terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro

 
Ler é uma forma de voar sem brevet
Miguel Miranda
 
Ler é uma forma de voar sem brevet. Um livro faz-me descolar da realidade e subir a essa estratosfera onde a ficção se suspende, como albatrozes em translação. O texto é um barro inacabado, eu sou um oleiro escolhendo as cores e as formas para o universo ficcional.
A leitura é uma arte de apropriação de histórias alheias, e do seu plágio dentro da cabeça. Deste quase criminoso intento não me fica remorso. É bem feito para quem escreve, que o leitor lhe roube a história e a ilumine ou escureça onde lhe apetecer; ou lha tresleia, deforme, agigante ou enviese. Ninguém manda a um escritor dar a abrir essa caixa de Pandora que um livro é. Uma vez aberto, evadem-se dele seres poderosos e fábulas mágicas que nunca mais se conseguirão devolver ao remanso do papel, por mais força que se exerça ao fechar de novo o livro. As personagens e as histórias passarão a assombrar-nos a vida, suspensas sobre a nossa cabeça como um punhado de balões coloridos, levantando-nos os pés do chão.
Ler é, portanto, um comportamento de risco. Como qualquer produto gravoso para a saúde, todos os livros deviam trazer uma cinta com um aviso sério, do género de um destes: ler prejudica gravemente o tédio; se conduzir, não leia; a leitura pode provocar alterações da visão do mundo; ler pode provocar excesso de conhecimento. Assim avisado, eu seria na mesma viciado em livros, mas de forma mais consciente.

 

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