colégios privados a proibir os seus alunos de definir o seu próprio estilo, de forma a transmitir um pouco de si próprios. Para muitos alunos, trata-se de um aspecto que lhes retira liberdade de expressão e que estabelece uma monotonia de cores e formas.
É um facto que, para qualquer adolescente, o uso da sua própria roupa e a liberdade para o fazer têm um peso considerável.
Estou certa de que a revolta contra as fardas se torna a longo prazo um foco de instabilidade e revolta entre os jovens, o que os poderá levar à contestação da autoridade.
Não pretendo com isto afirmar que os uniformes conduzem à confusão e opressão. Para muitos, estas vestimentas permitem a existência de igualdade por fora, não implicando a “uniformização por dentro”. Porém, se tal é verdade em países como Inglaterra e Japão onde este costume está difundido, o mesmo não ocorre em Portugal. Dado que nenhuma escola pública portuguesa tem uniforme, cria-se a diferença entre “os meninos do colégio” e os da escola pública. São variados os testemunhos de alunos que, saindo à rua de uniforme, são gozados e até mesmo discriminados pelos restantes. O rótulo de “betinhos” cola-se imediatamente.
É evidente que a grande maioria dos alunos de colégios privados tem condições económicas superiores aos das escolas públicas, mas é de realçar que tal não significa que o custo deste capricho seja leve em todas as carteiras.
Para terminar, ouvem-se ainda as queixas sobre a adequação dos uniformes às condições meteorológicas. No Verão sentem o calor do tecido a incomodá-los. Por outro lado, no Inverno, o uniforme é insuficiente para fazer face ao frio.
Em suma, não será esta uma prática de padronização? Instaura-se a monotonia nos nossos jovens, cria-se a diferença entre o ensino público e privado e restringe-se a liberdade individual. No mundo onde gostaria de viver não existiriam fardos ou rótulos, falta de liberdade e muito menos uniformização exterior e interior.
Ana Filipa Redondo, 11DE
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3.
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Como ponto de partida, considero interessante apresentar a definição da palavra “Uniforme”:

«adj. 2 gén. Que tem uma só forma; que não muda; que é sempre igual; idêntico em todas as suas partes; unânime; monótono/ s.m. vestuário usado por certas corporações, feito segundo o mesmo modelo ou padrão; fardamento»

Esta palavra vinda do Latim, em qualquer uma das suas acepções, está relacionada com a constância e falta de diversidade. Devo recordar que, no século XXI, são valorizadas a diferença, a originalidade, ou como actualmente se diz, a inovação. O uso de uniforme é, portanto, uma prática que se deve banir do sistema educativo.
Sem dúvida, muitas famílias da classe média e provavelmente média baixa, fazem, todos os meses, um esforço extraordinário de poupança em muitas aquisições , desde a própria alimentação à compra de vestuário ou às actividades culturais. Este esforço destina-se a permitir o investimento numa educação apropriada, de qualidade superior, apostando por isso nos colégios privados. Ora, é precisamente nos colégios privados, onde o respeito, educação e autoridade são mais evidentes, que se opta pelas “fardas”. No entanto, há colégios cujo uniforme representa um custo aproximado de 200 euros..
Por outro lado, é evidente que um aluno com uniforme demonstra pertencer a um estrato social superior, o que numa sociedade como a nossa, com níveis de desigualdade evidentes, leva a situações de atrito entre os jovens estudantes, e alguns desses atritos passam de pequenos assaltos a sequestros.
Em última análise, o que será mais importante: os bons resultados obtidos, nomeadamente na segurança dos estudantes, ou a padronização do vestuário como símbolo social?
Íris Vasquez, 11C
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4.
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O uso de uniformes escolares, algo que aparentava ter caído no esquecimento, parece ter sido recuperado, embora continue a gerar polémica e diferentes pontos de vista. As vestimentas dos estudantes, sobretudo de colégios, ressurgem padronizadas e elegantes.
De facto, os uniformes facilitam a vida de pais e crianças, aumentando a igualdade entre colegas e impedindo a discriminação relacionada com as marcas de roupa. E sem dúvida que são uma enorme ajuda económica, visto que se encontram sempre na moda. No entanto, o que fortalece a igualdade dentro de portas, intensifica a discriminação e desigualdade no mundo real.
Por outro lado, o uniforme pode transformar-se numa tentativa de padronização de crianças e adolescentes, impedindo-os de usar objectos distintivos, revelando-se, em certo sentido, um atentado à liberdade de expressão. É notório igualmente que gera discriminação entre sexos, visto que, às raparigas é imposto o uso de saia e proibido o uso de calças.
Apesar de diminuir os gastos económicos dos pais com o guarda-roupa dos filhos, os preços das vestimentas podem chegar e ultrapassar os duzentos euros, o que se torna uma exorbitância.
Além disso, pelo facto de não estarem sujeitos às tendências da moda, tornam-se antiquados e desajustados.
Em última análise, o que prometia acabar com a discriminação, não passa de uma tentativa frustrada de igualdade. É possível padronizar crianças dentro de uma escola, mas nunca será possível padronizar o mundo inteiro… e é nesse mundo que, mais tarde, essas crianças irão viver, sem uniformes que lhes valham…
Isabel Sousa, 11C

