domingo, 30 de maio de 2010

Artes de molho

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Eis alguns dos trabalhos da exposição "Artes de molho", que reuniu o que de melhor os nossos alunos de Artes produzem.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Colóquio "Literatura Portuguesa e Construção do Passado e do Futuro"

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Via Ciberescritas. Transcrevo:
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Helder Macedo fala da “História como Profecia, Profecia como História: Fernão Lopes, António Vieira e Oliveira Martins”. A professora brasileira Cleonice Berardinelli, também na mesa, contou do seu estranhamento quanto às atribuições de dois dos poemas de “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Quem sabe se por lapso do poeta ou por culpa do seu editor.
Na primeira fila da plateia está Eduardo Lourenço e a escritora Lídia Jorge.
O colóquio a decorrer no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa tem um website onde as sessões podem ser vistas em directo.
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domingo, 16 de maio de 2010

Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa

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Vale a pena consultar a lista, pelo menos para descobrir o que de melhor se escreve em português pelo mundo inteiro...
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Clicar aqui:

http://static.publico.clix.pt/docs/cultura/lista_finalistas_15052010.pdf

Ler - Maio

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Leitura(s)...



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É com prazer que anuncio a colaboração de um colega de Ciências no Lusografias. Deixo as sugestões do professor André Rodrigues:
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Um livro são emoções, são reflexões, mudanças na forma de ver e sentir o mundo, de nos posicionarmos em relação a nós e aos outros. Desculpem, falo de um bom livro, não de um qualquer conjunto de letras organizadas em frases e capítulos, que apenas nos gastam fotorreceptores da retina! Mas, mantendo o fio na meada, gostava de falar sobre dois bons livros que li ultimamente (dois e não um porque poderiam até ser livros-irmãos, de tão próximos nos temas e no que despertaram em mim): Sobre Humanos e outros animais (John Gray, Lua de Papel) e O Filósofo e o Lobo (Mark Rowlands, Lua de Papel) falam de humanos, de lobos e animais no geral, de consciência, amor, morte e, no fundo, sobre o que todos (humanos e outros animais) buscamos, o bem-estar ou a felicidade.
Dois livros que misturam animais e reflexões mais ou menos filosóficas agradam-me, não nego. Mais do que respostas, encontrei um conjunto grande de questões, para juntar às que fui coleccionando no meu caminho, e que, ao invés de me deixarem frustrado por perceber o pouco que sei e a desproporção tremenda em que as minhas certezas vs dúvidas se encontram, me deixam mais livre, mais tranquilo, mais atento ao Tempo e à necessidade de o saborear e ouvir e tocar, mais livre de quadros mentais que me induzam no (talvez terrível) instinto de formar categorias constantemente (carregamos esse instinto da nossa história evolutiva), de fazer contas a cada segundo, de ter uma explicação para tudo.

Deverei revelar algo sobre os livros, devo, para motivar para a sua leitura, isto não é retórica!

Ora, poderão esperar, no primeiro, a contextualização histórica, de um ponto de vista filosófico em particular, da posição do Homem e dos outros animais no mundo vivo (surgem referências a praticamente todos os grandes filósofos, todos eles reflectiram de alguma forma sobre a dicotomia Homem / Natureza), e considerações sobre a importância real da consciência na nossa percepção do mundo e dos outros e nas nossas acções. Algumas ideias: 'A realidade subjacente à experiência – a que Kant chamou o mundo numenal das coisas em si – é incognoscível.' (…) 'A teoria darwiniana diz-nos que o interesse na verdade não é necessário para a sobrevivência ou a reprodução. Muitas vezes é mesmo uma desvantagem.' (…) 'Porque deverá um jovem reprimir as suas paixões florescentes em benefício dos interesses sórdidos da sua própria velhice fanada? Por que motivo esse velho problemático, que usará o mesmo nome que ele dentro de 50 anos, estará mais próximo dele neste momento do que qualquer outro ser que se possa imaginar?'

Do livro que nasce da relação entre um filósofo decadente e um lobo podem encontrar-se histórias perfeitamente comuns da relação de um homem com o seu animal de estimação (?), mas sempre como mote para pensar essa mesma relação, a vida do cão enquanto espécie eminentemente domesticada, do lobo enquanto ancestral hoje e sempre selvagem e indomesticável, das vidas que levam na companhia do seu dono, que acontece ser um filósofo hedonista com progressivo afastamento e desinteresse pela partilha com outros humanos e vício do álcool, e uma quase fusão com os seus animais, não num sentido religioso ou metafísico, mas uma aproximação à realidade comum a todos os animais, que, embora o neguemos e soframos com isso, é o grosso da nossa vida. Escreve Rowlands, referindo-se ao seu irmão lobo: 'A maneira mais importante de recordar os outros é ser a pessoa que fizeram de nós – pelo menos em parte – e viver a vida que nos ajudaram a delinear'.
Para terminar, saliento a excelente bibliografia que nos é apresentada em ambos os livros, que nos abre as portas para outras leituras, isto é, outros voos de reflexões e (re) construções de quem somos e queremos ser. Ficam duas ideias ousadas, provocações, se assim quiserem chamar-lhes, sobre a Vida, o Trabalho e o Tempo, para (preciosos) momentos de ócio...
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' Nada é mais estranho à época actual do que a ociosidade. Quando pensamos em repousar dos nossos trabalhos, fazemo-lo apenas com o objectivo de a eles regressarmos.'

