sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Feira do Livro Usado
Colégio Luso-Francês (de 15 a 18 de Dezembro)
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Estrelas em papel - 7ºAno

Já tinha passado, aproximadamente, um ano desde a morte de Pedro, um ano de tristeza entre as pessoas. As suas faces estavam pálidas e frias. As colheitas tinham sido fracas, os animais só emagreciam, as galinhas não punham ovos e o sol só se vira duas ou três vezes. A montanha estava cinzenta como o Inverno, apesar de estarem no Verão. Era estranho como é que a falta de um simples rapaz influenciara tanto a vida quotidiana dos habitantes.
Certo dia, a mãe de Pedro olhou para o céu e viu a estrela que se realçava no imenso escuro, por ser tão brilhante e bonita. Não costumava olhá-la, estava sempre ocupada a trabalhar ou a queixar-se do trabalho. A certa altura, estranhou o aumento gradual da intensidade do brilho da estrela que, realmente, não era normal. Chegou a um ponto que quase a cegara. Da luz, surgiu uma silhueta estranha. Era difícil identificá-la com os olhos semi-cerrados pelo brilho. Acordou num sobressalto e berrou:
- Pedro! Ele estava ali! O brilho! Eu vi. Eu sei que o vi. O nosso filho…
O pai, acordado pelo barulho, perguntou, obviamente, o que é que se passara. Ela, ainda confusa, continuou a dizer que vira o seu filho. Passados alguns segundos, apercebeu-se que fora só um sonho e encostou, muito triste, a cabeça de novo na almofada, mas não adormeceu.
No dia seguinte, a mãe caminhava calmamente pela aldeia. As olheiras destacavam-se no rosto pálido do frio e da tristeza. As pessoas cumprimentavam-na, mas ela não respondia; não por má educação, talvez por estar com sono ou ainda a pensar no sonho da noite anterior.
Na semana a seguir, foi verificar o lume, para não pegar fogo, como na noite em que descobrira quem havia raptado a estrela. Também como nessa noite, viu uma luz vinda por debaixo do quarto de Pedro. Ainda não o tinham arrumado, diziam que não tinham tempo. Na verdade, o que não tinham era coragem para entrar lá outra vez. Contudo, a casa podia a estar a ser assaltada. Então esqueceu o medo e entrou no quarto com um bastão na mão. Foi a maior surpresa do mês, e já tinha tido muitas, quando viu o seu filho a segurar a estrela. Era uma autêntica repetição do passado. A luz saía das mãos do menino que se sentava em cima da sua cama com os lençóis do Pato Donald. De Pedro, só ouviu uma palavra: “Esquece.”. No mesmo momento que sorria para a mãe, desapareceu. Agora, esta não chamou a atenção de ninguém. Quer essa cena tivesse acontecido ou não, ela retirou daí uma mensagem.
Desde então, nunca mais chorou outra vez por Pedro. Na manhã seguinte, as flores desabrocharam, as árvores deram frutos, as vinhas deram uvas e as nuvens afastaram-se, para deixar o sol brilhar, tudo num período de tempo muito curto.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
60ºAniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Palavras que tocam...
Destaque do Cabaz de Natal
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Agora, onde estiveres, de certeza que há Mar. Brincas com o Menino Jesus que querias conhecer, a cuja festa de anos não querias faltar, menina que espera o nascimento do irmão. Escavam na areia crateras que a maré enche. Ouvem o adeus das ondas e sentem o abraço do seu retorno. De certeza que discorrem sobre coisas de somenos importância, quem sabe disputam pás e ancinhos, clamando pela Nossa Senhora que ponha ordem naquela disputa. Estou certo que levaste a melhor, e o menino Jesus, a cujos anos não querias faltar, faz carranca e beicinho. Nossa Senhora irá decerto lembrar a generosidade que é necessário te: com quem se convida para os anos.» Deixa a menina brincar». «Só até ao Natal, doutor, e não se esqueça de mim». Não te esqueças tu de mim. Onde estás lembra-te de que cumpri a minha parte, lutei contra a besta que te consumia e de mim te apartava, apaguei as luzes que pareciam estrelas e criei a ilusão de adiar a eternidade. Como se fosse possível, meu Deus, haver vida para além do Natal.
