sábado, 20 de dezembro de 2014

Em jeito de oratória

Os alunos do 11.º ano desenvolveram, no final do estudo do "Sermão de Santo António aos Peixes", de Padre António Vieira, uma proposta de reescrita do primeiro parágrafo do texto, sublinhando a sua dimensão alegórica. Eis três resultados:


*
Vós, diz professor, mestre nosso, falando com os alunos, sois os livros do pensamento, e chama-lhes os livros da razão, porque quer que façam na razão o que fazem os livros. O efeito dos livros é impedir a ignorância; mas quando na razão se vê tão ignorante como está a nossa, havendo tantos com o ofício de livro, qual será, ou qual pode ser a causa desta tamanha ignorância? Ou é porque os livros não informam, ou porque na razão se não deixa informar. Ou é porque os livros não informam, e os alunos não alimentam a razão com a verdadeira sabedoria; ou porque o pensamento se não deixa informar, e a razão prefere a ignorância que a outra cousa que lhe deem. Ou é porque os livros não informam, e os alunos aprendem uma coisa e fazem outra; ou porque a razão não se deixa informar, e prefere seguir o livro à letra ignorando o seu verdadeiro conteúdo. Ou é porque os livros não informam, e os alunos alimentam-se a si e não à razão; ou porque o pensamento não se deixa informar, e a razão prefere interiorizar o que lhe convém em vez de aquilo que deve ser interiorizado. Não é isto tudo verdade? Não sabeis? Então lede, lede! Ainda mal!
Afonso Azevedo, 11.º A



*
Vós, diz Cristo, senhor nosso, falando com os alunos, sois a luz da terra: e chama-lhes luz da terra, porque quer que façam na terra o que faz a luz. O efeito da luz é iluminar; mas quando a terra se vê tão escura como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de luz, qual será, ou qual pode ser a causa desta escuridão? Ou é porque a luz não ilumina, ou porque a terra se não deixa iluminar. Ou é porque a luz não ilumina, e os alunos não se esforçam por aprender; ou porque a terra se não deixa iluminar, e os homens não garantem condições de aprendizagem aos alunos. Ou é porque a luz não ilumina, e os alunos julgam que sabem tudo; ou porque a terra se não deixa iluminar, e os homens julgam que os alunos não sabem nada. Ou é porque a luz não ilumina, e os alunos não põem em prática aquilo que aprendem; ou porque a terra se não deixa iluminar, e os homens não dão valor aos alunos. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Sara Cunha, 11º A



*
Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os alunos, sois o nascer do Sol de um novo dia: e chama-lhes nascer do Sol, porque quer que façam no dia o que faz o Sol. O efeito do Sol é dar início à esperança e à alegria, mas quando o dia se vê tão escuro e triste como os nossos, havendo tantos nasceres do Sol, qual será, ou qual pode ser a causa desta tristeza? Ou é porque o Sol verdadeiramente não nasce ou porque o dia não deixa o Sol nascer. Ou é porque o Sol não nasce, e os alunos não se esforçam, ou porque o dia não deixa o Sol nascer, e a sociedade, não ouvindo os alunos, menospreza o seu contributo futuro. Ou é porque o Sol não nasce, e os alunos imitam a sociedade atual, ou porque o dia não deixa o Sol nascer, e a sociedade se conforma sem qualquer mudança. Ou é porque o Sol não nasce, e os alunos ambicionam o bem e não o concretizam, ou porque o dia não deixa o Sol nascer, e a sociedade não instrui devidamente os alunos, manipulando-os por interesses próprios. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Manuel Rocha, 11.º A


domingo, 30 de novembro de 2014

Fernando Pessoa

Em dia de aniversário da morte de Fernando Pessoa, uma edição em Braille da obra Mensagem:





terça-feira, 25 de novembro de 2014

Feira do Livro 2014

Deixamos o cartaz e os autores que visitarão o colégio durante esta semana!





domingo, 16 de novembro de 2014

Pessoa por Paulo Galindro


Para conhecer o trabalho de Paulo Galindro, clicar aqui.

domingo, 12 de outubro de 2014

Nobel da Literatura 2014


O laureado, de 69 anos, nascido em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, a 30 de julho de 1945, herdou dos pais essa memória da guerra: o pai, um judeu natural de Alexandria, conheceu a mãe, atriz belga, durante a ocupação francesa, pelas forças nazis.



