domingo, 30 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
Nobel da Literatura 2014
O laureado, de 69 anos, nascido em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, a 30 de julho de 1945, herdou dos pais essa memória da guerra: o pai, um judeu natural de Alexandria, conheceu a mãe, atriz belga, durante a ocupação francesa, pelas forças nazis.
Devido às digressões profissionais da mãe, estudou em várias escolas, um pouco por toda a França, e completou os estudos do liceu em Paris, uma cidade que se viria a tornar cenário frequente nas suas obras.
Aos 12 anos sofreu o desgosto da morte do irmão mais novo, com quem tinha uma relação muito próxima, e a quem viria a dedicar o primeiro livro, La Place de l'Étoile (1968).
Só um ano antes da publicação deste primeiro livro Modiano conseguiu uma situação financeira estável para passar a dedicar-se totalmente à escrita, depois de ter tido vários empregos para sobreviver.
Os temas da memória, do esquecimento, da identidade e da culpa vão marcar a futura obra do autor, que obteve um sucesso quase imediato com o primeiro romance, intensificado com o segundo, La Ronde de Nuit (1969), e o terceiro, Les Boulevards de Ceinture (1972).
O Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1972, e o Prémio Goncourt, em 1978, pela obra A Rua das Lojas Escuras (1978) - publicado em Portugal pela editora Relógio d'Água, em 1987 - vieram trazer-lhe um lugar definitivo na literatura francesa.
Patrick Modiano manteve-se um autor prolífico nas duas décadas seguintes, publicando obras como Quartier Perdu (1984), Catherine Certitude (1988), ilustrado por Sempé, ou Remise de Peine (1988).
Em Portugal seriam ainda publicados os livros Domingos de Agosto (1986), pela Dom Quixote, em 1988, Dora Bruder (1997), pelas Edições ASA, em 1998, No Café da Juventude Perdida (2007), também pelas Edições ASA, em 2009, e Horizonte (2010), pela Porto Editora, em 2011.
Na altura, o editor Manuel Alberto Valente, da Porto Editora, definiu Modiano como "o principal escritor francês da atualidade".
Modiano viria a ser galardoado com o Grande Prémio Nacional das Letras de França, em 1996, num tributo pela totalidade da sua obra, que se manteve assinalada por uma fundação autobiográfica ou acontecimentos decorridos durante a ocupação alemã.
Dora Bruder é um exemplo dessa memória histórica, sobre uma rapariga de 15 anos que vive em Paris e que se torna vítima do Holocausto.
Patrick Modiano também escreveu livros para crianças e argumentos para filmes, nomeadamente, com o realizador Louis Malle, para a longa-metagem Lacombe Lucien (1974), passada na França, durante a ocupação alemã, protagonizada por um jovem.
O livro mais recente do galardoado com o Nobel da Literatura é deste ano, e intitula-se Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier.
Patrick Modiano é o 15.ª autor francês distinguido com o Nobel da Literatura. O galardão será entregue numa cerimónia em Estocolmo, a 10 de dezembro.
Do artigo da Visão Ler mais: http://visao.sapo.pt/conheca-patrick-modiano-premio-nobel-da-literatura=f797854#ixzz3Fx9bb0nT
Do artigo da Visão Ler mais: http://visao.sapo.pt/conheca-patrick-modiano-premio-nobel-da-literatura=f797854#ixzz3Fx9bb0nT
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| Um dos livros de Mondiano. |
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Escritaria 2014
A edição deste ano foi dedicada à escritora Lídia Jorge.
Clicar na imagem, para aceder ao vídeo.
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Enviado por Auxília Ramos
terça-feira, 30 de setembro de 2014
domingo, 28 de setembro de 2014
Escritaria | 2014
E a propósito de Lídia Jorge, deixamos também uma entrevista muito especial, feita pela escritora a Frei Bento Domingues: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/estou-no-meio-do-misterio-1670822
Enviado por: Auxília Ramos
domingo, 14 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
"Um abraçaço"
O Lusografias acabou de superar, neste mês, o marco das 100 000 visualizações! Muito, muito obrigado!
