O maior poeta português da segunda
metade do século XX morreu aos 84 anos.

Entre os muitos poemas do poeta que começou a ler na adolescência,
Tolentino Mendonça lembra aquele que começa com o verso "Não sei como
dizer-te que a minha voz te procura". É o início de um poema do livro A
Colher na Boca, de 1961.
José Tolentino Mendonça lembra que começou muito novo a ler
Herberto, e que nessa leitura esteve presente um facto biográfico, "o de
também ele ter emergido no contexto insular, na Ilha da Madeira". Isso,
continua, "era um vínculo forte para um adolescente que começava também na
poesia a procurar razões para a própria vida. E essa descoberta foi a primeira
viagem."
Sublinha a insularidade como um traço permanente na poesia de
Herberto. Uma insularidade que no seu sentido "está talvez mergulhada a
muitas léguas de profundidade do que é essa palavra. Não é uma dimensão muito
explícita, mas ler Herberto Helder na Ilha da Madeira tem uma ressonância e uma
vitalidade que não se esquece", refere sublinhando um aspecto que
considera marcante. "Quando se ouvia Herberto Helder falar, mesmo muitos
anos depois de ter saído da ilha, continuava com a pronúncia de um habitante do
Funchal. Era um funchalense claramente identificável. E isso era uma nota
afectiva de grande impacto."
in Público
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