Devido às digressões profissionais da mãe, estudou em várias escolas, um pouco por toda a França, e completou os estudos do liceu em Paris, uma cidade que se viria a tornar cenário frequente nas suas obras.

Aos 12 anos sofreu o desgosto da morte do irmão mais novo, com quem tinha uma relação muito próxima, e a quem viria a dedicar o primeiro livro, La Place de l'Étoile (1968).

Só um ano antes da publicação deste primeiro livro Modiano conseguiu uma situação financeira estável para passar a dedicar-se totalmente à escrita, depois de ter tido vários empregos para sobreviver.

Os temas da memória, do esquecimento, da identidade e da culpa vão marcar a futura obra do autor, que obteve um sucesso quase imediato com o primeiro romance, intensificado com o segundo, La Ronde de Nuit (1969), e o terceiro, Les Boulevards de Ceinture (1972).

O Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1972, e o Prémio Goncourt, em 1978, pela obra A Rua das Lojas Escuras (1978) - publicado em Portugal pela editora Relógio d'Água, em 1987 - vieram trazer-lhe um lugar definitivo na literatura francesa.

Patrick Modiano manteve-se um autor prolífico nas duas décadas seguintes, publicando obras como Quartier Perdu (1984), Catherine Certitude (1988), ilustrado por Sempé, ou Remise de Peine (1988).

Em Portugal seriam ainda publicados os livros Domingos de Agosto (1986), pela Dom Quixote, em 1988, Dora Bruder (1997), pelas Edições ASA, em 1998, No Café da Juventude Perdida (2007), também pelas Edições ASA, em 2009, e Horizonte (2010), pela Porto Editora, em 2011.

Na altura, o editor Manuel Alberto Valente, da Porto Editora, definiu Modiano como "o principal escritor francês da atualidade".

Modiano viria a ser galardoado com o Grande Prémio Nacional das Letras de França, em 1996, num tributo pela totalidade da sua obra, que se manteve assinalada por uma fundação autobiográfica ou acontecimentos decorridos durante a ocupação alemã.

Dora Bruder é um exemplo dessa memória histórica, sobre uma rapariga de 15 anos que vive em Paris e que se torna vítima do Holocausto.

Patrick Modiano também escreveu livros para crianças e argumentos para filmes, nomeadamente, com o realizador Louis Malle, para a longa-metagem Lacombe Lucien (1974), passada na França, durante a ocupação alemã, protagonizada por um jovem.

O livro mais recente do galardoado com o Nobel da Literatura é deste ano, e intitula-se Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier.

Patrick Modiano é o 15.ª autor francês distinguido com o Nobel da Literatura. O galardão será entregue numa cerimónia em Estocolmo, a 10 de dezembro.

Do artigo da Visão Ler mais: http://visao.sapo.pt/conheca-patrick-modiano-premio-nobel-da-literatura=f797854#ixzz3Fx9bb0nT 

Um dos livros de Mondiano.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Escritaria 2014

A edição deste ano foi dedicada à escritora Lídia Jorge.


Clicar na imagem, para aceder ao vídeo.

Enviado por Auxília Ramos

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dia Mundial da Música

Onde as palavras falham
​,​
 a música fala
​.​
 
 Hans Christian Andersen
























Enviado por: Auxília Ramos

domingo, 28 de setembro de 2014

Escritaria | 2014





































E a propósito de Lídia Jorge, deixamos também uma entrevista muito especial, feita pela escritora a Frei Bento Domingues: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/estou-no-meio-do-misterio-1670822

Enviado por: Auxília Ramos

domingo, 14 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

"Um abraçaço"

O Lusografias acabou de superar, neste mês, o marco das 100 000 visualizações! Muito, muito obrigado!
