'Os outros animais não precisam de um propósito na vida. Contraditoriamente, o animal humano não pode viver sem ele. Não poderemos pensar que o propósito da vida poderá passar pela sua simples observação?'
André Rodrigues

Projecto de Promoção de Leitura

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Deixo uma sugestão enviada pelo Dr.André Rodrigues:
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Aconselho a leitura de um trabalho financiado pela Casa da Leitura / Fundação Calouste Gulbenkian e que se debruça sobre um projecto que acontece aqui mesmo ao lado, no Colégio Nossa Senhora da Paz, e que me parece muito interessante. Talvez também porque conheça a pessoa que dinamiza o projecto, tenho a certeza que este é uma mais-valia em qualquer escola, pública ou privada.
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Clicar na imagem para aceder:
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Livros do Mês - Maio

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7ºAno - (Novas) Aventuras de Ulisses

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O sol brilhava e no sopé de uma montanha eu e os meus companheiros descansávamos. Repentinamente, uma brisa arrefeceu-nos a alma e o coração apertou-nos a garganta. Grossas bátegas começaram a tocar no chão cada vez com mais intensidade, até que surgiram ao longe multidões de guerreiros. Não estávamos preparados para combater. Fugimos em direcção às nossas colossais embarcações e navegámos em demanda de Ítaca onde Penélope e Telémaco me esperavam ansiosamente. No entanto, fortes correntes mudaram-nos a trajectória e fomos parar a uma ilha deserta.
Passaram-se dias, e o tempo arrastava-se tristemente. Certa manhã, convoquei todo o meu exército e instiguei-o a arranjar uma solução para regressarmos a Ítaca, apesar das más condições que se faziam sentir. Após um doloroso dia, encontrámos uma sombria gruta que assobiava terror. Entrei juntamente com Nestor. Por dentro, as milenares paredes alteravam o sentido da vida. Ouviram-se vozes grossas e prolongadas. Tentei descobrir de onde vinham, até que … dez guerreiros me agarraram bruscamente. Nestor refugiou-se e apressadamente foi pedir auxílio. Eu estava meio inconsciente, não tinha noção do local onde me encontrava e só via guerreiros em meu redor. Havia um que se distinguia pela sua envergadura. Dirigi-me a ele e, sem demora, cravei-lhe uma faca no coração. Nunca fui amigo da guerra mas estava desesperado! A guerra começara ali, com a morte do chefe inimigo. Lembro-me de que matei dezassete pessoas para sairmos vitoriosos. Sentia-me desumano, ouvia ruídos de sofrimento e imaginava como seria perder o meu filho e a minha doce mulher. Contudo, como era chefe, tinha que dar o exemplo e foi o que fiz. Preparámo-nos e retomámos a viagem rumo a Ítaca.
José Pedro Melo (7D)
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A Ilha-tartaruga
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Na viagem de regresso à Grécia, eu e os meus marujos enxergámos uma pequena ilha com uma forma extravagante. Pedi ao capitão que tomasse o seu rumo, para podermos explorar esta ilha supostamente desconhecida.
Quando nos aproximámos, pudemos verificar que o ilhéu era esverdeado e em forma de concha. Algumas míseras árvores habitavam no local. Porém, os seres-vivos eram raríssimos.
Acostámos e descemos, prontos para a aventura. A incomum terra esverdeada era extraordinariamente dura. Resolvemos dividir-nos em quatro grupos para pesquisarmos a ilha em diferentes direcções. O meu grupo foi para Oeste, precisamente a direcção oposta à do nosso barco. Julgámos que tudo era estranho, especialmente o solo. Quando chegámos à costa, comentei com os outros marinheiros que a corrente do mar fazia parecer que a ilha se estava a movimentar.
Repentinamente, um grito de socorro soou por toda a ilha. Era o capitão, que tinha ficado no barco e, sabe-se lá como, o barco desprendera-se e estava a afastar-se da ilha, ou melhor, a ilha é que se estava a afastar. Mas como é que isso era possível? Já o barco tinha desaparecido, surgiram os mareantes encarregados de irem em direcção a Sul, afirmando terem visto emergir uma ilhota bastante junta a esta. Corremos para lá e verificámos que era verdade.
De súbito, ambas as ilhas estremeceram violentamente e começaram a afundar lentamente. Então, observámos que tudo isto não passava de uma gigante tartaruga a descer às profundezas da água. Não tínhamos salvação, já que também não tínhamos nenhum meio de fuga. Quando a ilha – perdão – a tartaruga imergiu totalmente, as correntes, as marés e as vagas arrastavam-me para o fundo. Já não conseguia regressar à superfície, e mais vinte segundos sem respirar sufucar-me-íam. Dezanove segundos e meio depois, aconteceu algo inteiramente inesperado...
Um trovão acordou-me! Tudo tinha sido um sonho, nada mais! Subi lá para cima, para conversar com os meus colegas. Estávamos todos debruçados sobre o mar quando avistei, e desta vez era realidade, a ilha do meu so... pesadelo! Este podia, afinal, ter sido um aviso, por isso, antes que alguém a visse, sugeri irmos para baixo jogar cartas. Todos acharam uma boa idea.
Ainda bem que ninguém, excepto eu, é claro, sequer “sonhou” que estávamos a passar por uma ilha-tartaruga, ou, talvez, uma tartaruga-ilha. Depois, o resto da viagem decorreu sem incidentes.
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fim...
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«Como fim? Sou o melhor amigo de Ulisses, e fui nesta viagem. Só vos quero contar um pormenor: o resto da viagem não foi totalmente sem incidentes. Aconteceu que, quando já estávamos a chegar, ele viu uma pequena tartaruga bebé e, com o susto, deu um salto e acertou com a cabeça em cheio no mastro, desmaiando.»
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Bom, depois deste pormenor, que eu preferia não ter contado para o bem da minha reputação, penso que já poderei dizer, então, a palavra
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Fim!!!
Filipe Rocha (7B)
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Sinto-me só! Os meus pés quase que são sugados pela gélida neve branca, as mantas que cobrem os meus ombros já não me aquecem e estou cheio de fome. O céu encontra-se crepuscular, não havendo, assim, nenhuma luz na grande floresta. No entanto, o cheiro das esguias árvores alimenta a coragem e abstraem-me das desesperantes saudades que tenho de Penélope e do meu filho.
Subitamente, ouço um barulho, quase como o som de um lobo a uivar. No entanto, não tenho a certeza. Tento seguir o ruído até que me deparo com uma pequena casa. Esta está rodeada de pinheiros muito elegantes e coberta de neve. É feita de madeira escura cortada em grossas tábuas que completam as paredes. As pequenas janelas quadradas mostram as paredes cor de laranja da sala de estar.
Decido deixar o barulho para trás e bato à porta daquele amável lar. Um senhor, andrajosamente vestido, com apenas uns trapos no corpo, abre-me a porta. Vendo os meus joelhos trémulos e os meus lábios roxos, diz apressado:
- Oh, meu Deus! Entre, entre senhor. Maria, arranja sopa para este pobre homem.
Estou chocado com a hospitalidade que este casal e o seu filho me dão. Vou passar a noite neste confortável lar e, em princípio, partirei amanhã, mas quem sabe? Hoje pensava que estaria com os meus companheiros de guerra e aqui estou eu, perdido mo meio da floresta.
Gabriela Nascimento (7B)
Textos enviados pelo Dr. Hélder Moreira

