O homem
moderno é um produto dissonante. É caraterizado pela incapacidade de acompanhar
o próprio ritmo, de viver completamente a vida que projetou para si. Sente uma
constante necessidade de afirmação, que resulta de evidência que será sempre
pequeno, que o sossego é um conceito ultrapassado e já quase paradoxal.
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"O grito", de Edvard Munch, 1893 |
Os tempos modernos não só mudaram o nosso ritmo de vida, mas
também a imagem que temos de nós mesmos, O constante bombardeamento de
mensagens publicitárias molda a nossa ideia de homem/mulher. A permanente
comparação com modelos inalcançáveis distorce a forma como nos vemos. Como
afirma Fernando Pessoa – “(...) estou farto de semideuses! (...) Então sou só
eu que é vil e erróneo nesta terra?”. Sentimo-nos miseráveis e todas as
tentativas de viver parecem-nos, finalmente, patéticas. Quantos escritores
sofrem por não escreverem como Camões, cientistas por não serem Einstein ou
músicos por não comporem como Mozart? Terão estes, por sua vez, chorado ainda à
sombra de gigantes como Homero, Newton ou Bach? Casos paradigmáticos da exigência
da sociedade contemporânea são os de anorexia, nos quais a pressão social deixa
danos psicológicos graves.
Em
suma, o homem tem dificuldades em se adaptar aos tempos em que vive. Haverá
mudança? Uma não alteração dos paradigmas modernos implicará que o indivíduo
continuará nesta corrida desassossegada atrás de não se sabe bem o quê.
Duarte Magano, 12º ano B (Enviado por Auxília Ramos)
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