Deixamos, nas palavras de Caetano Veloso, "um abraçaço" aos nossos leitores, numa justa homenagem à lusofonia e à diáspora portuguesa.


"Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço...
Ei! Hoje eu mando um abraçaço!"

Reminiscências do verão





























Enviado por Auxília Ramos

domingo, 20 de julho de 2014

Morreu João Ubaldo Ribeiro


O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu nesta sexta-feira, aos 73 anos, na sua casa no Leblon, no Rio de Janeiro. O prémio Camões 2008, que era autor de uma obra que engloba as culturas portuguesa, africanas e brasileira e com um alto nível literário, considerava-se discípulo de Jorge Amado. Os romances Sargento Getúlio Viva o Povo Brasileiro são já considerados clássicos. Para o seu editor português, Nelson de Matos, era "um dos mais exímios manipuladores da língua portuguesa".

Ler a notícia completa do Público aqui.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia

Este é o dia... Assinalam-se hoje dez anos da morte de Sophia. Deixamos, em jeito de homenagem, um documentário sobre a sua vida e obra e o artigo de Pedro Mexia, no suplemento Atual, no Expresso,  sobre a "evidência luminosa" da sua poesia.

Clicar na imagem, para aceder ao vídeo.








sábado, 28 de junho de 2014

Oito séculos de história da Língua Portuguesa

Em jeito de homenagem, deixamos o maravilhoso texto  de Hélia Correia sobre esta "Menina e Moça" com oito séculos.
O Testamento de D. Afonso II, o documento mais antigo escrito em português.













Menina e Moça

Ela não esqueceu nunca o tempo em que era uma camponesinha descarada que dançava debaixo de avelaneiras em flor. Ri facilmente e, ao menos pretexto, tira os sapatos, prende as saias com a mão, parte outra vez ao encontro da sua natureza que aceita mal a convenção e os arrebiques. Tem o latim por pai, é certo, mas um pai com barba vagabunda, alheio à higiene e às declinações. Herdou das mouras uma certa languidez, essa demora no olhar que indica a predisposição para o descuido nos pormenores mais práticos da vida. Atravessou-a o espírito dos Celtas. Está visto que haveria de nascer versejante e com algum defeito de maneiras. Creio eu que, como em todas as moçoilas, lhe resulta o desleixo em sedução.

Não se ajeita a discursos, a não ser que pisque o olho e sopre malandrice, sermoneando ao peixe em vez de ao homem, para que o homem se sinta mas não possa acusar o envio da censura. Mesmo no grande épico lusíada, vemos Camões a rir daquele marinheiro, Veloso de seu nome, que desceu em muito menos tempo do que o tinha subido um outeiro que escondia nativos assanhados. Por efeitos de história e crescimento, civilizou-se um pouco, entrou na corte, fez vénia às muitas modas chegadas do estrangeiro. Viu-se que sufocava no espartilho e que as anemias literárias, se vão bem com a frágil compleição das inglesas, só conseguem, à nossa, encardir-lhe as feições.

Grandes amores teve ela com Mestre Gil Vicente e foi esse um enlace sem igual na duração e na intensidade, e, mais, sem nunca um do outro se enjoarem, antes encherem de apalpões e viço as deprimidas salas palacianas. Mesmo nas ligações com gente lacrimosa, como era o caso de Camilo Castelo Branco, lhe escapa muita vez o estilo ao romantismo para retornar à mão em anca e à chacota. Se eu quisesse ser má, avançaria que não é ilusão das sombras este buço que vemos encimar-lhe o lábio superior. tem uma exuberância de corpo que não leva ao feminismo porque não precisa de ver filosofada a sua força. Há nela aquela espécie de ardor matriarcal que fez com que as melhores das nossas heroínas fossem bastante mais impiedosas do que qualquer guerreiro experimentado.