8ºAno - O Diário do Gato Malhado


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23 de Janeiro de 1920

Faz agora 48 horas que deixei o parque, em direcção do Fim do Mundo. Ah! O parque! Terra tão bonita em que costumava viver. Todos os dias o sol nascia no horizonte. Laranja, o preguiçoso, acordava os seres mais madrugadores do parque, como os galos, as galinhas, as borboletas, os insectos e a maioria dos pássaros. Quatro horas mais tarde, o sol erguia-se já no céu, forte e radioso, despertando os cães, os patos, as vacas, as ovelhas, e todos os outros animais. Por fim, ao meio-dia, atingia o ponto mais alto do céu, acima das nuvens e da lua. Na sua máxima glória, iluminava todos os pequenos e discretos recantos do parque. Nessa altura, acordava eu. Espreguiçava-me durante mais de uma longa hora e depois levantava-me. Podia apreciar toda a beleza florida do jardim. As flores, espalhadas por longos campos, jogavam jogos de cores durante todo o dia. Lírios, rosas, margaridas e tulipas brincavam umas com as outras, atirando pétalas e pólen pelo ar. As árvores, vestidas com volumosos trajes de folhas, albergavam a mais diversa quantidade de seres curiosos. No lago nadavam os patos e milhares de peixes coloridos e saborosos. No céu pairavam todo o tipo de aves, desde das majestosas águias a pequenos passaritos, como andorinhas. Andorinhas leves e graciosas que enchiam o céu de alegria. Andorinhas como a minha querida Sinhá, que traiu o meu coração fingindo que me amava. No dia do seu casamento, provou decisivamente que não queria saber de mim, condenando-me a caminhar para o mais longínquo lugar do planeta, pois eu não suportaria vê-la mais tempo ao lado daquele Rouxinol.
Hoje cheguei a esta terra inóspita e deserta. Não se avista nada em redor, para além de monótonas poeiras de terra negra. Não há vegetação a cobrir o solo. Não há água a para humidificar a terra. Não há sol para iluminar o dia. Não há sequer a mínima manifestação de vida, para além de mim e da maldita cascavel que passa a vida debaixo do chão. No entanto, prefiro passar o resto dos meus dias a apodrecer neste inferno, do que observar Sinhá a levar uma vida feliz, sem mim.
Gato Malhado

(Duarte Magano, 8B)
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5 de Maio de 1920

Querido Diário,

Hoje o meu dia começou com uma ida ao lago para refrescar os bigodes e um passeio matinal pelo parque e depois deitei-me ao sol para aquecer e, quando dei por mim, estava a pensar na Andorinha Sinhá. Não me saía da mente o seu riso contagioso, o seu espírito jovem e inocente, o seu olhar atrevido, o seu pairar no ar tão suave como uma pena a esvoaçar ao sabor do vento. O espírito da Andorinha atrai-me. Sinceramente, não sei o que me deu para ver um ser tão perfeito como um diamante cristalino. Talvez esteja a ficar doente. Bem! Não há-de ser nada, mas o que é certo é que a Andorinha está a alimentar a minha felicidade, por isso deve estar a curar-me, qualquer que seja a minha doença, acho eu …
Não consegui contentar-me com o meu pensamento, tive de ir vê-la com olhos reais. Quando cheguei lá, a minha felicidade ficou satisfeita. Ela chamou-me de feio, mas cá para nós, acho que era inveja da minha beleza felina.
E aqui estou eu a olhar para as estrelas e para o luar, a ver no horizonte o rosto elegante da Andorinha Sinhá. Céus! Devo estar mesmo a ficar doente… tudo o que faço faz-me lembrar a Andorinha. Acho que amanhã vou consultar a Coruja.
Obrigado por seres o meu eterno e fiel ouvinte. Adeus e até amanhã.
Gato Malhado
(Inês Pinto, 8B)
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3 de Agosto de 1920

Querido diário,

Mais uma vez, venho desabafar nas tuas páginas, as boas e más vivências, pelas quais a minha vida é constituída.
Estava um dia lindo. O sol, bem lá no alto, aquecia e iluminava todas as pequenas e engraçadas criaturas que, infelizmente, à minha passagem, se escondiam na sombra e na penumbra dos grandes e imponentes carvalhos.
Mais uma vez me encontrei com a esguia e bonita Sinhá. Finalmente, pela primeira vez na vida, não me sinto triste e excluído por quem me rodeia e sinto que alguém gosta de mim.
Hoje, ia eu a dar um pequeno passeio pela floresta após o delicioso e recheado almoço, e reparei ao longe, no Rouxinol, que estava acompanhado pela minha querida Andorinha Sinhá. O quanto me irrita o Rouxinol! Esse pequeno animal, que só dá nas vistas, com as suas grandes cantorias… Odeio-o tanto, que por vezes, só tenho vontade de o entregar de bandej, à inimiga de longa data, Cobra Cascavel, que, com grande audácia e bravura da minha parte, expulsei.
Cheguei-me à beira deles. Imediatamente, o medroso do Rouxinol, pôs-se a longas milhas dali, e eu fiquei a sós com a minha adorada.
Envolvemo-nos numa pequena discussão, que, como sempre, acabou em risos e abraços.
Em conversas infindáveis, sobre todo o tipo de matérias, o tempo foi passando rapidamente, e enquanto acompanhava a andorinha a casa, apareceram os pais desta, que entre sermões e ralhetes, a levaram para longe de mim. E assim fiquei eu, sozinho, enquanto os via a desaparecer pelo meio da floresta.
Este pode não ter sido um dos meus melhores dias, mas qualquer dia passado com a Andorinha Sinhá é bom.
Gato Malhado
(Tiago Simões, 8B)
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15 de Junho de 1920