Deixamos, nas palavras de Caetano Veloso, "um abraçaço" aos nossos leitores, numa justa homenagem à lusofonia e à diáspora portuguesa.
"Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço!"
domingo, 20 de julho de 2014
Morreu João Ubaldo Ribeiro
O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu nesta sexta-feira, aos 73 anos, na sua casa no Leblon, no Rio de Janeiro. O prémio Camões 2008, que era autor de uma obra que engloba as culturas portuguesa, africanas e brasileira e com um alto nível literário, considerava-se discípulo de Jorge Amado. Os romances Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro são já considerados clássicos. Para o seu editor português, Nelson de Matos, era "um dos mais exímios manipuladores da língua portuguesa".
Ler a notícia completa do Público aqui.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Sophia
Este é o dia... Assinalam-se hoje dez anos da morte de Sophia. Deixamos, em jeito de homenagem, um documentário sobre a sua vida e obra e o artigo de Pedro Mexia, no suplemento Atual, no Expresso, sobre a "evidência luminosa" da sua poesia.
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| Clicar na imagem, para aceder ao vídeo. |
sábado, 28 de junho de 2014
Oito séculos de história da Língua Portuguesa
Em jeito de homenagem, deixamos o maravilhoso texto de Hélia Correia sobre esta "Menina e Moça" com oito séculos.
Menina e Moça
Menina e Moça
Ela não esqueceu nunca o
tempo em que era uma camponesinha descarada que dançava debaixo de avelaneiras
em flor. Ri facilmente e, ao menos pretexto, tira os sapatos, prende as saias
com a mão, parte outra vez ao encontro da sua natureza que aceita mal a convenção
e os arrebiques. Tem o latim por pai, é certo, mas um pai com barba vagabunda,
alheio à higiene e às declinações. Herdou das mouras uma certa languidez, essa
demora no olhar que indica a predisposição para o descuido nos pormenores mais
práticos da vida. Atravessou-a o espírito dos Celtas. Está visto que haveria de
nascer versejante e com algum defeito de maneiras. Creio eu que, como em todas
as moçoilas, lhe resulta o desleixo em sedução.
Não se ajeita a
discursos, a não ser que pisque o olho e sopre malandrice, sermoneando ao peixe
em vez de ao homem, para que o homem se sinta mas não possa acusar o envio da
censura. Mesmo no grande épico lusíada, vemos Camões a rir daquele marinheiro,
Veloso de seu nome, que desceu em muito menos tempo do que o tinha subido um
outeiro que escondia nativos assanhados. Por efeitos de história e crescimento,
civilizou-se um pouco, entrou na corte, fez vénia às muitas modas chegadas do
estrangeiro. Viu-se que sufocava no espartilho e que as anemias literárias, se
vão bem com a frágil compleição das inglesas, só conseguem, à nossa,
encardir-lhe as feições.
Grandes amores teve ela
com Mestre Gil Vicente e foi esse um enlace sem igual na duração e na
intensidade, e, mais, sem nunca um do outro se enjoarem, antes encherem de
apalpões e viço as deprimidas salas palacianas. Mesmo nas ligações com gente
lacrimosa, como era o caso de Camilo Castelo Branco, lhe escapa muita vez o
estilo ao romantismo para retornar à mão em anca e à chacota. Se eu quisesse
ser má, avançaria que não é ilusão das sombras este buço que vemos encimar-lhe
o lábio superior. tem uma exuberância de corpo que não leva ao feminismo porque
não precisa de ver filosofada a sua força. Há nela aquela espécie de ardor
matriarcal que fez com que as melhores das nossas heroínas fossem bastante mais
impiedosas do que qualquer guerreiro experimentado.
[...]
Saiu para além do mar com os marinheiros, mas
não entendeu nada do Império. O que quis foi dançar e misturar-se. Enquanto
eles degolavam e ofendiam, ela deitou-se na frescura das palhotas e gerou
promissoras combinações da espécie. Enquanto a missa e a lei teimavam no latim,
ela, a menina do descaramento, espalhava as filhas pelo mundo fora, numa alegre
e opulenta sementeira. Abriu os braços a fonemas e a deuses que eram até então
estrangeiros e hostis mas nela se deixaram docemente fundir.