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Primeiro Aniversário do Lusografias




95 postagens depois, um ano depois, o Lusografias continua a reinventar-se. O mérito é de todos os que nele colaboram activamente, desde alunos a professores. Muito obrigado e parabéns a todos! Conto, ao longo desta semana, publicar alguns textos atrasados e o testemunho de alguns alunos sobre o blogue. Aceitam-se textos, sugestões e críticas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estrelas em papel - 7ºAno

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Fruto da cooperação entre as disciplinas de Ed. Visual e de Língua Portuguesa, as turmas de 7ºAno expuseram os seus trabalhos de ilustração e de Oficina de Escrita, no âmbito do estudo do conto "A Estrela" de Vergílio Ferreira.
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Aqui ficam algumas imagens:
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Feira do Livro Usado

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Colégio Luso-Francês (de 15 a 18 de Dezembro)
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Tem sido comovente assistir à venda dos livros usados. Reunimos mais de 2000 volumes e já vendemos largas centenas em apenas dois dias. É uma experiência surpreedentemente tocante a de ver crianças de 5 anos a pedir aos pais para comprar um livro para ajudar os meninos de Moçambique. Agradecemos o empenho, o carinho e o tempo de todos quantos têm ajudado a tornar esta experiência possível. Neste caso, não podemos de forma alguma falar de lucro ou de dinheiro... pelo contrário, enquanto arrumávamos e catalogávamos e vendíamos, a nossa imaginação atravessava dois oceanos e dois continentes para junto daqueles que ainda não têm o que ler. E esse lucro é inestimável e imensurável...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Estrelas em papel - 7ºAno

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fotografia retirada do sítio http://www.olhares.com/
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Mais um texto sobre A Estrela de Vergílio Ferreira:


7b


No cimo de uma montanha encontrava-se uma igreja, no cimo da igreja, uma torre, e, no cimo da torre, um galo de ferro que, apesar de não sair do sítio, se movia e vigiava o vale ao sabor do vento. As casas pequenas e brancas que as famílias habitavam estavam dispersas na parte superior do monte. A parte inferior era revestida por longas tiras de vinhas. Uma rua rasgava a montanha, desde a porta da igreja à aldeia mais próxima que ficava, aproximadamente, a onze quilómetros dali.
Já tinha passado, aproximadamente, um ano desde a morte de Pedro, um ano de tristeza entre as pessoas. As suas faces estavam pálidas e frias. As colheitas tinham sido fracas, os animais só emagreciam, as galinhas não punham ovos e o sol só se vira duas ou três vezes. A montanha estava cinzenta como o Inverno, apesar de estarem no Verão. Era estranho como é que a falta de um simples rapaz influenciara tanto a vida quotidiana dos habitantes.
Certo dia, a mãe de Pedro olhou para o céu e viu a estrela que se realçava no imenso escuro, por ser tão brilhante e bonita. Não costumava olhá-la, estava sempre ocupada a trabalhar ou a queixar-se do trabalho. A certa altura, estranhou o aumento gradual da intensidade do brilho da estrela que, realmente, não era normal. Chegou a um ponto que quase a cegara. Da luz, surgiu uma silhueta estranha. Era difícil identificá-la com os olhos semi-cerrados pelo brilho. Acordou num sobressalto e berrou:
- Pedro! Ele estava ali! O brilho! Eu vi. Eu sei que o vi. O nosso filho…
O pai, acordado pelo barulho, perguntou, obviamente, o que é que se passara. Ela, ainda confusa, continuou a dizer que vira o seu filho. Passados alguns segundos, apercebeu-se que fora só um sonho e encostou, muito triste, a cabeça de novo na almofada, mas não adormeceu.
No dia seguinte, a mãe caminhava calmamente pela aldeia. As olheiras destacavam-se no rosto pálido do frio e da tristeza. As pessoas cumprimentavam-na, mas ela não respondia; não por má educação, talvez por estar com sono ou ainda a pensar no sonho da noite anterior.
Na semana a seguir, foi verificar o lume, para não pegar fogo, como na noite em que descobrira quem havia raptado a estrela. Também como nessa noite, viu uma luz vinda por debaixo do quarto de Pedro. Ainda não o tinham arrumado, diziam que não tinham tempo. Na verdade, o que não tinham era coragem para entrar lá outra vez. Contudo, a casa podia a estar a ser assaltada. Então esqueceu o medo e entrou no quarto com um bastão na mão. Foi a maior surpresa do mês, e já tinha tido muitas, quando viu o seu filho a segurar a estrela. Era uma autêntica repetição do passado. A luz saía das mãos do menino que se sentava em cima da sua cama com os lençóis do Pato Donald. De Pedro, só ouviu uma palavra: “Esquece.”. No mesmo momento que sorria para a mãe, desapareceu. Agora, esta não chamou a atenção de ninguém. Quer essa cena tivesse acontecido ou não, ela retirou daí uma mensagem.
Desde então, nunca mais chorou outra vez por Pedro. Na manhã seguinte, as flores desabrocharam, as árvores deram frutos, as vinhas deram uvas e as nuvens afastaram-se, para deixar o sol brilhar, tudo num período de tempo muito curto.

Duarte Magano

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

60ºAniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

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Hoje, foi esta a nossa Oração da Manhã no Colégio:
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Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

José Carlos Ary dos Santos, Kyrie

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Palavras que tocam...

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Destaque do Cabaz de Natal
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«Quando eu morrer não se esqueça de mim». A memória esvai-se. Quero-me lembrar da expressão, do sorriso límpido, de uma beleza despovoada como o deserto. Da tua juventude. Não tinhas vinte anos, isso é seguro. «Não se esqueça de mim!» Lembro-me da combina: «Só quero durar até ao Natal». Porquê o Natal, Deus meu? Tu que irias ter com os anjos todos os dias, e contar coisas da Terra e dos homens, tu que fazes já parte do paraíso e sempre fizeste. «Até ao Natal, doutor», depois pare as torneirinhas que regam as minhas veias, tentando manter o verde da vida, das plan­tas com viço que no meu jardim, à míngua de seiva, soluçam em tons de castanho. «Não se esqueça de mim». Não me esqueço de ti meu menino Jesus feito menina. Tu só querias viver até ao dia em que nasceu aquele que dá sentido às coisas. Porquê meu Deus? Cumpri a minha parte e tu cumpriste a tua. Não mais qui­mioterapia depois do Natal, só a tranquilidade dos que têm fé e sobem, devagarinho, perante nós. «Não se esqueça de mim». Como te posso esquecer? És só uma voz, uma esperança, um fio de coragem, coisa pequena, apenas regato. E no entanto, amo-te como a uma visão, uma miragem que deixasse uma marca de pri­vilégio por ter tocado a tua mão. Tenho a memória exacta do can­cro. Começava no pescoço. Devagarinho subia através da nuca, silencioso, determinado como fera no capim. Penetrava o osso, abria o embrulho que esconde e protege a tua alma, e em tons de branco e cinzento, devagarinho, corroía o cérebro. Primeiro encostou-se, depois embuste, como erva daninha, começou a ali­mentar-se do teu sangue, sorveu a tua vida, entrou sem pedir licença. Conheci-te porque ao tocar o teu íntimo, a doença, cal­cula, fazia-te ver estrelas. Pequeninas, brilhantes e fugazes. Estra­nhas, contudo, porque surgiam durante o dia. «Doutor, não se esqueça de mim». Não me esqueço, nem do remorso pela pirueta de artista amestrado que se enche de orgulho pelo diagnóstico certeiro, ainda que seja o de uma flecha implacável que marca o destino. As estrelas que vê, minha querida, não habitam o céu, são fogo de artifício da doença que a consome. Coisa estranha a epilepsia. O cérebro invadido cria por momentos a ilusão de um firmamento. Eu vou tratá-la, quero dizer, trazer as estrelas à terra e apagá-las com um sopro. Como velas em dia de anos. Ao mesmo tempo, minha querida, apagar a ilusão. Eu próprio bate­rei palmas ao golpe de mágica que faz desaparecer as estrelas como te afastasse, te adiasse o Céu que no fundo desejavas. «Até ao Natal, doutor, e depois, não se esqueça de mim».
Agora, onde estiveres, de certeza que há Mar. Brincas com o Menino Jesus que querias conhecer, a cuja festa de anos não que­rias faltar, menina que espera o nascimento do irmão. Escavam na areia crateras que a maré enche. Ouvem o adeus das ondas e sentem o abraço do seu retorno. De certeza que discorrem sobre coisas de somenos importância, quem sabe disputam pás e anci­nhos, clamando pela Nossa Senhora que ponha ordem naquela disputa. Estou certo que levaste a melhor, e o menino Jesus, a cujos anos não querias faltar, faz carranca e beicinho. Nossa Senhora irá decerto lembrar a generosidade que é necessário te: com quem se convida para os anos.» Deixa a menina brincar». «Só até ao Natal, doutor, e não se esqueça de mim». Não te esqueças tu de mim. Onde estás lembra-te de que cumpri a minha parte, lutei contra a besta que te consumia e de mim te apartava, apa­guei as luzes que pareciam estrelas e criei a ilusão de adiar a eternidade. Como se fosse possível, meu Deus, haver vida para além do Natal.
Nuno Lobo Antunes