Querido Diário,

Hoje passei o melhor dia da minha vida com a minha bela, jovem e adorável Andorinha Sinhá.
De manhã, ao acordar, espreguicei-me e vi o sol num tom alaranjado que irradiava luz e pureza naquele dia maravilhoso. Posteriormente fui lavar-me ao lago dos cisnes. Depois de lavar as minhas patas e o meu focinho, penteei o meu pêlo para a minha amada me ver bem arranjado….
Após me ter aprontado, deparei-me com a passagem do casal de patos, sempre bem organizados com a Pata Branca e o Pato Negro à frente do bando, seguidos pelos seus filhotes.
Cumprimentei – os, mas eles desataram a fugir de mim. Com certeza não foi pela minha magnífica beleza, um gato tão elegante e bonito como eu!...
Só a minha Andorinha me compreende. Estas estranhas criaturas do parque não sabem quem eu sou. Dizem por aí que só sirvo para afastar a cobra Cascavel do parque.
Vou-me deixar de lamentações e vou passar à acção.
Sentia – me só e por isso fui procurar a Andorinha. Encontrei-a a sair da aula de canto com o Rouxinol, o que não me deixou muito contente. Fiz – lhe o nosso sinal – um miar esganiçado que mais parecia um uivo, e ela percebeu logo que eu estava por perto.
O Rouxinol levantou as asas e voou de medo.
Eu saí do meu esconderijo e cumprimentei-a.
Ela sugeriu que fôssemos dar um passeio pelo parque e eu concordei.
Fomos até ao famoso lago dos patos com vários nenúfares, rodeado por tufos de erva alta e que, por acaso, àquela hora não tinha nenhum pato.
A Andorinha, como sempre, acompanhava – me uns 3 ou 4 metros acima da minha cabeça, pois apesar de ela saber que eu a amava, ainda não confiava totalmente em mim.
Deitei-me ao sol, enquanto ela pousou num ramo de um sobreiro.
Conversámos durante a tarde inteira sobre as nossas diferenças, os nossos gostos, o nosso amor impossível, os habitantes do parque, o que os pais da Andorinha achavam de mim. Enfim, um pouco de tudo.
Quando, ao cair da noite, chegou a hora da despedida, chegou também a hora do momento mais feliz da minha vida.
Ela desceu a voar e tocou-me ao de leve com a sua asa esquerda e eu pude ouvir os batimentos do seu pequeno e puro coração. Depois, ela ganhou altura e lá no alto ainda me vislumbrou de relance.
Acho que aquele gesto é como se fosse um beijo.
Acho que ela gosta de mim!
Agora vou dormir para amanhã voltar a conversar com a Andorinha.
Boa noite, diário.
Gato Malhado
(João Pedro Silveira, 8B)
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Textos enviados pela Drª Ascenção Rocha

Musicografias

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Este mês voltamos ao Brasil.
Disse em Dezembro passado que não podíamos entender o Brasil como um deserto cultural e até citei alguns nomes ligados à cultura brasileira. Ficou, no entanto, por referir a riquíssima cultura mais popular, mas nem por isso menos interessante.
Este mês trago-vos uma música de Jorge Aragão. "Sambista"- palavra que só é bonita se for lida com sotaque brasileiro - compôs e compõe para os mais importantes artistas desse estilo musical. Apesar disso, a minha escolha não recaiu sobre um original dele, mas sim sobre um arranjo de uma música dita erudita - o Ave Maria de Bach/Gounod - arranjo este em "jeito" de samba e que me parece translúcido da alma brasileira, festiva, alegre, e em muita coisa muito distante da alma saudosista lusitana.
Joaquim Santos Silva
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

23 de Abril - Dia Mundial do Livro

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O cartaz deste ano...
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E uma homenagem em forma de imagem...
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Outros mundos, outras leituras...




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Quando li o último post, que assinala o Dia Internacional do Livro Infantil, imediatamente visualizei a grande árvore que encontrei numa das ruas de Parma, a caminho do Duomo e do Baptistério, e que assinalava a 10ª Edição do Festival de Literatura e Ilustração para Crianças.A obra, concebida pela ilustradora Antonella Abbatiello é o resultado de um trabalho colectivo de professores e alunos da Escola "G. Verdi" de Corcagnano.Trata-se de uma instalação de grande porte, usando materiais feitos de PVC, pintados com tinta acrílica e montados sobre uma rede. Mas o mais significativo é que esta árvore, carregada de figuras diversas e fantásticas, tem as características típicas da "Árvore da Vida", entendida como símbolo do renascimento da arte de todos os tempos, de todos os povos. Particularmente, para as crianças que a criaram, ela foi o primeiro passo na construção da imaginação, a entrada no mundo do sonho, conseguida também pela magia dos livros. Uma excelente prática para promover a leitura junto das crianças. Uma vez conquistada esta etapa, a imaginação torna-se inesgotável!
Auxília Ramos

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E a propósito de livros:










sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tempo para ler...

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Embora este blogue se destine aos alunos do 3ºCiclo e Secundário, não resisti a assinalar o dia Internacional do Livro Infantil. Até porque o mundo em que "tudo era possível", no dizer de Ruy Belo, é um labirinto percorrido logo na infância. Os leitores ávidos foram também crianças que leram avidamente, crianças que conheceram a magia dos livros precocemente, crianças que construíram castelos, subiram longas tranças loiras, lutaram contra dragões e bruxas más, choraram com medo do lobo mau ou vibraram com aventuras de outras crianças, heróis à/da sua medida...
E se há nome maior neste mundo de fantasia e de evasão, é o de Hans Christian Andersen, cujo aniversário se comemora precisamente hoje - uma justa homenagem...