Enquanto a nobreza
degenera, por secagem do sangue doçarias, a nossa mocetona continua trocando
afeto em terra de África e Brasil, tomando e oferecendo, e outro não é o
segredo da sua juventude. [...]
Hélia
Correia, 12-06-1997, in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (texto com
supressões)
domingo, 18 de maio de 2014
Sugestão | "Poema Bar"
Apresentado pela primeira vez em julho de 2011 na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, no âmbito da celebração do ano Portugal/Brasil assim como no centenário do nascimento de Vinícius de Moraes e na celebração dos 125 anos de Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, Poema Bar passou pelo Brasil, Alemanha e de novo por Portugal. O sucesso destas atuações garantiu o regresso de Alexandre Borges ao nosso país com espetáculos agendados para o mês de maio, em Lisboa e no norte de Portugal.
Unindo dois dos maiores poetas da Língua Portuguesa, Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes, Poema Bar celebra a poesia e a música de Portugal e Brasil. Ao som de harmonias brasileiras e portuguesas, algumas das mais belas palavras destes poetas são ditas pela voz do actor brasileiro Alexandre Borges, acompanhadas ao piano por João Vasco.
O espetáculo já foi visto e ouvido por mais de doze mil pessoas, chegando a todo o tipo de público desde a Favela do Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, a Fundação José Saramago – Casa dos Bicos, em Lisboa, ou o Teatro Bühne der Kulturen, em Colónia.
Calendário de espetáculos Poema Bar:
> 20 de maio – Teatro Constantino Nery (Porto/Matosinhos – estreia absoluta no grande Porto)
> 22 de maio – Livraria Lello (Porto)
Ler mais: http://www.atelevisao.com/famosos/alexandre-borges-traz-espetaculo-portugal-com-o-apoio-da-globo/#ixzz325v8CvMn
Enviado por Auxília Ramos
sábado, 10 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Vasco Graça Moura | "in memoriam"
virão dias, semanas, meses, anos,
e os ciclos dos astros indiferentes,
mover-se-ão na mesma os oceanos
e as placas que sustentam continentes.
mola do mundo, o coração aviva
a chama desta lâmpada votiva.
Vasco Graça Moura, in Antologia Poética
domingo, 27 de abril de 2014
Uma obra muito especial...
É com grande orgulho que noticiamos no Lusografias que o aluno Diogo Domingues (12º ano) editou A História de Portugal contada a todos, com a chancela da Chiado Editora. O lançamento aconteceu na Bertrand do Shopping Cidade do Porto, no dia 25 de abril. A apresentação da obra ficou a cargo da Professora Patrícia Faria, cuja comunicação transcrevemos. Muitos parabéns!
Em primeiro lugar, quero felicitar o Diogo pela determinação
e sobretudo pela audácia em mergulhar num projeto desta natureza, nada fácil,
que é o de escrever um livro.
Para os que sentem amor às letras, esta é uma idade em que a
sociedade talvez espere com alguma normalidade e até benevolência, que os mais
jovens escrevam pequenas narrativas, ficcionadas, oriundas do génio inventivo
precoce ou até criem poesia lírica e sentimental, dando asas a uma busca
interior, em espíritos ávidos, personalidades em afirmação… Mas, este jovem
aqui ao meu lado, em particular, lançou-se na aventura de redigir um texto que
muitos autores escolhem relegar para uma idade madura e tranquila no tempo.
Começaste ao contrário e pelo mais difícil, portanto.
Ter uma ideia para algo é relativamente simples para a
maioria das pessoas. Arquiteturar essa ideia, transformando-a em projecto, é tarefa
ainda para muitos. Dar início a um propósito, começar a concretizar um traçado
e aceitar colocar mãos à obra a um objetivo premeditado, já é atributo para menos.
Mas agora…levar a bom porto uma ideia inicial, consumando um projeto laborioso,
manter o mesmo espírito entusiasta e a mesma paixão anímica até ao fim, tendo
em conta que neste caso, não se trata de uma qualquer obra, apenas uma …..
História de Portugal, isso é apanágio para poucos.