[...]

 Saiu para além do mar com os marinheiros, mas não entendeu nada do Império. O que quis foi dançar e misturar-se. Enquanto eles degolavam e ofendiam, ela deitou-se na frescura das palhotas e gerou promissoras combinações da espécie. Enquanto a missa e a lei teimavam no latim, ela, a menina do descaramento, espalhava as filhas pelo mundo fora, numa alegre e opulenta sementeira. Abriu os braços a fonemas e a deuses que eram até então estrangeiros e hostis mas nela se deixaram docemente fundir.

Enquanto a nobreza degenera, por secagem do sangue doçarias, a nossa mocetona continua trocando afeto em terra de África e Brasil, tomando e oferecendo, e outro não é o segredo da sua juventude. [...]

Hélia Correia, 12-06-1997, in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (texto com supressões) 

domingo, 18 de maio de 2014

Sugestão | "Poema Bar"

Apresentado pela primeira vez em julho de 2011 na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, no âmbito da celebração do ano Portugal/Brasil assim como no centenário do nascimento de Vinícius de Moraes e na celebração dos 125 anos de Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, Poema Bar passou pelo Brasil, Alemanha e de novo por Portugal. O sucesso destas atuações garantiu o regresso de Alexandre Borges ao nosso país com espetáculos agendados para o mês de maio, em Lisboa e no norte de Portugal.

Unindo dois dos maiores poetas da Língua Portuguesa, Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes, Poema Bar celebra a poesia e a música de Portugal e Brasil. Ao som de harmonias brasileiras e portuguesas, algumas das mais belas palavras destes poetas são ditas pela voz do actor brasileiro Alexandre Borges, acompanhadas ao piano por João Vasco.

O espetáculo já foi visto e ouvido por mais de doze mil pessoas, chegando a todo o tipo de público desde a Favela do Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, a Fundação José Saramago – Casa dos Bicos, em Lisboa, ou o Teatro Bühne der Kulturen, em Colónia.

Calendário de espetáculos Poema Bar:
> 20 de maio – Teatro Constantino Nery (Porto/Matosinhos – estreia absoluta no grande Porto)
> 22 de maio – Livraria Lello (Porto)


Ler mais: http://www.atelevisao.com/famosos/alexandre-borges-traz-espetaculo-portugal-com-o-apoio-da-globo/#ixzz325v8CvMn
Enviado por Auxília Ramos

domingo, 4 de maio de 2014

Vasco Graça Moura | "in memoriam"


virão dias, semanas, meses, anos,
e os ciclos dos astros indiferentes,
mover-se-ão na mesma os oceanos
e as placas que sustentam continentes.

mola do mundo, o coração aviva
a chama desta lâmpada votiva.

Vasco Graça Moura, in Antologia Poética


domingo, 27 de abril de 2014

Uma obra muito especial...

   










É com grande orgulho que noticiamos no Lusografias que o aluno Diogo Domingues (12º ano) editou  A História de Portugal contada a todos, com a chancela da Chiado Editora. O lançamento aconteceu na Bertrand do Shopping Cidade do Porto, no dia 25 de abril. A apresentação da obra ficou a cargo da Professora Patrícia Faria, cuja comunicação transcrevemos. Muitos parabéns!






   

















Em primeiro lugar, quero felicitar o Diogo pela determinação e sobretudo pela audácia em mergulhar num projeto desta natureza, nada fácil, que é o de escrever um livro.

   Para os que sentem amor às letras, esta é uma idade em que a sociedade talvez espere com alguma normalidade e até benevolência, que os mais jovens escrevam pequenas narrativas, ficcionadas, oriundas do génio inventivo precoce ou até criem poesia lírica e sentimental, dando asas a uma busca interior, em espíritos ávidos, personalidades em afirmação… Mas, este jovem aqui ao meu lado, em particular, lançou-se na aventura de redigir um texto que muitos autores escolhem relegar para uma idade madura e tranquila no tempo.
   