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Musicografias

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Pela minha formação cristã, não posso deixar passar a Semana Maior em claro. Assim, escolhi para este musicografias um tema escrito por D. João IV, rei de Portugal, sobre um hino da Igreja - Crux Fidelis. Acrescento que já tive a oportunidade de o cantar. Acredito que é daquelas músicas que se diz a si própria. No entanto, parece-me justo deixar uma tradução para este hino:"Ó Cruz fiel, a mais bela entre todas as árvores / nenhum bosque tal produz em folhagem, flor e fruto. / Doce lenho, doces cravos, doce peso sustentais."
Santa Páscoa!
Joaquim Santos Silva
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quinta-feira, 1 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

27 de Março - Dia do Teatro

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Programas especiais e entradas gratuitas nos Teatros de todo o país.
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terça-feira, 23 de março de 2010

Dia da Poesia II

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Hoje é dia da poesia. Vi no telejornal, entre as notícias das eleições no PSD, a corrida em Lisboa e o relato do que foi ontem um grande esforço por parte de muitos dos voluntários que ajudaram a limpar Portugal. Vi hoje nas notícias, em letras gordas e salientes: DIA DA POESIA. E lá estavam eles, os “Poetas”, a ler, a juntar quase forçadamente as palavras, dando-lhes entoação, projectando a voz que as empurrava contra as paredes, agredindo-as, ferindo-as violentamente.
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Lembrei-me de trazer o assunto para o almoço, iríamos discutir Poetas, iríamos discutir a quantidade infindável de veias poéticas existentes em Portugal. Iríamos percorrer as prateleiras corridas das livrarias, nomeando, destacando, citando versos, palavras intrinsecamente ligadas, adjectivos desconhecidos, mensagens descodificáveis. Parece fácil, parece fácil ser Poeta. Talvez porque a generalização de o ser tirou o protagonismo aos que verdadeiramente o são. Tornou a capacidade banal, desculpem, não foi a capacidade que se tornou banal, mas sim os leitores menos exigentes, arrisco dizer quase mais ignorantes, apreciando a beleza de uma obra poética numa série de palavras, algemadas com correntes de aço, a única forma de não caírem por entre os versos, de não fugirem da página, de não se esconderem de vergonha. Além disso, com a taxa de desemprego em níveis elevadíssimos, os senhores compreendem, que, entre jardineiros, economistas, porteiros, cabeleireiros, há-de ser mais fácil ser artista, ser Poeta. Há-de ser mais fácil não se submeter a critérios rigorosos, a rendimentos ao fim do mês, a percentagens numéricas, a lucros; enfim, a todos os dados de natureza matemática. Há-de ser mais fácil reger-se por critérios subjectivos. Porquê? Sim, por critérios subjectivos, com sorte ainda passamos por intelectuais, com sorte a nossa escrita (que escrita?) ainda surge aos olhos dos editores como uma revolução literária, um novo género de poesia.
Depois, somos lançados no “mercado”, já nem me custa chamar mercado às livrarias, já tão fragmentadas em sectores (não de temas, que a abundância destes torna difícil a distinção), mas de cores (variando com a capa), com a edição, com o protagonista da história. Se falta o nome artístico, não faz mal, arranja-se, acrescenta-se algo de estrangeiro, as pessoas gostam, vai ver que lhe dá outro status. Fica composto, arranje-se para a fotografia, as peças estão unidas, as palavras algemadas, a única forma de não caírem por entre os versos, de não fugirem da página, de não se esconderem de vergonha… Parabéns, é “Poeta”!
Teresa Stingl, 11 A

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia - 21/03

A voz dos poetas...






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O que me faz escrever este poema
não são as coisas: terra céu astros.
A saber: estendo a mão: e
o mundo reconhece-a encontra a
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memória onde repousa e se transforma.
Pequena questão de valor cósmico. Insisto:
elo que liga bruma e fumo
felicidade de imagens nome inamistoso.
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Não sonho palavra sonho barco.
Imóvel aprendo a não esquecer:
aspecto mineral do corpo
um destino de mica qualquer coisa
que não cessa de bater.
João Miguel Fernandes Jorge, in "Vinte e Nove Poemas" E a voz das palavras...
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A um Poema
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A meio deste inverno começaram
a cair folhas demais. Um excessivo
tom amarelado nas imagens.
Quando falei em imagem
ia falar de solo. Evitei o
imediato, a palavra mais cromática.
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O desfolhar habitual das memórias é
agora mais geral e também mais súbito.
Mas falaria de árvores, de plátanos,
com relativa evidência. Maior
ou menor distância, ou chamar-lhe-ei
rigor evocativo, em nada diminui
...
sequer no poema a emoção abrupta.
Tão perturbada com a intensa mancha
colorida. Umas passadas hesitantes,
entre formas vulgares e tão diferentes.
A descrição distante. Sobretudo esta
alheada distância em relação a um Poema.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Nova Natureza"
...
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Do Poema
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O problema não é
meter o mundo no poema; alimentá-lo
de luz, planetas, vegetação. Nem
tão-pouco
enriquecê-lo, ornamentá-lo
com palavras delicadas, abertas
ao amor e à morte, ao sol, ao vício,
aos corpos nus dos amantes
...
— o problema é torná-lo habitável, indispensável
a quem seja mais pobre, a quem esteja mais só
do que as palavras
acompanhadas
no poema.
Casimiro de Brito, in "Canto Adolescente"
......
oz
Liberdade
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O poema é
A liberdade
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Um poema não se programa
Porém a disciplina
— Sílaba por sílaba —
O acompanha
...
Sílaba por sílaba
O poema emerge
— Como se os deuses o dessem
O fazemos
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
...
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A Leitora
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A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.
...
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,
...
branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
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E na Fnac do Norteshopping
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ENTRE A PROSA E A POESIA
Com valter hugo mae e José Rui teixeira
DOM
17H00
NorteShopping
Valter Hugo Mãe é escritor, músico e artista plástico. Publicou recentemente o romance A Máquina de Fazer Espanhóis, um livro bastante aclamado pela critica. José Rui Teixeira é editor da Cosmorama e poeta com obra publicada. Esta tarde a Prosa e a Poesia são o mote para uma conversa com o público
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Ajude-(n)os a Acreditar!