Vou ainda mais longe: não deve haver muitos como tu, Diogo, pelo
país fora, que, com a tua idade, se tenham atrevido a publicar uma obra deste
género. Talvez mesmo, dentro do campo da História (e aqui a Editora Chiado
poderá responder melhor do que eu), tu sejas caso único a nível nacional. Se
estiver errada, corrige-me por favor: tinhas 16 anos quando puseste mãos ao
projeto, e provavelmente ainda menos quando a ideia se te aflorou pela primeira
vez à mente. Aos 17 lançaste-te na concretização desse mesmo projeto, que
agora, aos 18, se realizou plenamente.
Só por isso, meu caro Diogo, estás de parabéns!
A “História de Portugal contada a todos” é essencialmente uma
obra de divulgação e informação histórica.
Direcionada para o público jovem adulto, convida-nos a uma
longa viagem pela História nacional, a uma verdadeira odisseia portuguesa.
Estruturada em 25 breves capítulos (desde a Pré-História até ao Portugal
Contemporâneo), este livro é seguramente, o guia ideal para os jovens mais
curiosos, que durante o percurso pré-universitário pretendam alargar os
horizontes da cultura geral, já sem falar dos alunos de Humanidades, da
especialidade, que o poderão utilizar como manual de referência e de consulta. E
claro, ainda para o público em geral, curioso, que de uma forma evidente e
rápida, ambicione aceder aos principais factos e circunstâncias da História
lusa.
No teu livro, mencionas de uma forma sucinta mas integral, os
principais acontecimentos e marcos da nossa História, destacando as grandes
personalidades. Entre outros, Afonso Henriques, Vasco Da Gama, ilustram e
embelezam a capa, aliás, muito apelativa.
Através deles, autores como tu, ajudam a manter viva a
História. E porque é importante a História? Porque ela é a Memória, a Memória
da Humanidade, que queremos que prevaleça, para dar sentido às nossas ações, às
ações do coletivo, às existências, ao futuro sempre imediato, melhor se
possível que o passado recente. Porque a História é isto, somos nós, os
grandes, os mais pequenos, as miríades de gentes que um dia habitaram a terra e
que quiseram contar como foi. E nós, contemporâneos, queremos ouvir.
Tantas “estórias” dentro da História. Nos documentos pululam,
aliás, heróis visíveis, mas também e, sobretudo, muitos heróis anónimos que se
encontram nas entrelinhas dos registos históricos e que, sem eles, sem o seu
contributo dos seus atos e gestos, Portugal não existiria. Falo por exemplo
desses pioneiros do início da nacionalidade, aventureiros portugueses dos
Descobrimentos, dos emigrantes, que um dia partiram em direção ao novo, ao
desconhecido, em busca do melhor. As suas histórias são uma marca d’água nos
documentos.
O livro é também uma homenagem a todos eles.
Esta, foi seguramente uma tarefa gratificante para ti, Diogo,
mas podes crer também para nós, professores, para mim especialmente, como tua
professora de História, e para o próprio Colégio Luso-Francês, que como
instituição, com valores muito próprios, se pode orgulhar em ter na sua
comunidade alunos, melhor, pessoas assim: apaixonados pelo saber, entusiastas, empreendedoras.
E estou certa que este tipo de iniciativa é a também a boa prova de que a
missão e os objetivos do Colégio vão sendo cumpridos e efetivamente
prosseguidos.
É neste contexto que tenho acompanhado nestes últimos três
anos como professora, o teu brilhante percurso escolar ao longo desta etapa
transitória que é o Secundário. O gosto, a paixão pela História foi sempre uma
constante desde a primeira aula, quando te conheci. Desde aí, o teu empenho e
dedicação não diminuíram um centímetro que fosse, pelo contrário, dou o exemplo
das tuas intervenções sempre muito oportunas em aula que só demonstram esta evidência:
uma incomensurável vontade de saber, de conhecer.
E há ainda outro fator que merece ser realçado: é que as tuas
capacidades de concentração, estudo e de trabalho demonstram, numa época em que
se enaltecem essas mesmas qualidades, a capacidade
de empreendedorismo:
Senão vejamos:
1º É um trabalho com originalidade em que o autor teve que
adquirir conhecimentos, procurar informação, fazer pesquisa histórica, ir às
fontes.