   Começaste ao contrário e pelo mais difícil, portanto.

 Ter uma ideia para algo é relativamente simples para a maioria das pessoas. Arquiteturar essa ideia, transformando-a em projecto, é tarefa ainda para muitos. Dar início a um propósito, começar a concretizar um traçado e aceitar colocar mãos à obra a um objetivo premeditado, já é atributo para menos. Mas agora…levar a bom porto uma ideia inicial, consumando um projeto laborioso, manter o mesmo espírito entusiasta e a mesma paixão anímica até ao fim, tendo em conta que neste caso, não se trata de uma qualquer obra, apenas uma ….. História de Portugal, isso é apanágio para poucos.

  Vou ainda mais longe: não deve haver muitos como tu, Diogo, pelo país fora, que, com a tua idade, se tenham atrevido a publicar uma obra deste género. Talvez mesmo, dentro do campo da História (e aqui a Editora Chiado poderá responder melhor do que eu), tu sejas caso único a nível nacional. Se estiver errada, corrige-me por favor: tinhas 16 anos quando puseste mãos ao projeto, e provavelmente ainda menos quando a ideia se te aflorou pela primeira vez à mente. Aos 17 lançaste-te na concretização desse mesmo projeto, que agora, aos 18, se realizou plenamente.

  Só por isso, meu caro Diogo, estás de parabéns!

  A “História de Portugal contada a todos” é essencialmente uma obra de divulgação e informação histórica.

   Direcionada para o público jovem adulto, convida-nos a uma longa viagem pela História nacional, a uma verdadeira odisseia portuguesa. Estruturada em 25 breves capítulos (desde a Pré-História até ao Portugal Contemporâneo), este livro é seguramente, o guia ideal para os jovens mais curiosos, que durante o percurso pré-universitário pretendam alargar os horizontes da cultura geral, já sem falar dos alunos de Humanidades, da especialidade, que o poderão utilizar como manual de referência e de consulta. E claro, ainda para o público em geral, curioso, que de uma forma evidente e rápida, ambicione aceder aos principais factos e circunstâncias da História lusa.

  No teu livro, mencionas de uma forma sucinta mas integral, os principais acontecimentos e marcos da nossa História, destacando as grandes personalidades. Entre outros, Afonso Henriques, Vasco Da Gama, ilustram e embelezam a capa, aliás, muito apelativa.

 Através deles, autores como tu, ajudam a manter viva a História. E porque é importante a História? Porque ela é a Memória, a Memória da Humanidade, que queremos que prevaleça, para dar sentido às nossas ações, às ações do coletivo, às existências, ao futuro sempre imediato, melhor se possível que o passado recente. Porque a História é isto, somos nós, os grandes, os mais pequenos, as miríades de gentes que um dia habitaram a terra e que quiseram contar como foi. E nós, contemporâneos, queremos ouvir.

  Tantas “estórias” dentro da História. Nos documentos pululam, aliás, heróis visíveis, mas também e, sobretudo, muitos heróis anónimos que se encontram nas entrelinhas dos registos históricos e que, sem eles, sem o seu contributo dos seus atos e gestos, Portugal não existiria. Falo por exemplo desses pioneiros do início da nacionalidade, aventureiros portugueses dos Descobrimentos, dos emigrantes, que um dia partiram em direção ao novo, ao desconhecido, em busca do melhor. As suas histórias são uma marca d’água nos documentos.

  O livro é também uma homenagem a todos eles.