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Os alunos do 12º Ano, turma A, do colégio Luso-Francês, no âmbito da disciplina de Área de Projecto, decidiram ajudar a instituição Acreditar, associação de pais e amigos de crianças com cancro.
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Todos os anos aparecem em hospitais, como o IPO do Porto, 350 novos casos de vítimas de doenças oncológicas. Instituições de voluntariado são fundamentais no apoio a estas pessoas e às respectivas famílias.
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A causa sensibiliza-nos, toca-nos e obriga-nos a não desistir… Como tal, no próximo dia 27 de Março, primeiro sábado de férias de Páscoa, pelas 17h, até às 20h, realizar-se-á um leilão de peças de arte, em que todos os fundos angariados reverterão a favor da instituição Acreditar.
Contamos ainda com a presença, em palco, de Avenue Blues Band e de Pedro Abrunhosa.
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Precisamos da sua ajuda!
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Podemos contar consigo?
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Vale a pena Acreditar!
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segunda-feira, 15 de março de 2010

Poetas e Poéticas II

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Por José Rui Teixeira...

Teixeira de Pascoaes
[1877-1952]
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Sempre que regresso a Pascoaes, sinto-me de regresso aos caminhos, aos trilhos que rasgam os montes, a uma realidade híbrida que corremos o risco de confundir com o “país real”, mas que perpassa os lugares, as pessoas, que habita uma aragem que vagueia pelos antigos povoados, pelos bosques a que perdemos o nome, pelos trilhos a que perdemos o rasto, pelas serras e planícies que em Portugal estão profundamente impregnadas de uma qualquer vertigem de mar.
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Pascoaes, o Poeta, é um “lugar”. O seu pensamento poético, traduzido não apenas em poemas, é algo telúrico, profundo, ancestral; simultaneamente étnico e universal, com a cor de punhados de terra ainda misturada com raízes e uma longínqua sensação de maresia; simultaneamente granítico e penhascoso, anímico e imaterial. Pascoaes, o Poeta, é um “lugar” demoradamente exposto ao horizonte desenhado pelo Marão; excessivamente nocturno, vagamente iluminado pela escassez própria da luz nas noites de inverno; algo profundamente entregue ao silêncio das mãos nos trilhos obscuros do alfabeto; ele, o Poeta, é um “lugar” insólito e misterioso, espectral e fantasmático, infinitamente próximo porque interior e interior por uma espécie de cartografia de comunhão com tudo o que emerge da terra na direcção do sidéreo rumor das estrelas.
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A sua poesia, tudo o que lhe escorria das mãos, é um dos mais impressionantes tesouros do património cultural e espiritual dos portugueses. Nela se desenha o mapa da nossa identidade, o esquisso de um futuro a cumprir, a descrição anímica e nevoenta da Saudade que é, nas palavras do Poeta, “A vida dum novo Sentimento.../ A nova Religião adivinhada,/ Por ignoto sentido, que alvorece,/ No mais remoto e fundo de nós próprios”. Metáforas de uma Portugalidade que se há-de cumprir na Era Lusíada. Pascoaes sabia-o no seu quarto – “No meu quarto sombrio onde medito, a sós” –, donde espreitava, ao longe, a montanha – “Lá, na Montanha, a existência é quietação, meditação, sonho vago em que a alma se dispersa, abrangendo o céu e a terra”.
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Jacinto do Prado Coelho disse que Pascoaes “foi português, amante e interprete da terra portuguesa, com suas fontes, seus outeiros, seus caminhos, suas «alminhas» e seus regatos murmurosos”. Esse Portugal que Miguel Torga disse “assombrado, patético, que o padre benze e a bruxa defuma, com ex-votos nas sacristias, demónios nas encruzilhadas, calvários, ermidas e nichos alumiados, que só quem teve a fortuna, como o Poeta, de nascer e ficar na aldeia, junto da natureza e do povo, merece e conhece. Para esse Portugal de viagem e torna-viagem, de adeuses e expectação, de desejo e lembrança, de Deus e de Satã, que pulsa ainda ao ritmo das seivas e dos sinos, e mede o tempo no relógio das estações e dos astros, sistematizou Teixeira de Pascoaes uma das mais audaciosas interpretações anímicas. A ancestralidade e o destino colectivo plasmados no condão de uma palavra. A saudade a crismar o mistério de uma raça perpetuamente a morrer e a ressuscitar. A pátria num estado de alma. Mas é como seu verbo encarnado, caudaloso, sem poder escapar a si próprio, que eu o amo e o futuro certamente o amará”.Como escreveu Jaime Cortesão, em Portugal, a terra e o homem: “Depois atinge-se Amarante debruçada sobre o rio, vila antiga e solarenga dum santo e dum poeta, de São Gonçalo e de Teixeira de Pascoaes. Poetas como este, por vezes mais que os santos, santificam a vida”.
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Quem és tu? De onde vens?
Na tua fronte
Paira o vago crepúsculo infinito
Da distância...
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[...]
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Caminhante nocturno, erma figura,
Gerada no silêncio e na tristeza...
Ó luso peregrino da Aventura,
Atrai-me a tua voz enlouquecida!
O teu próprio delírio me seduz...
Essa atitude anímica e nevoenta,
Que toca nas estrelas, onde a luz,
Para voar, voar, se veste de asas.
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Há nas tuas palavras um abismo.
Ouvindo-as logo sinto uma vertigem,
E, em sobressalto, chora e se lastima
O que, em mim, é vedado, oculto e virgem.
A parte indefinida do meu ser
Ama a sombra espectral em que desvairas...
E nem, ao menos, posso compreender
Esta força amorosa que me leva
Para a tua loucura!
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Marános [1911]

quinta-feira, 11 de março de 2010

Última aula de José Gil


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O português revê-se no pequeno, vive no pequeno, abriga-se e reconforta-se no pequeno: pequenos prazeres, pequenos amores, pequenas viagens, pequenas ideias. (…) Pequenos mundos: daí a visão curta, a repulsa instintiva pelos projectos a médio e longo prazo, a territorialização gregária.
Mas como em muitos outros domínios, estamos a viver tempos de mudança.
(…)
De que tamanho somos? Que se levante a questão significa que ainda não ajustámos a nossa estatura real à imagem que dela possuímos.
(…)
Deixaremos finalmente de perguntar «de que tamanho somos nós, portugueses?», porque deixaremos de ter problemas de identidade.
José Gil, Portugal, Hoje – O Medo de existir, ed. Relógio d´Água, 2004