2º É uma obra objetivada em proveito da divulgação histórica,
para os outros, portanto.
3º Na cultura atual, em que tanto se fala do incentivo ao empreendedorismo
dos mais
jovens, tudo isto está na ordem do dia, sendo uma exigência acrescida para que
o conhecimento seja profícuo e, portanto, em consonância com a utilidade
pessoal e social. Trata-se, sem dúvida, de um verdadeiro caso de
empreendedorismo cultural.
Digo-te muito sinceramente e julgo que não falo só por mim,
mas pela voz de qualquer professor: que orgulho ter alunos deste calibre! E
para os pais, que orgulho ter filhos assim.
Porém, Diogo, nada disto seria pleno, integral sem a
participação de uma particular faceta do teu carácter que gostaria de relevar:
a tua humanidade.
É que nestes últimos anos, Diogo, o que eu observo, não é
apenas um bom aluno. É um aluno bom. Bom de coração, sempre pronto a colaborar
com os professores, recetivo a qualquer tarefa proposta, muito solícito para
com os colegas (atendendo a qualquer dúvida ou prestando qualquer
esclarecimento pontual.) E mais, a esta tua humanidade, alia-se um grande
sentido, digo mesmo instinto espiritual, impregnado de valores cristãos, como
demonstram as tuas vivências no Colégio, quando por exemplo, nos brindas nas aulas
do início da manhã, com lindíssimas orações por ti escolhidas e por todos nós
tão bem acolhidas. São verdadeiras fontes de inspiração para o resto de um
longo dia de trabalho.
Que sejas sempre constante nesses valores positivos que te
norteiam e que te afirmam neste mundo.
Bem, pensando já em terminar, faço-o, desejando com o todo o
coração que este seja um dos múltiplos projetos que com certeza irás
concretizar ao longo da tua vida, que apenas agora entra numa florescente
Primavera … Mas uma coisa, garanto-te, nenhum te vai saber tão bem como este,
porque é o primeiro. Saboreia por isso bem estes momentos, porque são únicos e
especiais.
E, ainda em relação aos livros, queremos todos, Diogo, que com
o andamento dos trabalhos em curso, tu completes uma História da Europa antes
dos 21 anos e uma História Universal ao chegares aos 25, para assim, depois, poderes,
lá para a frente, quando já fores bem velhinho, dedicares-te
a outros géneros literários…. Quem sabe, à poesia!!
Muitos Parabéns e muitas felicidades!
Patrícia Faria
Enviado por Auxília Ramos
sexta-feira, 25 de abril de 2014
25 de abril - 40 anos
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QUEM A TEM...
Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade. Eu não posso senão ser desta terra em que nasci. Embora ao mundo pertença e sempre a verdade vença, qual será ser livre aqui, não hei-de morrer sem saber. |
|
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver. Mas embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo
não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade.
(Jorge de Sena, Poesia II)
|
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Morreu Gabriel García Márquez
Deixamos, como homenagem, um testemunho de José Saramago sobre o amigo:
Os escritores dividem-se (imaginando que aceitem ser assim divididos…) em dois grupos: o mais reduzido, daqueles que foram capazes de rasgar à literatura novos caminhos, o mais numeroso, o dos que vão atrás e se servem desses caminhos para a sua própria viagem. É assim desde o princípio do planeta e a (legítima?) vaidade dos autores nada pode contra as claridades da evidência. Gabriel García Márquez usou o seu engenho para abrir e consolidar a estrada do depois mal chamado “realismo mágico” por onde logo avançaram multidões de seguidores e, como sempre acontece, os detractores de turno. O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos. Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.
Os escritores dividem-se (imaginando que aceitem ser assim divididos…) em dois grupos: o mais reduzido, daqueles que foram capazes de rasgar à literatura novos caminhos, o mais numeroso, o dos que vão atrás e se servem desses caminhos para a sua própria viagem. É assim desde o princípio do planeta e a (legítima?) vaidade dos autores nada pode contra as claridades da evidência. Gabriel García Márquez usou o seu engenho para abrir e consolidar a estrada do depois mal chamado “realismo mágico” por onde logo avançaram multidões de seguidores e, como sempre acontece, os detractores de turno. O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos. Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.