Nuno Lobo Antunes
Pessoa(s) - 12ºAno
Ainda Fernando Pessoa (Oficina de Escrita: Pessoa visto pelos alunos)
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Aquilo que sei sobre ele deriva, pois, de uma espécie de consciência nacional, a mesma que me leva a reconhecer a Torre dos Clérigos ou o Mosteiro dos Jerónimos como parte integrante de um património profundamente português. Sei-o múltiplo, ecléctico, paradoxal, anglómano e predicante de ideais de teor patriótico, sebastianista e regenerador. Invejo-lhe a imaginação, e a capacidade de continuamente recriar os mundos quiméricos de que se fazia rodear. Encontro nele uma nova forma de conceber a literatura como linguagem e uma relação desconcertante entre autor e obra, que tanto se aparta da tradicional. Muitos são aqueles que nos seus poemas e romances dão vida a personagens fictícias, delineando-lhes a biografia e a personalidade, mas ninguém como Pessoa se apodera dos caracteres físicos e psíquicos das suas criações, fazendo-os seus. Campos, Caeiro e Reis são personagens que poderiam figurar num qualquer romance, mas a quem Pessoa empresta o corpo e a pena. É sublime poder testemunhar as permanentes metamorfoses a que se submete, é verdadeira poesia!
Seria maluco? Ouve-se por aí dizer que o era, mas quem o não é? “De poeta e louco, todos temos um pouco”: assim postula a sabedoria popular, a mesma a quem tantas vezes ouvimos dizer “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!” ou ainda “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!”.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Oficina de Leitura 7ºAno
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Mais um ano, mais uma turma... Textos sobre o conto "A Estrela", de Vergílio Ferreira:
Pedro era um rapaz apenas com sete anos de idade e transmitia uma grande capacidade de sonhar e facilidade em entrar num mundo fantástico, como todas as crianças da sua idade. No entanto, vivia numa aldeia sem sonho. As pessoas trabalhavam de dia até tarde e não tinham tempo para reparar nas coisas insignificantes trazidas ao mundo.
À noite punha-se na janela e observava o escuro céu estrelado, tendo reparado na estrela mais viva, mais luminosa nesse mesmo céu. Um certo dia, o protagonista não aguentou mais o facto de a estrela estar no céu e não com ele e o seu processo em busca da estrela torna-se uma obsessão cada vez maior. O menino sobe ao céu e rouba a estrela do firmamento.
A sociedade encarou este facto como um roubo e até o obrigou a colocar a dita estrela no mesmo sítio de onde a despegara, sem qualquer outra explicação. Logo, Pedro fica ainda mais frustrado e a acção assume uma grande tensão dramática. Ao longo da sua ida, a personagem teve que ultrapassar grandes dificuldades, problemas e o julgamento público. Por fim, Pedro cai no meio do chão estendido e regressa ao mundo da realidade sem sonho.
Pode concluir-se então que a força do sonho nem sempre é suficiente para sobreviver...
Helena Rodrigues
Pedro era uma criança com apenas sete anos, contudo, já se apercebia que existiam coisas muito bonitas e interessantes à sua volta, como o céu e as estrelas, que não se caracterizam só por serem astros.
Certo dia, à meia-noite, Pedro, sem sono, esgueirou-se de casa pela janela, e foi em direcção à Igreja. Subiu até à torre com intenções de furtar uma estrela, a mais luminosa do céu!
Um velho que habitava na aldeia descobriu o roubo e declarou-o a toda a gente, que se revoltou com tal acto.
Após algum tempo, descobriu-se que tinha sido Pedro o autor do crime. Assim, seu pai, muito frustrado, obrigou-o a repor a estrela. Já no alto da torre, Pedro desequilibra-se, cai e morre.
Mesmo tendo Pedro roubado a estrela, que como todos sabemos é um crime, todos ficaram tristes pelo acidente, uma vez que se tratava de um pequeno rapaz muito sonhador que, com sete anos, viu os seus sonhos desaparecerem para sempre!
Um dia, à meia-noite, corre pela aldeia fora até chegar à igreja. Aí, põe em evidência que é um rapaz ágil, corajoso e ousado: sobe até ao cimo da torre para roubar a estrela! Porém, um ancião lá da aldeia dá pela falta da mais bela e cintilante estrela. Todas as pessoas se sentem revoltadas e, ao descobrirem o paradeiro da estrela, obrigam Pedro a repô-la no céu. Depois de ter devolvido a estrela ao seu lugar, o jovem rapaz desequilibra-se e morre estatelado no chão.