  Esta, foi seguramente uma tarefa gratificante para ti, Diogo, mas podes crer também para nós, professores, para mim especialmente, como tua professora de História, e para o próprio Colégio Luso-Francês, que como instituição, com valores muito próprios, se pode orgulhar em ter na sua comunidade alunos, melhor, pessoas assim: apaixonados pelo saber, entusiastas, empreendedoras. E estou certa que este tipo de iniciativa é a também a boa prova de que a missão e os objetivos do Colégio vão sendo cumpridos e efetivamente prosseguidos.

  É neste contexto que tenho acompanhado nestes últimos três anos como professora, o teu brilhante percurso escolar ao longo desta etapa transitória que é o Secundário. O gosto, a paixão pela História foi sempre uma constante desde a primeira aula, quando te conheci. Desde aí, o teu empenho e dedicação não diminuíram um centímetro que fosse, pelo contrário, dou o exemplo das tuas intervenções sempre muito oportunas em aula que só demonstram esta evidência: uma incomensurável vontade de saber, de conhecer.

  E há ainda outro fator que merece ser realçado: é que as tuas capacidades de concentração, estudo e de trabalho demonstram, numa época em que se enaltecem essas mesmas qualidades, a capacidade de empreendedorismo:

  Senão vejamos:

  1º É um trabalho com originalidade em que o autor teve que adquirir conhecimentos, procurar informação, fazer pesquisa histórica, ir às fontes.
 2º É uma obra objetivada em proveito da divulgação histórica, para os outros, portanto.
  3º Na cultura atual, em que tanto se fala do incentivo ao empreendedorismo dos mais jovens, tudo isto está na ordem do dia, sendo uma exigência acrescida para que o conhecimento seja profícuo e, portanto, em consonância com a utilidade pessoal e social. Trata-se, sem dúvida, de um verdadeiro caso de empreendedorismo cultural.

  Digo-te muito sinceramente e julgo que não falo só por mim, mas pela voz de qualquer professor: que orgulho ter alunos deste calibre! E para os pais, que orgulho ter filhos assim.

  Porém, Diogo, nada disto seria pleno, integral sem a participação de uma particular faceta do teu carácter que gostaria de relevar: a tua humanidade.

  É que nestes últimos anos, Diogo, o que eu observo, não é apenas um bom aluno. É um aluno bom. Bom de coração, sempre pronto a colaborar com os professores, recetivo a qualquer tarefa proposta, muito solícito para com os colegas (atendendo a qualquer dúvida ou prestando qualquer esclarecimento pontual.) E mais, a esta tua humanidade, alia-se um grande sentido, digo mesmo instinto espiritual, impregnado de valores cristãos, como demonstram as tuas vivências no Colégio, quando por exemplo, nos brindas nas aulas do início da manhã, com lindíssimas orações por ti escolhidas e por todos nós tão bem acolhidas. São verdadeiras fontes de inspiração para o resto de um longo dia de trabalho.

   Que sejas sempre constante nesses valores positivos que te norteiam e que te afirmam neste mundo.

   Bem, pensando já em terminar, faço-o, desejando com o todo o coração que este seja um dos múltiplos projetos que com certeza irás concretizar ao longo da tua vida, que apenas agora entra numa florescente Primavera … Mas uma coisa, garanto-te, nenhum te vai saber tão bem como este, porque é o primeiro. Saboreia por isso bem estes momentos, porque são únicos e especiais.

  E, ainda em relação aos livros, queremos todos, Diogo, que com o andamento dos trabalhos em curso, tu completes uma História da Europa antes dos 21 anos e uma História Universal ao chegares aos 25, para assim, depois, poderes, lá para a frente, quando já fores bem velhinho, dedicares-te a outros géneros literários…. Quem sabe, à poesia!!

  Muitos Parabéns e muitas felicidades!