José Saramago
domingo, 30 de março de 2014
27 de março | Dia Mundial do Teatro
Todos os anos, a 27 de março, há uma mensagem mundial que homenageia as artes do espectáculo. E os seus intervenientes. A primeira foi proferida por Jean Cocteau, há 52 anos, na inauguração das celebrações do primeiro Dia Mundial do Teatro, criado pelo Instituto Internacional de Teatro da UNESCO.
Este ano, as poderosas palavras pertenceram ao multifacetado artista sul-africano Brett Bailey, que nos relembra que, apesar de todos os perigos da actualidade, "desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação", reflectindo sobre o poder do Teatro e o papel imprescindível das artes e dos artistas.
Deixamos uma imagem de um excerto deste texto, que foi distribuído sob a forma de folheto no Teatro Nacional de São João.
Enviado por Auxília Ramos
sábado, 22 de março de 2014
21 de março | Dia Mundial da Poesia
Dia da Poesia – Cadavre
Exquis
Na mais ínfima das coisas a poesia acontece.
O desconhecido dá lugar à verdade,
A verdade é luz para os olhos.
Reflexão, cumplicidade,
Verdade confessada,
Desilusão de ti.
Expectativa defraudada,
Mas não a única coisa defraudada em ti.
Tudo em ti era doutra maneira.
Contraditório, porém sossegado,
Como sossego da noite estrelada.
Sinto-me sozinho no meio da estrada.
O vazio cresce e a tristeza invade
Meu ser, até que
Tudo floresce e a alma se rende
Por algo mais.
Creio não ser demais,
Talvez indispensável!
Temos de acordar, temos de viver,
Temos de sonhar, temos de crescer.
É tempo de olhar à nossa volta.
É tempo de voar.
E, assim,
Dizer
É a Hora!
O desconhecido dá lugar à verdade,
A verdade é luz para os olhos.
Reflexão, cumplicidade,
Verdade confessada,
Desilusão de ti.
Expectativa defraudada,
Mas não a única coisa defraudada em ti.
Tudo em ti era doutra maneira.
Contraditório, porém sossegado,
Como sossego da noite estrelada.
Sinto-me sozinho no meio da estrada.
O vazio cresce e a tristeza invade
Meu ser, até que
Tudo floresce e a alma se rende
Por algo mais.
Creio não ser demais,
Talvez indispensável!
Temos de acordar, temos de viver,
Temos de sonhar, temos de crescer.
É tempo de olhar à nossa volta.
É tempo de voar.
E, assim,
Dizer
É a Hora!
Turma 12ºA
Enviado por Auxília Ramos
domingo, 16 de março de 2014
O Centenário de "O Guardador de Rebanhos"
Deixamos a imagem do lançamento, na FNAC, da edição comemorativa, promovida pelo Centro Atlântico, de "O Guardador de Rebanhos", com prefácio de Pedro Sinde:
Enviado por Auxília Ramos
Enviado por Auxília Ramos
quinta-feira, 6 de março de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Livro é muito mais do que a antologia corrente da existência
Póvoa de
Varzim, 22.02.2014 - Sete escritores debruçaram-se sobre o desafio da frase
“Cada livro é a antologia corrente da existência”.
Chegou-se à conclusão de que cada livro não é a
antologia corrente da existência, aliás, Miguel Sousa Tavares considera que “é
muito mais do que isso”.
A Mesa 5 do Correntes d’Escritas voltou a exceder a
expetativa de público, que lotou o Centro de Congressos do Axis Vermar, esta
noite de sexta-feira, dia 21. O painel moderado por Michael Kegler contou com
as explanações de Carlos Quiroga, Joana Bértholo, Manuel da Silva Ramos, Manuel
Jorge Marmelo, Miguel Sousa Tavares, Ondjaki e Rui Zink.