Todos choram a sua morte. No entanto, é a sua incompreensão face ao sonho de Pedro que causa a morte deste jovem.
7ºD
Esta história retrata um rapaz de apenas sete anos que sonhava ter uma estrela. Não era uma estrela qualquer; era a mais bonita. Contudo, conseguiu alcançar o seu sonho.
Tudo começa numa noite, à meia-noite, em que decide subir ao alto da torre para a roubar. Tudo corre conforme o planeado, só que, um dia, um velho contador de histórias descobre o sucedido. Toda a aldeia fica a saber (pequena como era, era fácil…). Ora, o pai de Pedro exige que seja o próprio Pedro a ir repô-la.
O terrível dia chega, o dia fatal para Pedro. Ao tentar descer da torre, escorrega, cai no meio da população e morre.
Todos choram a sua morte e daí em diante nunca mais foi esquecido. Ficou conhecido como o rapaz que sonhava ter uma estrela e que por ela acaba por morrer.
Sofia Soares Almeida
Em A Estrela, narra-se a história simples e cativante de Pedro, uma criança de sete anos que, um dia, à meia-noite, sobe ao alto da igreja da sua aldeia, para roubar uma estrela diferente de todas as outras.
Não era uma estrela qualquer, era simplesmente a estrela mais bonita e brilhante do céu. Porém, o roubo é descoberto por um velho muito velho, e toda a aldeia se revolta contra aquele acto que, assim, defraudara o património comum. Quando se descobre a verdade, o pai de Pedro exige que ele reponha a estrela roubada no seu lugar originário. Contudo, ao restituir a estrela, perante toda a comunidade emocionada, Pedro cai da Torre da Igreja e morre. Aquela estrela singular e o acto de Pedro perdurariam na memória de todos até ao presente.
Ana Isabel
sábado, 22 de novembro de 2008
Europeana - biblioteca multimédia online
Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Desafios poéticos II - 10ºAno

Por escuros intermináveis túneis.
Inventar a luz, a razão do meu viver
Encontrar a alma, a razão do meu ser.
Viver a magia da paixão
e refugiar-me no conforto das tuas palavras.
Abraçar cada conselho teu,
intensamente,
e penetrar o coração em cada acto.
É tudo isto, os amigos...
Estender a mão quando alguém cai no chão,
Sorrir a quem está infeliz,
Abraçar quem se encontra mais frágil.
É partilhar segredos,
suspirar tormentas
e mágoas derramadas que suplicam
liberdade àqueles que odeiam, e as deixam suspensas
na imensidão do teu rosto.
10º D/E
Cronicando - 10ºAno
Portugal ou “Lisbogal”
A rivalidade entre Lisboa e as restantes cidades do país parece ser intemporal. A constante ocorrência de grandes eventos na capital desde sempre incomodou os portugueses e, em especial, os portuenses que viram, a passos largos, transferidos os poderes para a grande metrópole.
De facto, para o desenvolvimento da capital, os vários governos sempre enveredaram todos os seus esforços na criação de infra-estruturas capazes de suportar essa megacidade, enquanto que o resto do país, pateticamente, continua a assistir, impotente, ao crescimento de um “Lisbogal”.
Presenciamos um novo cerco, desta vez não é Lisboa que está sitiada, mas o resto do país, sufocado pelos caprichos centralistas e centralizadores. É preciso estar atento aos desequilíbrios, porque os lisboetas, pobres “coitados”, são os mais beneficiados. A polémica construção do novo aeroporto na Ota, aliás, em Alcochete, perdão, na Portela + 1, parece ter, afinal, lugar em “Alcochete Jamé” (ainda não se sabe exactamente onde vai ser, apenas se sabe que é para servir Lisboa). A construção de uma sofisticada linha de TGV, que irá servir uma escassa minoria de lisboetas, peço desculpa, portugueses, não faz esquecer o facto de que o governo vai esbanjar milhões de euros, que não deveria dar-se ao luxo de despender.