Patrícia Faria

Enviado por Auxília Ramos

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de abril - 40 anos

QUEM A TEM...
Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

(Jorge de Sena, Poesia II)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Morreu Gabriel García Márquez

Deixamos, como homenagem, um testemunho de José Saramago sobre o amigo:

Os escritores dividem-se (imaginando que aceitem ser assim divididos…) em dois grupos: o mais reduzido, daqueles que foram capazes de rasgar à literatura novos caminhos, o mais numeroso, o dos que vão atrás e se servem desses caminhos para a sua própria viagem. É assim desde o princípio do planeta e a (legítima?) vaidade dos autores nada pode contra as claridades da evidência. Gabriel García Márquez usou o seu engenho para abrir e consolidar a estrada do depois mal chamado “realismo mágico” por onde logo avançaram multidões de seguidores e, como sempre acontece, os detractores de turno. O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos. Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.
José Saramago

domingo, 30 de março de 2014

27 de março | Dia Mundial do Teatro


Todos os anos, a 27 de março, há uma mensagem mundial que homenageia as artes do espectáculo. E os seus intervenientes. A primeira foi proferida por Jean Cocteau, há 52 anos, na inauguração das celebrações do primeiro Dia Mundial do Teatro, criado pelo Instituto Internacional de Teatro da UNESCO.


Este ano, as poderosas palavras pertenceram ao multifacetado artista sul-africano Brett Bailey, que nos relembra que, apesar de todos os perigos da actualidade, "desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação", reflectindo sobre o poder do Teatro e o papel imprescindível das artes e dos artistas. 

Deixamos uma imagem de um excerto deste texto, que foi distribuído sob a forma de folheto no Teatro Nacional de São João.





Enviado por Auxília Ramos

sábado, 22 de março de 2014

21 de março | Dia Mundial da Poesia


Dia da Poesia – Cadavre Exquis

Na mais ínfima das coisas a poesia acontece.
O desconhecido dá lugar à verdade,
A verdade é luz para os olhos.
Reflexão, cumplicidade,
Verdade confessada,
Desilusão de ti.
Expectativa defraudada,
Mas não a única coisa defraudada em ti.
Tudo em ti era doutra maneira.
Contraditório, porém sossegado,
Como sossego da noite estrelada.
Sinto-me sozinho no meio da estrada.
O vazio cresce e a tristeza invade
Meu ser, até que
Tudo floresce e a alma se rende
Por algo mais.
Creio não ser demais,
Talvez indispensável!
Temos de acordar, temos de viver,
Temos de sonhar, temos de crescer.
É tempo de olhar à nossa volta.
É tempo de voar.
E, assim,
Dizer
É a Hora!

Turma 12ºA
Enviado por Auxília Ramos

domingo, 16 de março de 2014

O Centenário de "O Guardador de Rebanhos"

Deixamos a imagem do lançamento, na FNAC, da edição comemorativa, promovida pelo Centro Atlântico, de "O Guardador de Rebanhos", com prefácio de  Pedro Sinde:

















Enviado por Auxília Ramos

quinta-feira, 6 de março de 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Livro é muito mais do que a antologia corrente da existência


Póvoa de Varzim, 22.02.2014 - Sete escritores debruçaram-se sobre o desafio da frase “Cada livro é a antologia corrente da existência”.

 
 
 
 
 
Chegou-se à conclusão de que cada livro não é a antologia corrente da existência, aliás, Miguel Sousa Tavares considera que “é muito mais do que isso”.

A Mesa 5 do Correntes d’Escritas voltou a exceder a expetativa de público, que lotou o Centro de Congressos do Axis Vermar, esta noite de sexta-feira, dia 21. O painel moderado por Michael Kegler contou com as explanações de Carlos Quiroga, Joana Bértholo, Manuel da Silva Ramos, Manuel Jorge Marmelo, Miguel Sousa Tavares, Ondjaki e Rui Zink.

O primeiro a abordar o tema foi o galego Carlos Quiroga, que realizou um trabalho de campo prévio, indo às livrarias perguntar se tinham “Antologia corrente da existência”, no que foi entendido nalguns casos como um ato provocatório. Recebeu como resposta algumas perguntas de surpresa total: “Corrente como? Da existência de quem?”