Pessoa(s) - 12ºAno

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Ainda Fernando Pessoa (Oficina de Escrita: Pessoa visto pelos alunos)
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Um homem enchapelado e de vestes negras senta-se à secretária de cigarro na mão. Na sua face lê-se uma expressão algo enigmática, e na folha que repousa sobre a mesa adivinha-se um poema. O bigode curto e negro e os óculos de míope inveterado não deixam dúvidas: é Fernando Pessoa. Deixou-nos Almada Negreiros esta imagem de um homem que, ou pelo interesse pela literatura, ou pela força de frequentes encontros casuais com a sua figura e com o seu nome, a todos nos é familiar. De facto, Fernando Pessoa é um nome que desde logo se impõe como sendo pertencente a uma personalidade lapidarmente impressa na literatura e espírito nacionais. Conquanto não tenha conhecido qualquer projecção em vida, tendo sido recebido com desprezo pela maioria do público, Pessoa enfileira hoje, de forma incontestável, entre os maiores poetas de todos os tempos.
Aquilo que sei sobre ele deriva, pois, de uma espécie de consciência nacional, a mesma que me leva a reconhecer a Torre dos Clérigos ou o Mosteiro dos Jerónimos como parte integrante de um património profundamente português. Sei-o múltiplo, ecléctico, paradoxal, anglómano e predicante de ideais de teor patriótico, sebastianista e regenerador. Invejo-lhe a imaginação, e a capacidade de continuamente recriar os mundos quiméricos de que se fazia rodear. Encontro nele uma nova forma de conceber a literatura como linguagem e uma relação desconcertante entre autor e obra, que tanto se aparta da tradicional. Muitos são aqueles que nos seus poemas e romances dão vida a personagens fictícias, delineando-lhes a biografia e a personalidade, mas ninguém como Pessoa se apodera dos caracteres físicos e psíquicos das suas criações, fazendo-os seus. Campos, Caeiro e Reis são personagens que poderiam figurar num qualquer romance, mas a quem Pessoa empresta o corpo e a pena. É sublime poder testemunhar as permanentes metamorfoses a que se submete, é verdadeira poesia!
Seria maluco? Ouve-se por aí dizer que o era, mas quem o não é? “De poeta e louco, todos temos um pouco”: assim postula a sabedoria popular, a mesma a quem tantas vezes ouvimos dizer “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!” ou ainda “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!”.


Inês Homem de Melo Marques
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Cabaz de Natal

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Natal é sempre que um homem ler...
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