Se pararmos para reflectir, constatamos que o maior interesse dos dirigentes do país é divulgar, desenvolver e assemelhar Lisboa às outras capitais europeias, esquecendo o resto de Portugal: os montes do Alentejo, as praias do Algarve, as encostas do Douro, berço do famoso vinho do Porto que, um dia destes, por uma iluminada decisão governamental, passará a ter a denominação de “Vinho de Lisboa”.
O contraste entre a megacidade e o resto da “paisagem” não é apenas evidente na diferença das inovações e da qualidade das infra-estruturas. Ele gera, por si só, situações de desequilíbrio, marcadamente perigoso, ao instalar a pobreza, a criminalidade e a discriminação em zonas sobrepovoadas que funcionam como verdadeiros “guetos” sociais.Será que um país que outrora foi um grande império deseja, agora, caminhar para a criação de uma metrópole isolada – “Lisbogal”? Pelo andar da carruagem, qualquer dia estaremos todos fechados em Lisboa (ela também encerrada na sua torre de marfim), onde se acorda quando o governo se levanta e irradia a sua luz, que apenas dá segurança aos sorrisos arrogantes, remetendo o resto do país para o abandono e esquecimento.
Habitualmente, tudo o que escorre é de cima para baixo e o dinheiro não constitui excepção. Escorrega sempre de norte para sul. E quem faz referência ao dinheiro não pode excluir outros factores que são indispensáveis ao desenvolvimento e crescimento de uma cidade como Lisboa.
Vejamos, a título de exemplo, o que acontece com a oferta de actividades culturais. Tudo converge à capital. Até os cavalos parecem preferi-la: “Cavália” tem estadia única em Lisboa, no Passeio Marítimo de Algés. “Pobres” lisboetas, tão martirizados pelo fascínio da centralização! Todos os caminhos vão dar a Lisboa, mas apenas um passa pelo Porto. E quem do Porto quiser apreciar estas acrobacias cavalares (ou outras) sempre poderá utilizar o mediático TGV… Nem que tenha que o ir apanhar a Madrid.
Lisboa abraça o dia com um sorriso de superioridade. Lisboa basta-se com banquetes e regala-se em festas sumptuosas. Lisboa vibra numa montanha russa de oportunidades e emoções sociais. Lisboa passeia-se narcisistamente.
O Porto refugia-se na sombra da insignificância, face a tamanho espelho nacional. O Porto recolhe as migalhas e tenta manter-se com o pouco que lhe é dado. O Porto continua ocupado na manutenção dos “carris” que asseguram a adrenalina.
Afinal, o que existe assim de tão único na capital para além de ela ser isso mesmo, a capital?! Exceptuando os pastéis de Belém e os fados do Bairro Alto, que mais tem Lisboa que outra cidade do país não a possa igualar? Não será também o vinho do Porto uma iguaria nacional?! Se casássemos o “pastelinho” com o cálice de vinho do Porto… não refinaríamos o nosso paladar? Porém, insistimos em privilegiar alguns sabores em detrimento de outros.
Lisboa continua a pugnar pelo estatuto de metrópole. O “Gil” ficou-se por Lisboa, o CCB impôs a sua volumetria e o aeroporto já lá fez a sua reserva. Não estará para breve a estreia de um novo bilhete de identidade nacional? Um bilhete de identidade que descrimine o resto do país, reafirmando a importância da “República Lisboeta”? Não estaremos nós, com estas permanentes clivagens e descriminações, a criar uma nova geração que, dentro em breve, exija o carimbo de cidadão lisboeta?
Não levará muito tempo até que as crianças questionem: Mãe, posso ser lisboeta?
domingo, 16 de novembro de 2008
Vieira, António o Padre
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Desafios poéticos - 10ºAno
Havia uma menina sentada
No horizonte do mundo novo.
Segredava mistérios ao sol
Sobre a alegria do mundo
E o sabor das amoras,
Sentidos no alto daquela colina.
Via o céu de mil cores,
Saltava de estrela em estrela,
Até que chegou à lua
Que lhe iluminou a vida
E lhe aqueceu o coração.
Aceso de desejo e paixão.
Nos teus olhos a paz e em teus lábios o desespero.
Olhos incendiados de raiva, coração recheado de carinho.
Com cabelos de ouro ao vento,
Com a boca cheia de palavras falsas,
Oh como eu amo esse doce e puro ar
Sem o qual me é impossível viver!