Apesar de todo o esforço, Carlos Quiroga não deu o trabalho totalmente por perdido, pois da “conversa com o último fulano, veio a ideia do cruzamento com a propaganda que há algum tempo recebia: trata-se do anúncio de um revolucionário conceito de tecnologia de informação chamada de Local de Informações Variadas Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.. Um avanço fantástico, sem fios nem circuitos elétricos nem pilhas, não requer que se conete ou ligue a nada e é tão fácil de usar que até uma criança o pode utilizar”…

Joana Bértholo estreou-se no Correntes e como resposta ao desafio resolveu contar a sua experiência de “fazedora de livros” num projeto social na Argentina (Cartonera), em que cada livro era feito à mão por artistas e artesãos, numa comunhão de esforços que resultava num objeto único. Deixou a reflexão – “um livro está para a existência como uma flor está para um jardim”.

Manuel da Silva Ramos contou a reflexão que realizou para responder à questão colocada por esta Mesa “Cada livro é a antologia corrente da existência”. O autor resolveu olhar para os seus 18 livros publicados e, através deles, olhar para o passado “com olhos de lince discreto”. E, facilmente, vê a sua vida passada, com as transformações e etapas de homem, com uma sensação estranha: “tão poucos livros para tão grande vivência”.

O premiado deste ano do Correntes d’Escritas, Manuel Jorge Marmelo afirmou que não percebia muito bem a frase proposta. A dificuldade começa logo na expressão corrente, “para a qual existem para cima de 20 significados possíveis; existência é uma daquelas palavras totalitárias que facilmente inclui a vida e a realidade inteiras. E antologia tanto pode ser uma simples coleção atualizada de textos como o estudo das flores. Supondo ainda assim que a expressão antologia corrente da existência designa uma coleção atualizada da vida ou da realidade e que esta seleção transitará para cada livro que escrevo, creio que acabaríamos por não concluir grande coisa”.

Marmelo afirmou ainda que “os livros de ficção que escrevo são de algum modo a tal antologia corrente da existência, mas ao mesmo tempo não o são de modo nenhum”. É que a ficção cria uma realidade paralela.

Ondjaki considerou que “cada vida é uma antologia à solta” e resolveu apresentar ao público do Correntes a biografia do seu vizinho. Na história apresentada pelo escritor angolano, o seu vizinho é que é o autor dos seus livros, as suas histórias são a ficção criada pelo vizinho, afinal, ele nunca escreveu nada.

Rui Zink confessou que não esperava que estivessem 600 pessoas a assistir à sessão e saudou o “milagre das Correntes”, que conseguiu reunir mais pessoas que os “446 partidos de esquerda, que se formaram nas últimos 48 horas, para unir a esquerda”.

Rui Zink concorda com a frase de título da Mesa 5: “parece óbvio, já que tudo o que eu escrevo tem uma ligação direta ao quotidiano, e numa daquelas coincidências espantosas, tudo o que eu leio também tem tudo a ver com o que estou a viver”. Zink afirmou que com o livro “A instalação do medo” (de capa cinzenta) quis salvar Portugal, entretanto a corrente de salvação do escritor estende-se para outro livro de capa “rosa chiclete” – “A metametamorfose e outras fermosas morfoses” – com o qual quis salvar o Mundo.

Miguel Sousa Tavares responde Não à pergunta “Cada livro é a antologia corrente da existência?” O autor considera que se o livro (que contém toda a condição humana) fosse a antologia corrente da existência, seria a “pior exigência que se poderia fazer a um contador de histórias, que era a de lhe retirar o direito essencial à mentira. Um livro, um romance não é nem uma antologia, nem um relatório ou sequer um relato da existência, apenas dá conta de que quem o escreveu estará vivo e essa é a única ligação à existência, a sua própria existência.”
 
Enviado por Auxília Ramos