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ordem do Desassossego

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Para os meus alunos de 12ºAno (ainda hoje citámos Cleonice...):
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A Casa Fernando Pessoa organiza, hoje, na sede do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, às 19 horas, uma sessão de homenagem à professora Cleonice Berardinelli e à cantora Maria Bethânia, pelos “seus trabalhos em prol da divulgação da obra de Fernando Pessoa”. A directora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, outorgará às homenageadas a medalha da Ordem do Desassossego, uma medalha de prata criada pela Casa Fernando Pessoa, com design de Jorge Colombo.
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A sessão incluirá um debate sobre a importância de Fernando Pessoa no Brasil, com a participação das homenageadas e do poeta e filósofo Antônio Cícero, bem como a gravação vídeo de poemas de Pessoa ditos por mais de 30 figuras da cultura brasileira (Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo, Malu Mader, Tony Bellotto, Zuenir Ventura, entre muitos outros).

Via LER

Acordo ortográfico

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"Andam à nora por causa do acordo ortográfico? Na Internet já há ferramentas capazes de nos ajudarem. Uma delas é o Conversor para o Acordo Ortográfico da FLIP - Ferramentas para a Língua Portuguesa, da Priberam. É um serviço gratuito on-line, um conversor para o Acordo Ortográfico, tanto para português europeu quanto para português do Brasil.A partir da janela disponível no ecrã, o utilizador pode digitar as palavras ou as frases (até ao limite de 3000 caracteres) que pretende converter. Pode também seleccionar a variedade de português em que estas estão escritas (Brasil ou Portugal) e visualizar as modificações propostas.
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Dizem que se trata de uma versão de demonstração e que não apresenta todas as funcionalidades do conversor incluído no FLiP 7, o software que a empresa vende com ferramentas linguísticas. Mas já é uma ajuda. Avisam que os critérios do FLiP relativamente ao Acordo Ortográfico estão disponíveis para consulta e que quem quiser pode ir à secção online sobre o Acordo Ortográfico de 1990 e a sua aplicação. Aí podemos ficar a saber várias coisas sobre os ditongos, por exemplo: “Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por i ou u: ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu, ou; braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo, goivar, lençóis (mas lençoizinhos)1, tafuis, uivar; cacau, cacaueiro, deu, endeusar, ilhéu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.” E outras coisas mais.
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Fizemos uma experiência. Fomos buscar uma crónica de Alexandre O’Neill publicada no livro “Já cá não está quem falou” da Assírio & Alvim que tem por título “Senhor conde, estarei a sumir em português de lei?” e colocámos no Conversor para o Acordo Ortográfico.“O policiamento da língua é uma bonita actividade; a denúncia das transgressões cometidas à Sociedade de Língua Portuguesa é o cúmulo do zelo. Agora que o senhor conde chame às histórias de quadrinhos uma praga é que é insuportável. As histórias de quadrinhos têm ajudado muita gente a aprender português, senhor! Mais ainda: têm ajudado muito homem a aprender a ’ser’ português!” E lá veio o texto corrigido: “O policiamento da língua é uma bonita (actividade) atividade (…)” e por aí fora.
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Está também on-line um corrector ortográfico e o corrector sintáctico (apenas com sugestões, sem explicação gramatical dos erros) para português europeu, para português do Brasil e para espanhol (em ambas as variedades da língua portuguesa é possível usar as versões com e sem o Acordo Ortográfico de 1990).
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Outro dos sites imprescindíveis é o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa da equipa de José Mário Costa.O cibernauta pode escolher no canto superior direito se quer ler o texto de acordo com a ortografia de 1945 ou de acordo com a de 1990, seleccionando a opção correspondente. O Ciberdúvidas está a publicar os textos em dupla grafia desde 15 Janeiro. Contam que o escritor José Eduardo Agualusa está a escrever um romance cuja “história passa pelos diferentes países de língua oficial portuguesa, e o pano de fundo é o Acordo Ortográfico”.“Este Acordo dava um romance”, escrevem. Pois dava."
Isabel Coutinho, in Ciberescritas
(crónica publicada no suplemento ípsilon do jornal PÚBLICO de 26 de Fevereiro de 2010)
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FLIP
Ferramentas para a Língua Portuguesa
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Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

Alda do Espírito Santo

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Alda do Espírito Santo, poetisa são-tomense e uma das vozes poéticas mais destacadas da África lusófona, faleceu ontem.
Em jeito de homenagem,deixo a sua biografia, o testemunho de outros escritores e um poema:
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Nascida a 30 de Abril de 1926 na cidade de São Tomé, Alda Graça do Espírito Santo, combatente da luta pela independência nacional, instruiu a nova geração pós-independência e, pelas suas mãos de poetisa, nasceram versos e rimas que sustentam o orgulho da República Democrática fundada em 1975. Uma referência nacional, que rejeita vanglórias e com humildade continua a batalhar pela conquista do progresso do país soberano.
Desde a juventude que Alda Graça do Espírito Santo viv[ia] na mesma residência na Chácara, arredores da capital São Tomé. Segundo ela, só deixa[ria] aquele lugar quando fo[sse] chamada para o eterno descanso no cemitério do alto São João.
Foi professora da geração de são-tomenses que gritou pela independência nacional.
Criou a primeira geração de jornalistas do país, e como poetisa imortalizou o massacre de 1953 no poema TRINDADE, que, desde a independência nacional, é recitado todos os anos e de forma arrepiante por uma voz feminina.
A poder poético de Alda está presente todos os dias, e em todos os momentos de São Tomé e Príncipe. O grito pela independência nacional, a unidade do povo no coro da esperança é reflectido na letra do hino nacional de que ela é autora.
Membro do Governo de transição, como Ministra da Educação, Alda do Espírito Santo foi também ministra da informação e cultura. Fez dois mandatos como Presidente da Assembleia Nacional Popular.
Criou a União dos Escritores e Artistas são-tomenses, onde continua a trabalhar na criação de novos valores para cultura literária.
Abel Veiga
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«A Alda Espírito Santo foi, num determinado momento (anterior às independências dos países de língua portuguesa), das poucas pessoas que já sabia o caminho a seguir, porque, sobretudo através da poesia, ia indicando aos mais novos qual era o caminho, o caminho da luta, da dignidade dos povos, da independência.»
Pepetela
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Ilha nua