Um coração perdido por entre um labirinto sem fim
E todo o carinho ficou então a sós com a nostalgia.
10ºD/E
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Um projecto para e pela Lusofonia
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imagem retirada de www.booksforafrica.com

sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Oficina de Escrita - 8ºAno (Crónica)
O típico português
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Em Oficina de Escrita, os alunos redigiram, em estaleiro e em conjunto, uma crónica sobre o típico português. Longe vão os tempos do Zé Povinho, mas há traços que nunca mudam... Aqui fica o resultado por turma:
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O Zé, como típico português que é, há já nove séculos que segue a tradição remota, arcaica e ancestral de comodismo, falta de cultura, ignorância, materialismo e de sedentarismo.
O sagaz lusitano é um espécime em vias de extinção na bela Europa… Ao contrário dos europeus, que já abandonaram a letargia, nós aparentemente optámos por esse rumo.
Somos provincianos e pacóvios, irremediável e eternamente atrasados. Vivemos num qualquer bairro de subúrbio, nos arredores de uma qualquer cidade, de uma qualquer Chelas, Bobadela, Amadora, Ermesinde…Moramos num T3+1, recheado com plasmas, LCD’s, consolas, sistemas de som, computadores Magalhães, frigoríficos, microondas, máquinas de lavar e secar… Tudo pago a prestações…Tudo pago recorrendo ao mesmo crédito pessoal das férias do Algarve ou da viagem a Palma de Maiorca. Tudo pago recorrendo ao mesmo crédito pessoal utilizado para pagar as prestações do Punto Gt e das roupas D&G da Maria e da Tânia Vanessa.
O verdadeiro português ou é Presidente da Junta, ou vive do subsídio de desemprego ou do rendimento social da inserção. O verdadeiro português não suporta trabalhar; vive a arrastar-se pela tasca, pelo centro comercial e apodrecendo no sofá a ver o jogo (sempre acompanhado da fiel cerveja e do fatal cigarro). Aliás, o verdadeiro português só abandona o sofá, após o euromilhões, por razões de estado e de força maior: ou porque é obrigado a deslocar-se vagarosamente ao frigorifico(a Maria não está…), ou porque o Olivais do seu coração joga em casa nesse fim-de-semana.
Só então, ao Domingo, pega no seu Punto, liga o GPS pago a prestações, sintoniza o relato e faz-se à estrada, de braço de fora, palito no canto da boca, barriga a roçar o volante, pronto para insultar o próximo e assobiar (vomitando um piropo) a “brasa” que está a atravessar a rua.
O típico português gasta 50.000€ num Mercedes em segunda mão (pago a prestações, claro!), mas não compra o kit de primeiros socorros, porque, segundo ele, é muito caro...
Para o típico português, Domingo sem shopping, não é Domingo. Isto porque no Domingo vai tudo ao shopping, até o cão e a sogra. O cão fica na mala a salivar e cheio de calor à espera do dono. A sogra fica na zona da alimentação, entretida a folhear revistas cor-de-rosa.
O típico português faz os 2 km de casa ao emprego e do emprego a casa de carro e sempre com GPS, para o caso de se perder.
No café, na tasca, na rua, o típico português é o primeiro a criticar o governo, entre o jogo de futebol, a imperial e a sueca. No entanto, jamais lhe passa pela cabeça exercer o seu direito de voto ou queixar-se oficialmente. Aliás, em dia de eleição, o típico português é o campeão da abstenção. Ou está na praia, ou está no shopping…
O típico português está sempre nos últimos lugares dos rankings europeus e nos primeiros lugares da corrupção, da crise, do alcoolismo, da obesidade, etc., etc. .
O típico português tem todos os filhos baptizados, comungados, crismados… sem nunca ter posto os pés na igreja!
Ao Sábado à tarde vemos todos estes típicos portugueses (que por acaso somos todos nós…) na praia, com o seu farnel na berma da estrada, a petiscar salgadinhos, panadinhos e coxinhas de frango.
Tudo isto se deve, afinal, à falta de algo que a nossa pequena massa cinzenta lusitana desconhece por completo: cultura...