O primeiro a abordar o tema foi o galego Carlos
Quiroga, que realizou um trabalho de campo prévio, indo às livrarias perguntar
se tinham “Antologia corrente da existência”, no que foi entendido nalguns
casos como um ato provocatório. Recebeu como resposta algumas perguntas de
surpresa total: “Corrente como? Da existência de quem?”
Apesar de todo o esforço, Carlos Quiroga não deu o
trabalho totalmente por perdido, pois da “conversa com o último fulano, veio a
ideia do cruzamento com a propaganda que há algum tempo recebia: trata-se do
anúncio de um revolucionário conceito de tecnologia de informação chamada de
Local de Informações Variadas Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.. Um avanço
fantástico, sem fios nem circuitos elétricos nem pilhas, não requer que se
conete ou ligue a nada e é tão fácil de usar que até uma criança o pode
utilizar”…
Joana Bértholo estreou-se no Correntes e como resposta
ao desafio resolveu contar a sua experiência de “fazedora de livros” num
projeto social na Argentina (Cartonera), em que cada livro era feito à mão por
artistas e artesãos, numa comunhão de esforços que resultava num objeto único.
Deixou a reflexão – “um livro está para a existência como uma flor está para um
jardim”.
Manuel da Silva Ramos contou a reflexão que realizou
para responder à questão colocada por esta Mesa “Cada livro é a antologia
corrente da existência”. O autor resolveu olhar para os seus 18 livros
publicados e, através deles, olhar para o passado “com olhos de lince
discreto”. E, facilmente, vê a sua vida passada, com as transformações e etapas
de homem, com uma sensação estranha: “tão poucos livros para tão grande
vivência”.
O premiado deste ano do Correntes d’Escritas, Manuel
Jorge Marmelo afirmou que não percebia muito bem a frase proposta. A
dificuldade começa logo na expressão corrente, “para a qual existem para
cima de 20 significados possíveis; existência é uma daquelas palavras
totalitárias que facilmente inclui a vida e a realidade inteiras. E antologia
tanto pode ser uma simples coleção atualizada de textos como o estudo das
flores. Supondo ainda assim que a expressão antologia corrente da existência
designa uma coleção atualizada da vida ou da realidade e que esta seleção
transitará para cada livro que escrevo, creio que acabaríamos por não concluir
grande coisa”.
Marmelo afirmou ainda que “os livros de ficção que
escrevo são de algum modo a tal antologia corrente da existência, mas ao mesmo
tempo não o são de modo nenhum”. É que a ficção cria uma realidade paralela.
Ondjaki considerou que “cada vida é uma antologia à
solta” e resolveu apresentar ao público do Correntes a biografia do seu
vizinho. Na história apresentada pelo escritor angolano, o seu vizinho é que é
o autor dos seus livros, as suas histórias são a ficção criada pelo vizinho,
afinal, ele nunca escreveu nada.
Rui Zink confessou que não esperava que estivessem 600
pessoas a assistir à sessão e saudou o “milagre das Correntes”, que conseguiu
reunir mais pessoas que os “446 partidos de esquerda, que se formaram nas
últimos 48 horas, para unir a esquerda”.
Rui Zink concorda com a frase de título da Mesa 5:
“parece óbvio, já que tudo o que eu escrevo tem uma ligação direta ao
quotidiano, e numa daquelas coincidências espantosas, tudo o que eu leio também
tem tudo a ver com o que estou a viver”. Zink afirmou que com o livro “A
instalação do medo” (de capa cinzenta) quis salvar Portugal, entretanto a
corrente de salvação do escritor estende-se para outro livro de capa “rosa
chiclete” – “A metametamorfose e outras fermosas morfoses” – com o qual quis
salvar o Mundo.
Miguel Sousa Tavares responde Não à pergunta
“Cada livro é a antologia corrente da existência?” O autor considera que se o
livro (que contém toda a condição humana) fosse a antologia corrente da
existência, seria a “pior exigência que se poderia fazer a um contador de
histórias, que era a de lhe retirar o direito essencial à mentira. Um livro, um
romance não é nem uma antologia, nem um relatório ou sequer um relato da
existência, apenas dá conta de que quem o escreveu estará vivo e essa é a única
ligação à existência, a sua própria existência.”
Enviado por Auxília Ramos
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