Coqueiros e palmares da Terra Natal
Mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos
Vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos.
Verdura, oceano, calor tropical
Gritando a sede imensa do salgado mar
No deserto paradoxal das praias humanas
Sedentas de espaço e devida
Nos cantos amargos do ossobô
Anunciando o cair das chuvas
Varrendo de rijo a terra calcinada
Saturada do calor ardente
Mas faminta da irradiação humana
Ilhas paradoxais do Sul do Sará
Os desertos humanos clamam
Na floresta virgem
Dos teus destinos sem planuras...
Alda Espírito Santo

domingo, 7 de março de 2010

Musicografias

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Se é verdade que em qualquer povo há uma diversidade cultural e, consequentemente, musical muito grande, mais verdade o é em povos insulares. No mês passado, soou-nos a "morna", de Cabo Verde, estilo amoroso e melancólico. No entanto, não nos podemos esquecer que há muitos mais artistas e estilos interessantíssimos em Cabo Verde. Por contraste, lembrei-me de vos apresentar este. Ou esta voz, para ser mais preciso - Cesária Évora. Tem uma voz naturalmente escura e em palco canta habitualmente descalça, enraizada numa força, numa intensidade que nasce da terra e flui para o exterior. Mundialmente, é conhecida principalmente pela sua interpretação de "Besame Mucho", que foi usada na banda sonora de um filme de Almodóvar, e pela morna "Sodade". Preferi trazer um ritmo e um estilo mais alegre através da música "Carnaval de S. Nicolau". Desta vez, não é para ouvir de olhos fechados, mas de olhos, braços e coração bem abertos e dançar....
Joaquim Santos Silva
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quarta-feira, 3 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Correntes de Escrita 2010

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Fonte: Pelouro da Cultura, Câmara Municipal da Póvoa de Varzim
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De forma intervalar, tenho acompanhado as “Correntes d’Escritas” desde 2000. Sábado, tive oportunidade de voltar à Póvoa de Varzim e de assistir, no Auditório, à última mesa da 11ª edição desse evento que reúne escritores, livros, leitores, amantes de palavras, crentes de que “um pedaço de utopia é possível”. Moderada por Maria Flor Pedroso, com a presença de Mário Zambujal, Rui Zink, Onésimo Teotónio de Almeida e dois escritores de língua espanhola, Milton Fornaro e Ricardo Menéndez Salmón, a tertúlia teve por mote “Cada palavra é um pedaço do Universo” e cada um dos oradores usou da palavra, assinalando o modo como entendia a palavra, ou o universo das palavras, ou a representação do universo (macro, ou micro), através das palavras. Para Mário Zambujal, o jornalista, criador das mais apetecíveis crónicas, a palavra é instrumento de trabalho e meio de se aproximar daqueles que o lêem. Rui Zink, num registo jocoso, provocatório, fez-nos remontar ao tempo da mais recuada infância, em que “no início não era o verbo, mas sim o berro”. E, representando o papel da criança que pensa, mas ainda não verbaliza, “desconstruiu” o universo consciente e linguístico do adulto. Onésimo Teotónio de Almeida usou da palavra como só um bom contador de histórias sabe fazê-lo, prendendo o auditório, divertindo-o, numa cumplicidade que decerto lhe garantiu a certeza de que as suas palavras permanecerão, sendo parte integrante do universo. Fiquei curiosa de conhecer a sua prosa literária que, a julgar pelo que dele ouvi, será o resultado de uma espécie de “pensar em voz alta”, em que todos os jogos com e das palavras serão admitidos. Não me atrevo a comentar os oradores de língua espanhola, por razões óbvias, mas não esquecerei o discurso ritmado, ainda que angustiado e angustiante, de Ricardo Menéndez Salmón – “La nada. «Cada palavra é um pedaço do universo». De acuerdo, accepto la mayor.” – uma espécie de refrão que pautou a sua reflexão sobre a literatura como conquista de dignidade e de conhecimento, ultrapassado a angústia do vazio – “la nada”.
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Ir às “Correntes” também é reencontrar velhos amigos, cumprimentar alguns mais recentes conhecidos e deambular pela feira do livro. A última publicação do jornalista brasileiro Zuénir Ventura - “Inveja, mal secreto” - chamou a minha atenção pelo seu destaque. A curiosidade levou-me a pegar no livro, a folheá-lo, a ler apressadamente os textos das abas e da contracapa e, mais pausadamente, o texto assinado por Miguel Sousa Tavares que abre o livro – “Porque é jornalista, repórter, cronista (autor de uma indispensável crónica semanal n’ O Globo) e, aos factos das histórias, alia sabiamente os factos da imaginação próprios do escritor, Zuenir Ventura lançou-se, nesta viagem às profundezas da inveja, numa incrível peregrinação por psicanalistas, antropólogos, meninas perdidas no Rio, terreiro de mãe-de-santo e hospitais onde «me cuidavam da doença, enquanto eu cuidava da inveja». Pela mão de Kátia, a sua personagem-muleta, caminhamos com ele, dois passos atrás dela, e vamos entrando onde ela entra e ele espreita, como se caminhássemos atrás de uma câmara de filmar, com o realizador à frente. E assim vamos desfiando o novelo, seguindo o filme, devassando os labirintos da inveja.”
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Vá lá saber-se porquê, o livro veio comigo...
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E, como no passado dia 11, não pude estar na Biblioteca Almeida Garrett para assistir ao lançamento do último livro do valter hugo mãe, o romance “a máquina de fazer espanhóis” também me fez companhia na viagem de regresso a casa, debaixo de um temporal capaz de desfazer espanhóis e portugueses…
Auxília Ramos