Delicia-se com tosta do pão do dia anterior, enquanto assiste ao telejornal no plasma comprado a prestações. Vibra durante 20 minutos com as notícias da selecção nacional, que já conhecia d' A Bola. Em seguida, deleita-se com mais 20 minutos de drama, de tragédia, de horror: desastres de viação, incêndios, assaltos, carjacking, assassínios, corrupção, etc, etc.
Já vestido, tendo desistido de se barbear, deixa o seu T2 pago a prestações e dirige-se à tasca do Zeca. Com o equipamento da selecção, “Ronaldo” nas costas, manchas de suor e nódoas de gordura passeando pela t-shirt de manga cavada, o colar de ouro refulgindo no pescoço; emborca a sua imperial e traga uns tremoços…
Regressa a casa, percorrendo os longos e remotos 2 km no seu Punto (pago a prestações, claro!), de jantes especiais BBS, com a preciosa e indispensável ajuda do GPS (não vá perder-se, devido aos litros a mais!). Pelo caminho, vai palitando os restos, cofiando o bigode e coçando a sua colossal “barriga de cerveja”.
Depois de insultar os transeuntes distraídos e os condutores com que se cruza, estaciona cuidadosamente o carro, certificando-se de que os larápios do bairro não lhe levem as relíquias (o último CD do Tony Carreira, o rosário de Nossa Senhora de Fátima, o pirilampo mágico, a bandeira de Portugal do Euro 2004, já descolorida, as toalhas de praia que forram os estofos, o colete reflector, o peluche e o cachecol da selecção…).
Como verdadeiro lusitano, passa a tarde inteira a atrofiar no sofá, alimentando a obesidade mórbida e ansiando pelo jogo da noite, enquanto a Maria prepara o jantar.
O dia atribulado e cansativo termina finalmente e o típico português, aliviado, suspira, já na cama: “Abençoado subsídio de desemprego e viva o rendimento social de inserção!”.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Concurso de sites e blogues sobre Inês de Castro

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Prémio Nobel da Literatura 2008

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Nascido a 13 de Abril de 1940 em Nice, no Sul de França, Jean-Marie Gustave Le Clézio é um dos nomes cimeiros da literatura francesa contemporânea. Detentor de um estilo clássico e refinado, assinou um vasto catálogo de mais de 50 romances, contos, ensaios, novelas e mesmo traduções de mitologia ameríndia. A obra de Le Clézio evoca as viagens e os contactos com diferentes culturas, sobretudo da América Latina e de África. Espiritual, a literatura do escritor de Nice privilegia os temas do paraíso perdido e a crítica ao materialismo do Ocidente. “O ponto central da obra do escritor desloca-se cada vez mais na direcção de uma exploração do mundo da infância e da própria história familiar”, sublinha a Academia Sueca.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Ainda Fernando Pessoa...

Tomo a liberdade de trancrever o post de ontem de José Saramago, no seu blogue, sobre Fernando Pessoa. É dos grandes textos sobre o drama pessoano:
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pessoa(s) - 12ºAno
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Desiludo-me. Por muita razão que tenhas quando me dizes que “a palavra é a arma mais poderosa de todas”, apercebo-me de que há dores que não se dizem. Mesmo tendo eu esse “domínio manipulador das palavras”, de que me falavas.
Tudo isto é um fingimento. A literatura é fingimento. As palavras são insuficientes – morrem na praia do que sinto – e todos estes floreados, a mim, parecem-me fictícios, não atingem plenamente a expressividade que quero dar-lhes. E que “sujeito poético” fingido que eu devo ser, não?
Ora essa! Não compreenderão o que digo, porque não me compreendem e, portanto, não sentem a minha dor. Talvez reinventem a dor inventada de um sujeito poético que não passa de uma invenção deles!
E se eles não sentem a dor que eu senti, meu caro amigo, nem sequer a que passei para o papel, de que se trata tudo isto, então? De um fingimento. Que nunca atingirá a pureza do sentimento original. Por minha culpa – que alimento este desejo de racionalizar-me -, por culpa das palavras – que não se bastam -, e por culpa deles – que querem compreender-me.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Ainda Machado de Assis...
domingo, 28 de setembro de 2008
Machado de Assis - Centenário

Em 1855, aos quinze anos, estreou-se na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Colaborou intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
O Caderno de Saramago

Podem consultar o blogue aqui.